Ela é querida por todos. Possuidora de um sorriso largo amparado por sua descrição, enquanto mulher e profissional, a haitiana Islande Adain é mais uma prova de fé e perseverança.
Ela deixou o Haiti, em 2011, país que ainda sofre os efeitos da devastação do terremoto de 2010, em busca de vida nova. Ela entrou pelo Brasil por Manaus (AM) e foi em Curitiba, capital do Paraná, que ela se encontrou, enquanto profissional.
Islande teve a sua oportunidade no Four Points by Sheraton, Hotel referência em estrutura de eventos. Com capricho que é só dela, contribui como camareira e dialoga com estrangeiros, sempre que possível.
Simpática, se esforça para falar português, haja visto que fala com fluência o inglês e o francês. Ela afirma com as palavras e confirma com o olhar o contentamento em morar em Curitiba. “Fui muito bem acolhida aqui. Me deram uma oportunidade de emprego que foi muito importante para a minha vida”.
Família e fé
Islande está no Paraná com uma filha e um filho. Sempre, que possível, mantém contato com os demais familiares no Haiti. “Sobre morar lá? Talvez! Quem sabe um dia. Pretendo mostrar o meu melhor aqui no Paraná”.
Ela conta ainda que os haitianos buscam na fé e na família a força para lutar por uma nova vida no Brasil. O principal objetivo é juntar dinheiro para comprar uma casa.
Estrangeiros no Paraná
O número de trabalhadores estrangeiros com carteira assinada cresceu 354% em cinco anos no Paraná. Em 2010, o Estado tinha um contingente de 3.660 trabalhadores de outros países atuando no mercado de trabalho formal. Em 2015, esse número estava em 16.622, impulsionado pela vinda, principalmente, de haitianos e paraguaios. Entre 2005 e 2015, o número de estrangeiros aumentou oito vezes. Em números absolutos, o Paraná era, no ano passado, o terceiro Estado com maior número de estrangeiros no mercado de trabalho, atrás de São Paulo (47.023) e Santa Catarina (16.808). Os dados são de um levantamento realizado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes) com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho.
Encontro com Islande
A conversa com a haitiana aconteceu por acaso. Foi durante o 24º Congresso de Radiodifusão do PR, realizado nos dias 27, 28 e 29, em Curitiba, justamente no Hotel em que Islande trabalha. No vai e vem do evento, ficamos sabendo da presença de haitianos empregados no Hotel. Então, quem é ela? Ela se chama Islande, disse Hellen, gerente de operações do Hotel.
Sem titubear, Hellen, jovem com traço oriental e simpatia inegável apresentou Islande. A conversa fluiu como um encontro de amigos que há muito tempo não se viam. Uma negra com orgulho do País em que nasceu e com orgulho de dizer que hoje é moradora do Paraná.




