
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) deflagrou na sexta-feira, 26 de maio, a Operação Chorume, que objetiva investigar supostas irregularidades na administração do consórcio, entre elas, fraude em licitação, desvio de verbas públicas, no município de Pinhalão e em outras cidades no Norte Pioneiro. No entanto, as informações sobre a ação só foram liberadas pelo MP na tarde de segunda-feira, 29.
A ação foi iniciada para investigar o Consórcio Intermunicipal para Aterro Sanitário (CIAS), em Pinhalão, na região de Santo Antônio da Platina (PR), onde há suspeita de emprego irregular de servidores públicos do município, na realização dos serviços oferecidos pela entidade, e possíveis crimes de associação criminosa e peculato.
A Operação
O MP-PR, por meio do Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), em Santo Antônio da Platina, com auxílio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, policiais militares do 2º Batalhão de Jacarezinho e promotores de Justiça do Gepatria de União da Vitória cumpriu na manhã de sexta-feira, 26, dez mandados de busca e apreensão na sede do Consórcio Intermunicipal para Aterro Sanitário (CIAS), em Pinhalão e em outras cidades no Norte Pioneiro, além de 11 mandados de condução coercitiva.
Os mandados foram cumpridos nas residências dos suspeitos e na sede da Prefeitura de Pinhalão, onde também funciona a sede do consórcio, e em empresas na própria cidade, em Tomazina, Tibagi e na sede da empresa Engegreen, de União da Vitória. As provas colhidas pelo Ministério Público serão analisadas para fundamentar as medidas judiciais cabíveis.
Entre as pessoas conduzidas coercitivamente para prestar depoimento ao MP-PR está o ex-prefeito de Pinhalão, Claudinei Benetti, que presidiu o consórcio, um servidor público apontado como seu ‘braço direito’ na administração da entidade e o contador da prefeitura, que segundo as investigações também administrava a contabilidade da associação. As ações em União da Vitória, foram conduzidas pelo promotor do Gepatria, André Bortolini.
O outro lado
O diretor proprietário da empresa Engegreen, Ricardo Luis Bonin, falou à reportagem de O Comércio com exclusividade. Ele estava acompanhado do diretor comercial da empresa, Nelson Ronaldo Pedroso, e afirmou que vê como positiva a investigação por parte do Ministério Público para esclarecer os fatos, em Pinhalão, e que devem comprovara lisura da sua empresa. “A gente que está no meio público participando de licitação, está suscetível a isso, e ainda bem que é feito assim, eu acho que tem de ser cada vez mais, o judiciário está de parabéns por essa atitude”, enfatizou.
Bonin disse não saber qual é o problema envolvendo o consórcio em Pinhalão. “A gente simplesmente presta o serviço, aliás continua prestando o serviço e assim vai ser”, esclarecendo que o alvo da investigação são o ex-prefeito Claudinei Benetti e seus assessores. Segundo o diretor comercial da Engegreen, Nelson Ronaldo Pedroso, o consórcio municipal envolve seis municípios, e a figura do ex-prefeito está sendo investigada e a Engegreen, por ser prestadora do serviço teve as pastas levadas do CIES, referentes ao contrato e relatórios da prestação dos serviços. “Por essa situação, estamos [a empresa] tranquilos”, disse pedroso.
Quanto a localização, Bonin rechaçou as informações de que a sede da empresa fica em Pinhalão. “Absolutamente, a empresa está sediada e localizada desde 2012, em União da Vitória, explicou. O empresário disse que foi pego de surpresa com a operação do MP, mas que não tem nada esconder. Quanto ao prejuízo moral, por ter a empresa envolvida na operação, Bonin diz não temer, porque a Engegreen já tem portfólio forte de prestação de serviços em União da Vitória e Porto União.
Sobre os boatos de que a investigação se deu para apurar se Bonin seria “laranja” do ex-prefeito, que seria o verdadeiro dono da empresa, o empresário apresentou diplomas de curso superior de faculdades locais e disse que trabalha desde 2003 e que abriu a empresa com recursos próprio, em fevereiro de 2012 e tem oferecido serviços em vários locais do estado e do país. Para o proprietário da Engegreen, tudo vai ser esclarecido na tramitação do processo
MP não se pronunciou
O promotor público André Bortolini está em viagem a Curitiba, mas disse que não está inteirado da operação, apenas coordenou a ação de busca na Engegreen. A promotora pública, Kele Cristiani Diogo Bahena, do Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), em Santo Antônio da Platina, está em viagem na capital do estado e seus assessores afirmaram que não podem reportar em nome dela. Ambos os promotores participam de um curso em Curitiba.