Correios de União da Vitória em greve

Movimento se concentra no Centro de Distribuição Domiciliar dos Correios

·
Atualizado há 9 anos

Grevistas esperam mais adesões em toda a região de União da Vitória
Grevistas esperam mais adesões em toda a região de União da Vitória

A greve dos correios chegou a União da Vitória. Ontem, 20, os trabalhadores do município cruzaram os braços. O movimento está centralizado no Centro de Distribuição Domiciliar – CDC.  No começo da tarde eram mais de 20 trabalhadores que se concentravam em frente ao prédio. A greve dos Correios começou às 22h de terça-feira,19, e atinge 20 estados e o Distrito Federal, segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

Segundo a Fentect, a paralisação é parcial, com redução de funcionários nas agências. Já os Correios informaram que a paralisação não afeta os serviços de atendimento e está concentrada na área de distribuição. As agências franqueadas não estão participando da greve. Atualmente, são mais de 6.500 agências próprias dos Correios pelo país, além de 1 mil franqueadas. A paralisação deverá afetar as entregas e prejudicar os consumidores que dependem dos serviços da estatal postal.

De acordo com João Carlos Nascimento, representante do sindicato dos trabalhadores dos Correios de Curitiba, que auxilia na paralisação em União da Vitória, o CDD está paralisado e há adesão de trabalhadores da agência central na esquina das ruas D.Pedro II com a Professor Cleto. Nascimento disse que as pessoas não são impedidas de buscar suas encomendas no CDC, mas carros e caminhões não podem encostar e carregar encomendas para agências franqueadas.

Reivindicações

Entre os motivos da greve estão o fechamento de agências por todo o país, pressão para adesão ao plano de demissão voluntária, ameaça de demissão motivada com alegação da crise, ameaça de privatização, corte de investimentos em todo o país, falta de concurso público, redução no número de funcionários, além de mudanças no plano de saúde e suspensão das férias para todos os trabalhadores, exceto para aqueles que já estão com férias vencidas.

Nascimento disse que foi feito o encaminhamento de um boletim denunciando assédio moral por parte do gestor e do supervisor, porém não foi claro, a qual unidade estava se referindo. Os trabalhadores disseram que a greve vai continuar, pelo menos até as negociações avançarem.

Crise nos correios

Os Correios enfrentam uma dura crise econômica e estão sendo tomadas algumas medidas para reduzir gastos e melhorar a lucratividade da estatal. Nos últimos dois anos, os Correios apresentaram prejuízos que somam, aproximadamente, R$ 4 bilhões. Do total, 65% correspondem a despesas de pessoal. Em 2016, os Correios anunciaram um Programa de Demissão Incentivada (PDI) e pretendia atingir a meta de 8 mil servidores, mas apenas 5,5 mil aderiram ao programa.

Os Correios anunciaram em março o fechamento de 250 agências, apenas em municípios com mais de 50 mil habitantes, além de uma série de medidas de redução de custos e de reestruturação da folha de pagamentos. Em abril, o presidente dos Correios, Guilherme Campos, afirmou que a demissão de servidores concursados vinha sendo estudada. De acordo com Campos, os Correios não têm condições de continuar arcando com sua atual folha de pagamento e contratou um estudo para calcular quantos servidores teriam que ser demitidos para que o gasto com a folha fosse ajustado.

Em março, o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou que, se a empresa não promovesse o equilíbrio rapidamente, caminharia para um processo de privatização. A estatal alega ainda que o custeio do plano de saúde dos funcionários é responsável pela maior parte do déficit da empresa registrado nos últimos anos. Hoje a estatal arca com 93% dos custos dos planos de saúde e os funcionários, com 7%.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!