
A morte de um homem em Londrina na quinta-feira, 17, ascendeu o alerta para problemas relacionados com picadas de abelha. O homem foi encontrado inconsciente e com parada cardiorrespiratória. Ele foi encaminhado em estado grave para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um Hospital em Londrina, mas acabou morrendo.
Acidentes como este registrado no norte do Estado não são comuns. As abelhas só atacam quando sentem que sua colmeia está ameaçada, como explica o empresário e apicultor Henrique Breyer, que há anos trabalha com abelhas. Trabalho herdado do pai.
As abelhas
As abelhas são insetos e vivem em colônias. Além de produzirem, mel, pólen e seus derivados são as responsáveis pela polinização das flores. Com isso, as grandes responsáveis pelo equilíbrio ambiental. “Elas prestam esse serviço para os seres humanos e para a natureza” explica Breyer.
Outro ponto que chama bastante atenção neste inseto é a organização. Elas são incrivelmente organizadas. Em cada colmeia, que podem ter até 80 mil abelhas, vivem milhares de operárias, dezenas de zangões e uma única rainha.
As abelhas operárias, além de produzirem o mel, também realizam toda a higiene da colmeia, garantem alimento e água para toda a colônia – coletando pólen e néctar, produzem cera para a construção dos favos, alimentam a rainha, os zangões e ainda são responsáveis pela defesa de toda a família.
Quando o perigo é avistado as abelhas “guardiãs” vão lá e dão o primeiro alerta. O animal, por exemplo, é picado e recebe com o ferrão a toxina chamada apitoxina. Neste momento a dor já é bastante intensa no local.
Se ele ainda continuar próximo a colmeia, mais abelhas guardiãs vão até lá e soltam mais algumas ferroadas. Se mesmo assim a ameaça continuar por perto (elas sentem isso através dos movimentos, por mais simples que sejam e pelo cheiro do veneno) todo o enxame se une e luta pela segurança da colmeia. E os ataques com gravidade acontecem.
Em casos de ataques graves, quando milhares de abelhas soltam seus ferrões na vítima, a pessoa ou animal acaba sofrendo um ataque anafilático (uma emergência médica em que há risco de morte, por causa da rápida obstrução das vias aéreas, e que ocorre em questão de minutos).
Para Henrique, isso só acontece quando elas se sentirem ameaçadas, ou seja, quando alguém coloca em riso sua colmeia, elas se organizam e atacam mesmo.
Muitos acidentes também acontecem pela falta de preparo de muitas pessoas. “Muitos querem tirar o mel, mas não sabem realizar o processo”.
Mas também existem os casos onde as pessoas não sabem onde existe uma colmeia e acabam batendo sem querer. É comum encontrar colmeias em caixas de vento das residências, troncos ocos de árvores, muros entre outros lugares.
Uma das espécies mais comuns de abelha no Brasil é a abelha africanizada, que segundo Breyer é bastante resistente, produtiva e, em contrapartida, é mais defensiva, ou seja, ataca com mais facilidade quando se sente ameaçada.
União da Vitória e Porto União

Acidentes com óbitos não são comuns em nossa região. O apicultor destaca que por várias vezes já foi chamado para retirar colmeias afixadas em residências, escolas e hospitais. “Nossa região é muito preservada, temos bastante vegetação, por isso a presença das abelhas é comum”.
É comum encontrar na área urbana enxames de abelha. Segundo Henrique, elas procuram sempre um lugar bom para fixar suas colmeias. Por muitas vezes as casas são escolhidas. Pensando nisso ele e outros apicultores colocam caixas iscas no centro da cidade para capturar os enxames em trânsito antes que eles construam suas colmeias. “Assim, as abelhas fazem sua colmeia e depois são recolocadas em lugares apropriados que não ofereçam riscos”, finaliza.
Cuidados
– Em caso de um ataque maciço, procure jogar-se na água ou correr em zig-zag entre a vegetação;
– Jamais tentar mexer com enxames de abelhas e vespas;
– Pessoas alérgicas devem evitar locais onde existam abelhas e não usar produtos que exalem odores intensos, como perfumes e xampus, pois podem atrair estes insetos;
– Quando a pessoa for realizar atividades no campo, utilizar calçados fechados, calças e camisas com mangas compridas;
– Ao encontrar um enxame migratório, saia do local imediatamente;
– Se for detectado algum enxame localizado em um beiral, árvore ou quintal, evite provocar barulho e procure um profissional especializado para retirar a colônia.