Sociedade Brasileira de Pediatria quer proibir andadores no Brasil

Principal justificativa está no atraso do desenvolvimento da criança

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Atualizado há 14 anos

andador-pediatras-criançasTeve início esta semana uma campanha da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) contra o uso de andadores para bebês. Os médicos consideram o equipamento desnecessário e o principal causador de acidentes entre crianças de seis a 15 meses de idade.

A entidade ainda apresentou um dado alarmante. Que há pelo menos um caso de traumatismo a cada duas ou três crianças que utilizam o suporte.

Atraso   

Além dos riscos com quedas, outra questão chama a atenção. O desenvolvimento natural da criança também pode ficar comprometido com o uso do andador.

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Fisioterapeuta Cristiane Hoberg Carpinski. (Foto: Jaqueline Castaldon).

Para a fisioterapeuta de União da Vitória Cristiane Hoberg Carpinski, muitas mães acreditam que o andador proporciona maior mobilidade, mas na verdade o equipamento pode causar danos no desenvolvimento motor da criança. “As crianças devem aprender andar naturalmente”, comenta a profissional.

Pediatras ainda alertam que bebês que utilizam o andador levam mais tempo para ficar em pé e andar sem apoio. “Os pais precisam deixar as fases de desenvolvimento passar de forma natural. A criança precisa rolar, sentar, engatinhar e depois andar”, orienta Carpinski. Ela também destaca que a criança vai ficar em pé quando seu corpo estiver preparado para isso.

Outro ponto importante, levantado pelos profissionais, é que cada criança possui uma estrutura diferente. Nos casos dos bebês com estrutura menor, a força ficará comprometida na ponta dos pés e o restante da musculatura não terá fortalecimento adequado. Já os com estruturas maiores, contrairão de maneira mais forte a musculatura do joelho. “Crianças que utilizam o andador não conseguem desenvolver com facilidade o equilíbrio e a estabilidade”, comenta a fisioterapeuta.

Com a campanha, a SBP quer proibir à fabricação de andadores no Brasil. A reivindicação é antiga, começou ainda em 2005, após um bebê de nove meses morrer ao cair com o andador de uma escadaria com dez degraus na Bahia.

“Não existe a necessidade de utilizar o andador. A criança precisa aprender a levantar e cair naturalmente, passando por todas as fases de seu desenvolvimento”, finaliza.

O próximo passo é uma reunião com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), onde a Sociedade vai pedir mais testes de segurança ou a proibição definitiva dos andadores no Brasil.

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