
A reportagem do Jornal O Comércio, replicada nas redes sociais por meio do alcance do Portal Vvale, suscitou a eterna discussão em torno do moral e legal e vice-versa. O assunto foi abordado, ouvindo os dois lados da questão. Vereadores e ex-vereadores trataram o assunto com naturalidade. O ex-vereador Alceu “Brasa” Jung disse que a decisão que tomou ao privatizar o patrimônio e torná-lo de uso exclusivo dos colegas legisladores e dos funcionários da Câmara, é o fato de não precisar pagar o estacionamento rotativo.
Outros defenderam o patrimônio ferroviário, como o arquiteto Murilo Passos que afirma que a Estação União, tombada pelo Patrimônio Histórico, é pública. Usar o espaço como estacionamento particular é uma agressão dupla. Já o delegado sindical do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias nos Estados do Paraná e Santa Catarina (Sindifer), Antônio Xavier Paes, é contra o estacionamento. “Eu disse para o então vice-prefeito (Salvatti) que aqui não é lugar”, revelou à reportagem.
Corporativismo
A resposta nas redes sociais foi imediata. Centenas de comentários trataram do assunto. A internauta Fran Barth, por exemplo, ficou indignada. “Que bonito. Se toda população pode pagar, porque eles não pagam estacionamento rotativo?”, questionou. Em outro comentário, Daniel da Rocha cobrou posição do Ministério Público (MP) de Porto União. “Vergonha, cadê o Ministério Público que não autua quem está fazendo de estacionamento privado um espaço que é público?”, opinou.
Em outra postagem, Silvia Maria Federovicz também demonstrou descontentamento: “Que engraçado, o que é público se tornou privado pelo bem de meia dúzia de interessados, que pelo menos para mim ficou claro, que não estão dispostos a pagar pelo estacionamento rotativo? É isso mesmo? E porque o restante da população tem que pagar? Quem aprovou o Estacionamento Rotativo? Foi o povo? E de qualquer maneira, esse espaço jamais deveria ser usado como estacionamento, nem público, pago ou gratuito, muito menos “particular”, disse. Silvia também cobrou bom senso dos vereadores.
Tudo igual
Apesar dos protestos da população, a situação continua na mesma. Até o fechamento desta reportagem, o portão seguia fechado e com acesso exclusivo para vereadores, funcionários e convidados a ter um controle do portão eletrônico. Os portões das laterais também são fechados às 19 horas e reabertos pela manhã do dia seguinte. Um dos portões de acesso, próximo da rua Sete de Setembro, está fechado com cadeado. Enquanto se discute o que é legal, mas imoral, o portão continua cercando um oásis, livre dos apontadores de EstaR de Porto União.