Multilinguíssimo em Porto União é tema de entrevista na CBN Vale do Iguaçu

doutorando Gabriel Caesar foi o porta voz do assunto. Ele é Mestre em Estudos Linguísticos pela UFPR e Master of Arts pela Universidade de Leipzig (Alemão como Língua Estrangeira)

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Atualizado há 9 anos

A entrevista da tarde desta segunda-feira, 18, na CBN Vale do Iguaçu, abordou o Multilinguíssimo em Porto União. O doutorando Gabriel Caesar foi o porta voz do assunto que é tema de sua pesquisa junto a Universidade Estadual do Paraná (União da Vitória), onde ele leciona Língua Inglesa e Metodologia e Prática de Ensino.

Segundo o Professor Gabriel, há diversos estudos na área da didática de línguas, da psicolinguística e da medicina que demonstram o quão positivo e saudável é a aprendizagem de línguas e sua prática. Neurologistas, por exemplo, recomendam a aprendizagem de línguas como auxílio na prevenção do Mal de Alzheimer.

Além do fator saúde, aprender línguas estrangeiras é uma atividade de caráter integrativo e possibilita aumento de reflexão sobre a própria língua materna, ou seja, da língua portuguesa.

100 anos de multilinguismo em Porto União

A pesquisa do professor Gabriel está intitulada: 100 anos de Multilinguismo em Porto União. O educador explica que formada por muitos povos de origens distintas e oriundos de regiões diversas, Porto União tem em sua própria fundação uma vocação ao multilinguismo e à riqueza cultural. Esse fenômeno acontece também em União da Vitória.

Esse processo natural foi vitimado por uma política pública de perseguição ao imigrante e sua língua durante a Era Vargas e o Estado Novo, período em que a prática de línguas estrangeiras foi estigmatizada, perseguida e criminalizada.

Esse equívoco acabou por atribuir à sociedade brasileira uma condição monolíngue e de resistência às línguas estrangeiras.

Segundo Gabriel, incentivar o ensino/aprendizagem de línguas de imigração é uma forma de enriquecer mais ainda nosso município, além de ser também uma tentativa de fazer as pazes com o passado e justiça aos nossos antepassados que foram vítimas diretas da chamada nacionalização. “Língua e cultura são elementos indissociáveis, que se completam.

Nos últimos, verificamos um aumento na promoção cultural com elementos de imigração por meio das danças e de festas temáticas com apoio do poder público. Porém, não vemos um incentivo para conservar e revitalizar a prática das línguas dos antepassados”, acrescenta.

De acordo com a pesquisa, a intenção é a de apresentar a proposta ao poder Público Municipal se ocupe do tema e discuta de forma profícua a oferta de línguas de imigração na educação municipal e à comunidade geral. Iniciativa semelhante é observada em municípios catarinenses como Treze Tílias, Joinville e Schroeder. Com o aumento de instituições de ensino superior na região, a busca por intercâmbios acadêmicos vem aumentando.

O Centro Universitário da Cidade de União da Vitória (Uniuv) já conta com cooperação na Polônia. “O multilinguismo é chave para uma troca de conhecimentos e experiência, que possamos aproveitar e valorizar esse bem tão precioso que pode nos ajudar a tornar os próximos 100 anos de Porto União mais enriquecidos e em sintonia com um futuro internacional e globalizado”, afirma o professor Gabriel.

Currículo

Docente no Curso de Letras Português/Inglês na Universidade Estadual do Paraná (União da Vitória), leciona Língua Inglesa e Metodologia e Prática de Ensino. Professor Formador no Curso de Letras em Segunda Licenciatura em Língua Alemã da Universidade Federal do Paraná. Doutorando no Programa de Linguística e Multilinguismo da Universidade Técnica de Darmstadt com orientação da Profa. Dra. Britta Hufeisen. É Mestre em Estudos Linguísticos pela UFPR e Master of Arts pela Universidade de Leipzig (Alemão como Língua Estrangeira).

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