
O turismo de União da Vitória enfrenta sérios prejuízos desde que os passeios foram interrompidos há pelo menos dois anos. Uma batalha judicial pelo direito de exploração da velha 310 dá sinais de que está longe do fim. A Associação Amigos do Trem justifica a interrupção dos passeios turísticos alegando que os tubos das caldeiras estão rompidos. De acordo com o vice-presidente da Associação Amigos do Trem, Juracemir Prestes, o conserto do problema deve custar mais ou menos R$ 40 mil.
Ainda segundo Prestes, a alternativa seria promover os passeios com o vagão motorizado, mas que também não está funcionando. “Não temos dinheiro para consertar, agora. A previsão é de que até o fim de fevereiro o vagão estará em condições de rodar”, explicou. A Associação disse que a Maria Fumaça conta com dois vagões de passageiros e um esqueleto, que está esperando para virar vagão, estacionado atrás do condomínio comercial Vale das Cachoeiras.
A Associação
De acordo com as informações, a diretoria é composta por treze pessoas: Marcelo Roveda (presidente), Juracemir Prestes (vice), Hermindo Francisco Roveda Neto (secretário), Geovane Luiz Salles Bunfante (diretor administrativo), Cláudio Roberto Hoppe (diretor financeiro), Ari Passos (diretor de relações públicas), além de três conselheiros fiscais e três suplentes.
“A Associação não é aberta, portanto não possui sócios, somente voluntários”, explicou Prestes. Quem quiser participar da associação tem de ser voluntário ou convidado pela diretoria. Outro dado importante é que nenhum ferroviário faz parte da diretoria, alguns poucos só ajudam na condição de voluntário por amor à memória ferroviária.
O que ficou claro é que a prefeitura está em uma briga jurídica com uma associação sem sócios, ou seja, quem representa de fato e de direito a “Amigos do Trem” é a diretoria constituída. Em abril acontecem eleições para a nova diretoria da Associação Amigos do Trem, para o biênio 2013/2014. Não foi esclarecido quem pode participar das eleições caso queira inscrever uma chapa.
E as verbas?
O vice-presidente fez questão de deixar claro que a Associação Amigos do Trem não gerenciou o aporte no valor de R$ 500 mil do Ministério de Turismo, destinado para recuperar a malha ferroviária dentro dos limites de Porto União. O secretário de Planejamento de Porto União, Cláudio Tilgner de Souza, confirmou que a verba é gerenciada pela Caixa Econômica Federal. “A prefeitura é a Pessoa Jurídica que viabiliza os pagamentos para as duas empresas ganhadoras da licitação. Uma executa a manutenção da malha ferroviária e outra é a fornecedora de material”, disse. Do total do aporte, as empresas são credoras de pouco mais de R$ 60 mil, referentes a última parcela dos R$ 500 mil, pelos serviços já prestados. Pelo que foi informado, resta em conta apenas R$ 60 mil. O restante, R$ 440 mil, já foi pago às duas empresas.
E o futuro da 310?
Sem os passeios, a Associação não tem renda. O vice-presidente da Associação disse que está tudo parado até a decisão da justiça sobre o comodato. “A prefeitura achou que era melhor encerrar o comodato e nós usamos o direito de questionar isso”, finalizou.
O ferroviário Altamiro Lisboa alegou que parada a máquina está condenada a virar ferrugem. “Ela foi feita para rodar, produzir vapor, isso que mantém as peças inteiras. Do jeito que está vai ficar imprestável, sentenciou o ferroviário”, saudoso dos bons tempos da RFFSA.