Você é feliz na sua profissão?

Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas revela que apenas um a cada quatro brasileiros é realmente feliz com o que faz. O Comércio compartilha a história de uma pessoa que foi em busca do sonho profissional

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Atualizado há 14 anos

Você é feliz na sua profissão?
Wanessa e as filhas realizando o sonho de dançar ballet clássico

Wanessa Rosa Santos é advogada em Porto União e União da Vitória com muito orgulho, pois a cinco anos seguiu as batidas do seu coração e correu atrás de um sonho, o sonho de ser feliz profissionalmente. Comunicativa que só, Wanessa foi a busca da profissão traçada já na infância. A área do direito sempre foi destaque em seus estudos. Mas, segundo ela, tudo na vida necessita de programação. Antes de realizar o seu sonho, trabalhou como vendedora de shopping em Florianópolis, depois migrou para uma agência de publicidade e para uma academia. Conta também que mesmo com a pouca idade, foi até auxiliar de escritório do ex-marido na cidade vizinha de Cruz Machado. Depois de idas e vindas, firmou residência em União da Vitória e traçou seu objetivo: o vestibular para a faculdade de direito. Impulsionada pelo amor das filhas Julia e Justine, há cinco anos colou grau em Direito pela Universidade do Contestado em Porto União (UnC) com especialização em jurisdição federal em Florianópolis. “Hoje posso dizer que estou realizada profissionalmente. Sou advogada por paixão a profissão. A vida é assim, muitas vezes precisamos conhecer as oportunidades que nos são impostas para darmos valos a aquilo que mais nos identificamos”, conta.

A história de Wanessa é apenas uma de milhares de histórias espelhadas Brasil a fora de pessoas que correm em busca de seus sonhos profissionais. A sua narrativa nos induz a pergunta: você é feliz na sua profissão?

Pesquisa

Dados do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas, apresentados em 2010, revelam que apenas um a cada quatro brasileiros é realmente feliz com o que faz. Os estudos mostraram também que 28% da população economicamente ativa do Brasil não atua na área que deseja ou para a qual se especializou. Outros 30% não sabem responder com exatidão se gostam da profissão. Em outra pesquisa feita no ano passado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos, os resultados são ainda mais radicais: quase metade dos entrevistados não gosta do que faz.

Uma história que não para por aqui

A história de Wanessa é grandiosa e não caberia em poucas páginas. No entanto, ela compartilha mais um fato de coragem em realizar um sonho. Apaixonada por ballet clássico, a então advogada iniciou há um ano seus estudos na área. Como ela mesma conta, a maioria das alunas iniciam a sua vida musical e da dança aos três anos de idade. “A minha aconteceu um bom tempo depois (risos). Não tenho problema algum em ter mais idade que as demais alunas. O importante é aprender e realizar um sonho”. Wannessa, ao lado das filhas, se apresentaram, em novembro do ano passado, no espetáculo Coppélia do Centro de Danças de Porto União da Vitória.

Trabalho X felicidade

“Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia de sua vida.” A sábia frase do filósofo chinês Confúcio foi compartilhada pela psicóloga em Porto União e região, Daniele Jasniewski. Ela afirma que é nesta frase que se encontra a mais valiosa dica para que possamos atingir o sucesso e a plenitude que tanto almejamos em nosso trabalho.

Uma vez que a própria palavra “trabalho” origina-se do Latim “tripalium” -instrumento de tortura formado por três paus utilizado em Roma para castigar os escravos, e que mais tarde essa mesma palavra deu origem ao verbo “tripaliare”, literalmente, “torturar no tripalium”, trabalhar recebeu o sentido de ser uma tortura e os trabalhadores as vítimas dessa atividade.

Confúcio, ao afirmar que quando escolhemos um trabalho pelo qual nutrimos o mais sublime dos sentimentos, o amor, não teremos que ser torturados ou castigados. Quando se ama o que se faz o trabalho não é uma punição e, sim, uma fonte de prazer e dignificação. “O trabalho feito com amor e pelo amor é um trabalho diferente, é realizado com cuidado, zelo e dedicação, pois ninguém trata mal aquilo que ama”, confirma a psicóloga.

A psicóloga conta ainda que o amor pelo que se faz traz benefícios, inclusive, à nossa saúde, pois realizar o que gera satisfação, prazer e sentimento de utilidade consequentemente mantém nosso bom humor, e bom humor é um dos itens indispensáveis para a prevenção de doenças.

Não gosta do que faz

De acordo com a psicóloga, por outro lado, o indivíduo que não gosta do que faz, este sim, é torturado diariamente em seu trabalho. É uma tortura levantar da cama e ir para aquele trabalho que, pela percepção dele, é enfadonho, desgastante, pesado, punitivo. Trabalhadores que não amam o que fazem são uma ameaça à saúde no local de trabalho, saúde a nível individual, grupal e organizacional. “Em primeiro lugar estes trabalhadores são uma ameaça a eles mesmos, pois estão sabotando sua própria felicidade e saúde porque não é nada saudável trabalhar oito horas por dia em uma função e/ou local de trabalho que você não gosta e não encontra satisfação, sem contar que sua produtividade não é satisfatória às necessidades da empresa”.

Ela explica que a nível grupal esses trabalhadores insatisfeitos que fazem o que não gostam, ameaçam também a saúde de seu grupo de colegas de trabalho, cara feia, mau humor, baixa produtividade, acabam por afetar a equipe de trabalho o que de alguma forma torna-se nocivo à saúde grupal no ambiente de trabalho. A nível organizacional a ameaça pode ser sentida no faturamento da empresa, trabalhadores que trabalham sem amar o que fazem, compromentem a produtividade e consequentemente o rendimento final da organização, esta pode ser a ameaça mais difícil de ser percebida, mas as pesquisas anuais realizadas em organizações destaques no Brasil revelam que o índice de felicidade no trabalho é fator determinante para o sucesso do coletivo e para a prosperidade da organização como um todo. O ambiente corporativo saudável é, sem dúvida, resultado do que ocorre com cada indivíduo que compõe o local de trabalho, dessa forma, indivíduos felizes com o que realizam, contribuem para a felicidade coletiva da organização.

Felicidade e tristeza

A psicóloga define que, de qualquer modo, a vida sempre vai estar em uma balança que pende entre felicidade e tristeza, e somos nós, aqueles que através de nossas ações individuais e de nossas escolhas decidiremos para que lado essa balança vai pesar mais. “Enfim, amar o que você faz vai além dos clichês, encontrar uma profissão que você ame é saudável e recompensador, e muitas vezes pode ser um encontro com você mesmo, com quem você verdadeiramente é. O segredo, no final das contas, é sempre ele, o amor. Dessa forma, não posso evitar de novamente citar o grande sábio Confúcio: “Onde quer que você vá, vá com todo seu coração!”.

Ama o que faz

Daniele é psicóloga, professora, especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, mestranda em processos psicossociais nas organizações de trabalho. Atua principalmente nos seguintes temas: Caracterização Psicossocial das Organizações, Treinamento, Desenvolvimento e Educação, Orientação Vocacional e Profissional e Programas de Orientação para Aposentadoria. “Mas esses títulos não significariam nada se eu não amasse o que faço”, confirma.

Você é feliz na sua profissão?
Foto: Arquivo de família

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