O primeiro jornal impresso do Brasil foi a Gazeta do Rio de Janeiro. Circulou no Rio de Janeiro em 10 de setembro de 1808. Em que pese o Correio Braziliense, impresso na Inglaterra ter começado a circular por aqui em julho de 1808. Portanto, há quase 210 anos jornais impressos se consolidaram como a fonte mais confiável de informação.
A revolução causada pela internet nos últimos anos gerou uma discussão sobre o destino destes veículos que, como este que o leitor tem às mãos continuam como fontes sólidas, segundo o levantamento mais recente da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Os apressados estão comendo cru porque deram até prazo para a extinção das publicações impressas por conta da avalanche causada através das telinhas de computadores e, mais recentemente, de smartphones. Até jornalistas experientes, aqueles do tempo do teletipo, cravaram a data da “morte” do impresso. Devem estar pagando penitência agora.
Em agosto do ano passado o Ibope ouviu 15.050 brasileiros de todas as regiões do país em pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República para saber como se informavam. No começo deste ano foi publicado o resultado: os jornais impressos são os mais confiáveis como meio de comunicação, com 59%, seguidos do rádio e televisão, com 57% e 54%, respectivamente.
Sobre o que leem na chamada rede? 71% disseram não confiar no que é publicado nas redes sociais, 69% não confiam em blogs e 67% não confiam nos sites de notícias.
O fato de os jornais também publicados na internet só reforça o maior argumento para o resultado do levantamento, afinal, a credibilidade, ou seja, confiança na informação que se lê tem a ver com o que foi e é conquistado pelo impresso desde que foi às bancas pela primeira vez
Há também, uma tradição de mais de duzentos anos, herança de costumes, etc. A pesquisa revelou que o tempo médio de leitura dos jornais impressos é de uma 1 hora e 10 minutos. O que fica, o que marca, o que faz pensar e tirar conclusões é o original, o das letras impressas para sempre.
Dentro do universo em que vivemos vimos muitos impressos desaparecerem, mas o que estão aí circulando mostraram que se adaptaram as mudanças e com a credibilidade conquistada têm mantido suas circulações. O mundo inteiro vivencia um momento em que grandes investidores têm apostado cada vez mais nos impressos. Talvez o maior exemplo disso é a compra do tradicional Washington Post, pelo dono da Amazon, maior empresa de internet do mundo, Jeff Bezzos.
O jornalismo impresso, é verdade, vai se adaptando aos novos tempos porque o avanço da comunicação digital é inexorável. Os jornais regionais têm investido forte em soluções digitais, mas sem perder de vista o jornal impresso. A mídia regional consegue estar próxima da comunidade e retratar em suas páginas o cotidiano do leitor, despertando interesse continuo permitindo que o leitor seja informado com clareza e rapidez.
Este processo, baseado na forma veloz e radical da nova mídia, não foi adiante como os números apontavam. Por quê? Uma resposta sensata inclui os mais de duzentos anos de história e, mais que tudo, a credibilidade reforçada no dia a dia dos impressos – mesmo porque o que fica nas páginas não pode ser deletado.