TESOURO: Filha encontra documentos centenários do pai

Alzira Domingos achou alvará assinado pelo Coronel Amazonas, de março de 1917, na biblioteca particular da família

·
Atualizado há 10 anos

DOCUMENTOX3
Alzira segura com emoção um dos retratos de família

Alzira Domingos é uma senhora que respira educação e cultura. Tem descendência libanesa, mas sempre morou em Porto União e da cidade, não quer sair jamais. Ama tanto que, se tivesse que escolher, ficaria no Brasil e deixaria a região arábica para trás.

Na semana passada, durante uma breve arrumação da incrível biblioteca que tem em casa, um apartamento enorme e antigo, na rua Prudente de Morais, encontrou o que nem sabia que existia: um alvará, assinada pelo Coronel Amazonas. O documento garantia a abertura de um pequeno comércio na mesma rua onde Alzira mora até hoje. “O papai tinha um atacado e varejo, vendia armarinhos, secos e molhados”, sorri, emocionada.

Com o comércio aberto, devidamente regulamentado pelo coronel, Aziz Domingos, pai de Alzira, enfrentou os jagunços na época do Contestado. Época difícil, marcada pela falta de pagamento e pelo esconde-esconde da esposa com os filhos, na tentativa de escapar dos homens envolvidos no conflito. “Eles queriam as mulheres. Então, a mamãe fugia para onde é a Caixa Econômica de Porto União. Era só mato. Ela ficava ali com a gente, até que tudo estivesse bem”, conta Alzira.

Antes de abrir o comércio, Aziz morava no Líbano. Tinha no sangue o dom de negociar. Veio para o Brasil, diretamente para o Vale do Iguaçu, em 1906. “Ele tinha a avó dele que morava em São Paulo. Veio passear, conheceu a região e não quis mais voltar”, sorri a filha, orgulhosa. Aziz, habilidoso com os negócios, abriu em pouco tempo mais um comércio, do mesmo gênero, em São Mateus do Sul. “Ele ia de vaporzinho para lá. Levava dois dias”, conta Alzira. Na década de 30, atendeu os militares no balcão. Em outros documentos antigos, Alzira encontrou uma espécie de promissória, dada para seu pai como garantia do pagamento das compras. “Depois, o próprio presidente Getúlio restituía”, conta.

Apenas um dos filhos de Aziz, Sadala, seguiu os passos do pai. Ele trabalhou bastante e terminou a vida reconhecimento como um grande cerealista.

Destino

A surpresa do encontro dos documentos ainda deixa Alzira sem saber exatamente o que fazer com eles. Comovida e cheia de lembranças, revela apenas que deseja expor o material, para que outros também conheçam mais sobre a história de uma família importante para o desenvolvimento do Vale do Iguaçu, especialmente de Porto União. A dinâmica de tudo isso, Alzira guarda para si, como um segredo, tão bem guardado como os documentos do “querido papai”.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!