Nenhuma rodovia que corta a região sul do Paraná ou norte de santa Catarina possui placas alertando os condutores da passagem de animais. A região é de floresta preservada, mas a sinalização adequada nunca foi implantada. As únicas placas, colocadas por iniciativa de terceiros também sucumbiram à ação do tempo. Na rodovia de acesso à Porto Vitória, a PR 446, na região da Colônia Amazonas, existia uma placa alertando para o trânsito de gado, mas sumiu há algum tempo.
Também por iniciativa de ecologistas, uma ou duas placas alertavam para um grupo de capivaras que margeavam o rio Iguaçu, entre as Pontes Machado da Costa e Domício Scaramella em uma rodovia estadual do Paraná. As capivaras continuam morando na região, mas não contam mais com a ajuda das placas. As capivaras são companhias frequentes às margens do Rio Iguaçu em União da Vitória. Isso porque elas já estão por ali há algum tempo, antes mesmo de se tornar tão populoso e cheio de casas ao redor. Contudo, mesmo a área sendo de Preservação Permanente (APP) ainda tem gente que não se dá conta dos cuidados.
No ano passado, uma capivara foi atropelada e gerou revolta dos ambientalistas e moradores do local. A maioria dos atropelamentos envolve pequenos vertebrados, como aves, cobras, sapos e outros. Mas na região, os cavalos e cachorros também são vítimas em potencial. Na falta de sinalização adequada, a placa A36, que adverte o condutor do veículo da possibilidade de presença de animais selvagens na via, os animais ficam à própria sorte.
As rodovias estaduais são as que mais registram atropelamentos de animais silvestres. Na lista negra das PRs, estão os acessos a Porto Vitória, Bituruna e Cruz Machado. Já na região de Porto União o perigo para os animais está na SC 135, trecho Porto União e Matos Costa.
E se as placas existissem
Na falta de placas A36, serve a observação do limite de velocidade das rodovias. Segundo a Polícia Rodoviária Federal do Paraná (PRF-PR), ao dirigir acima do limite de velocidade, por exemplo, o motorista assume riscos e reduz as chances de evitar uma colisão com animais que invadem rodovias, estradas e até ruas. O excesso de velocidade dificulta a frenagem.
Informações da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) alertam que uma colisão a 60 quilômetros por hora representa uma queda do 11º andar de um prédio, enquanto a 80 quilômetros por hora equivale à queda do 20º andar, e a 120 quilômetros por hora é o mesmo que cair do 45º andar. Os dados da associação mostram também que da energia mecânica gerada na hora da colisão de um automóvel com um animal ou árvore, por exemplo, parte é absorvida pelo objeto da batida, outra pelo carro e por seus ocupantes.
Ainda segundo a PRF, o perigo é maior à noite, por causa da falta de visibilidade, e em locais próximos de matas, reservas, áreas verdes e propriedades rurais. O tempo seco também influencia, especialmente no período de início de queimadas. Temos percebido, pela experiência, que dos meses de maio a agosto esses fatos ocorrem com maior intensidade.
Animais silvestres
Quando se trata de animais silvestres, o número de atropelamentos e acidentes é ainda maior. Isso porque são contabilizados não somente animais de grande porte, mas de médio e pequeno também. De acordo com estimativas do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, 15 animais morrem nas estradas brasileiras a cada segundo. Isso leva a quantia de 1,3 milhão de animais, em um ano, mortos em rodovias e estradas pelo País.
De quem é a responsabilidade
Nas rodovias federais, do Dnit, ou da empresa concessionária da rodovia. No caso da região, nenhuma rodovia foi privatizada ainda. No caso das rodovias estaduais, a responsabilidade no Paraná é do DER. Já em Santa Catarina, é do Deinfra. Prefeitos vereadores, IAP e FATMA, também podem cobrar ação para sinalizar melhor as rodovias. Enquanto isso todos os dias capivaras, onças, veados, tatus e outros animais são atropelados no vai e vem das nossas rodovias.
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