Artigo de Filipe Fonseca Braga: Apadrinhados X Competentes

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Atualizado há 14 anos

É lamentável como se dão algumas escolhas para determinados cargos em órgãos estatais, quer sejam secretários, diretores, assessores e outros. No Brasil, mais de 22.000 cargos do governo Federal são de confiança, ou seja, preenchidos por critérios políticos (muitas vezes, apenas por critérios políticos…).

Um dos mais famosos headhunters do mundo, o suíço Egon Zehnder, dono de uma empresa de recrutamento com escritórios em 38 países, em recente entrevista para a revista Veja disse, entre outras coisas, que “mesmo considerando o tamanho do país, são números [os 22.000 cargos] exageradamente altos”. Abrir mão de um concurso sério, onde são privilegiados critérios como experiência profissional, formação adequada e especializações, em detrimento de um “apadrinhamento”, não parece ser a melhor das escolhas. Isso ainda é mais grave se levarmos em conta as consequências indesejadas advindas de uma decisão equivocada de um alto funcionário. Façamos uma análise de nossas prefeituras! Quantos secretários ou diretores possuem, no mínimo, um curso superior? Como alguém sem tal qualificação poderia ser responsável, por exemplo, por toda a educação de um município, ou pela administração de nossos hospitais, ou de nossas finanças? Será que os apoios de fulano, sicrano ou beltrano nos dias de campanhas eleitorais proporcionaram-lhes subsídios para desempenharem suas funções? Não sejamos ingênuos! É nosso futuro que está em jogo! Até quando altos funcionários de nossos governos ficarão apenas “esquentando cadeiras”, enquanto subalternos executam aquelas que deveriam ser suas atribuições? A simples gestão de uma secretaria ou diretoria exige conhecimento profundo de todos os processos que lá ocorrem, pois é imprescindível a atuação do chefe na elucidação de problemas, no ajuste de falhas, na análise de melhorias…

Talvez, aí esteja uma das explicações para a má utilização dos recursos públicos descentralizados às prefeituras, ou para a falta de atrativos para a instalação de indústrias. Enfim! Por mais que existam diversas correntes para o recrutamento mais próximo do perfeito de recursos humanos, nenhum ainda é melhor do que a MERITOCRACIA. Resumindo: seleção pelo mérito. E qual mérito? Quanto melhor formado, mais capacitado (capacitação expressa por cursos, experiências, etc.), maiores responsabilidades e melhor posição na hierarquia funcional.

É evidente que determinados cargos precisam ser preenchidos por servidores que se encontram minimamente alinhados com o momento político, até porque ocorrendo o contrário, decisões proferidas favoráveis à população poderiam ser desprivilegiadas; mas nomeações 100% políticas já se constituem em ofensa à população que escolheu ser governada por determinada legenda. Caro [E]leitor, analise o secretariado e os diretores de sua prefeitura. Cobre do prefeito, chefe do Poder Executivo, que sejam colocadas pessoas capazes (competência profissional + moral) no exercício das funções de confiança. Se for necessário, cobre do Poder Legislativo que vagas de cargos comissionados em demasia sejam suprimidas, e transformadas em cargos efetivos. Estes cargos, aliás, poderão ser ocupados por você, [E]leitor, através de sua preparação e capacitação profissional, se selecionado através de processos definidos, justos e apolíticos.

Filipe Fonseca Braga é quatiense, bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), Resende-RJ. Morou por 3 anos em União da Vitoria e Porto União, onde servia no 5º BE Cmb Bld.

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