A sede do Sebrae/PR, em Curitiba, foi sede do primeiro encontro em território brasileiro, de uma reunião entre os presidentes do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos, e da Confederação Argentina da Empresa Média (Came), Fabián Tarrio. O encontro, ocorrido na tarde desta segunda-feira (03), foi mais um capítulo do processo de facilitação do comércio bilateral envolvendo pequenas empresas do Brasil e da Argentina, um desdobramento do Seminário Pymes Brasil-Argentina: Simplificación de Nuestro Comercio, realizado em 29 de maio, em Buenos Aires, que discutiu soluções para os gargalos que travam o comércio entre os dois países.
Os entendimentos com a Argentina fazem parte do projeto Simples Internacional, proposta do Sebrae elaborada com o apoio de parceiros governamentais para reduzir a burocracia e facilitar a logística para pequenos negócios que desejam exportar e importar produtos. Estudo encomendado pelo Sebrae ao Instituto Aliança Procomex mapeou 142 entraves para o comércio exterior de pequenos negócios brasileiros, mais de 60 deles nas relações comerciais entre Brasil e Argentina.
Entre as propostas apresentadas pelo Sebrae está a instituição da figura do operador logístico internacional, que auxilia no desafio da travessia das mercadorias; o uso da moeda local, uma vez que a conversão direta já é regulamentada no Mercosul; além do estabelecimento de aduanas especializadas no tratamento para pequenas empresas. “A venda, muitas vezes, pode ocorrer até pelas redes sociais, mas um dos grandes entraves é a entrega de mercadorias. Temos que fazer um elenco das medidas em absoluto acordo entre nós, para levar aos governos no intuito de iniciar um tratado bilateral”, destacou o presidente do Sebrae.
O presidente da Came reforçou a necessidade de criar mecanismos para fortalecer o Mercosul e enfrentar a investida dos produtos chineses. “Essa reunião traz à Came muita experiência de como trabalhar com as PMEs, porque o Sebrae tem uma longa caminhada nesse tema. Entre hoje e amanhã, nas visitas que faremos aqui em Curitiba, creio que poderemos levar muita coisa de experiência e conhecimento para avançarmos no nosso trabalho lá”, disse Fabián Tarrio.
Um estudo do Sebrae aponta que sete entre dez micro e pequenas empresas brasileiras que conseguem vender para fora do país desistem de permanecer exportando. “O Paraná quer pular a fronteira. A fronteira é seca, dá para pular fácil, mas nós criamos uma Cordilheira dos Andes de burocracia. Hoje mesmo brincaram aqui que, para exportar para a Argentina, vai um contêiner de mercadoria e mais um de papel de burocracia. Isso tem que ser eliminado, com um acordo entre os dois países e apoio dos empreendedores. Temos que ter um livre trânsito de mercadorias, como ocorre na União Europeia”, ressaltou Afif.