
Se depender da vontade das entidades, a campanha que começou no dia 1º e vai até o final do mês, pode ser a última. Em todo o Paraná, pecuaristas, sindicatos e cooperativas querem o status de um Estado livre de Febre Aftosa sem vacinação. No final de outubro, um manifesto, com a assinatura de mais de 200 entidades, foi entregue ao governador Beto Richa. Na ocasião, o documento chegou em mãos através do presidente do Sistema Faep/Senar, Ágide Meneguette e do presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken. A mobilização quer que o Paraná alcance o status de área livre de Aftosa sem vacinação (leia a integra do manifesto no quadro).
Em União da Vitória e nos outros nove municípios assistidos pelo escritório da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), a iniciativa é apoiada. Conforme o supervisor regional do escritório, Osny Kaseker, conquistar o status sem vacinação é o que buscam todos os produtores, em parceria com as entidades de apoio. Na região, uma série de medidas vem sendo tomadas para tornar o processo viável. “Entre elas, que todas as propriedades que produzem bovinos sejam georreferenciadas. Outras medidas, é que na campanha agora, deste mês, que 100% dos animais sejam vacinados. Ainda, é a contratação de mais 35 médicos veterinários para que todas as 140 unidades possuam um profissional para atuar no sistema de defesa”, lista Kaseker.
Para o superior local da Adapar, a vacinação tem dificuldade o trânsito da carne produzida no Paraná, bem como dos demais 23 Estados – e o Distrito Federal – já que muitos países bloqueiam a entrada da carne, restringindo o comércio. A meta é de que até no máximo 2019, o Paraná empate com seu vizinho, Santa Catarina, e seja o segundo Estado livre da doença sem vacinação. “Seria um benefício muito grande”, comemora.
Em janeiro de 2018, o Ministério da Agricultura deve fazer uma auditoria para se certificar se o Estado está apto para a conquista. Até lá, a orientação é uma só. “Que todos os criadores vacinem seu rebanho”, resume Kaseker. Na região de União da Vitória, cerca de 95 mil animais devem ser vacinados.
A campanha de vacinação acontece em duas etapas. Na de maio, é obrigatória a vacinação dos bovinos e búfalos com idade até 24 meses. E na etapa de novembro, todos os bovinos e búfalos existentes na propriedade devem ser vacinados, inclusive os bezerros com poucos dias de vida.
Manifesto: Por um Paraná livre de aftosa sem vacinação
As entidades que efetivamente representam o agronegócio do Estado do Paraná, especialmente do setor agropecuário, solicitam ao governo ações imediatas no sentido de conquistar o mais rápido possível o status de área livre de febre aftosa sem vacinação para o Paraná.
A discriminação e o isolamento do Paraná no mercado internacional de proteína animal começam a inviabilizar a suinocultura, a produção de leite, a avicultura e a qualidade da carne bovina.
Não podemos admitir a defesa de um status que exige vacinação obrigatória a todos apenas para resguardar um pequeno trânsito de bovinos oriundos de outros Estados, ingresso esse que representa menos de 1 % do rebanho efetivo do Paraná, conforme dados divulgados pela Adapar em 2017.
Vale destacar que já sofremos as consequências por sermos barrados em 65% do mercado internacional de carne suína, além de pressionados no setor de lácteos e na avicultura para elevarmos o status sanitário do Estado. Enquanto o mundo expande suas importações, nós paranaenses somos marginalizados no mercado.
Soma-se a esse quadro de atraso os custos e os inconvenientes causados com as campanhas de vacinação, que afetam o bolso do produtor e a qualidade da carne.
As produções de suínos, aves e leite são significantemente superiores, na geração de receitas, divisas, geração de empregos e recolhimento de impostos, quando comparadas ao pequeno comércio de bovinos vivos com os outros Estados.
É importante destacar que os setores interessados na evolução do status sanitário do Paraná têm contribuído ativamente através do recolhimento das taxas da Adapar, bem como com ações em prol da sanidade do Estado. Neste contexto, ressaltamos o empenho das entidades aqui signatárias para a constituição de um Fundo de Apoio à Sanidade para que as medidas necessárias sejam implementadas, com o objetivo de reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação para o Paraná. O Fundo está em processo de constituição junto ao Fundepec-PR para que as ações sejam efetivadas ainda em 2017.
Desta forma, senhor governador, manifestamos o total apoio para que o Paraná conquiste o status de área livre de febre aftosa sem vacinação com a maior brevidade possível. O objetivo é antecipar o cronograma sugerido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na versão inicial do Programa Nacional para Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) e, assim, buscar maior agilidade para evoluir nas questões sanitárias, para que se obtenha o reconhecimento pela OIE em 2020 e não em 2023.
Para isso, contamos com vosso apoio para que o Estado execute o PNEFA em acordo com o pleito proposto pelo estado e enviado ao Ministério da Agricultura. Ressaltamos, ainda, que a resposta do Mapa atende ao objetivo do pleito: “Considerando-se outras propostas dirigidas ao Bloco IV, ao invés de separar o Estado do Paraná e criar novo bloco, entendeu-se ser melhor reorganizar os blocos IV e V, remanejando-se os Estados do MT, MS e PR para compor o Bloco V com o RS e SC, por apresentarem fronteiras internacionais semelhantes e interesses comuns nesse e outros aspectos. É importante compreender que o Bloco V poderá gerir mais de uma zona no transcorrer do processo, principalmente se considerar a possibilidade dos estados do RS e PR demonstrarem condições reais de se antecipar na transição”.
GTA on-line
Começou a valar no dia 1, a emissão on-line da Guia de Trânsito Animal (GTA) para transporte de bovinos e búfalos para estabelecimentos de abate e para movimentações entre propriedades. O modelo é uma novidade. O produtor interessado faz seu requerimento diretamente no sistema e se estiver em dia com suas obrigações junto à Adapar, receberá login e senha para consultar o seu cadastro, visualizar os registros das vacinações obrigatórias e obter a GTA sem a necessidade de se deslocar até uma unidade física do escritório.
O que é Aftosa?
É uma doença infecciosa aguda, causada por vírus. Causa febre, seguida do aparecimento de vesículas (aftas) principalmente na boca e nos cascos, dificultando a movimentação e alimentação dos animais, o que acarreta elevada e rápida perda de peso e queda na produção de leite, tendo como consequência grandes prejuízos na exploração pecuária.
Os animais contraem o vírus por contato direto com outros animais infectados ou por alimentos e objetos contaminados. A doença é transmitida pela movimentação de animais, pessoas, veículos e outros objetos contaminados pelo vírus. Pessoas que lidaram com animais doentes também podem transmitir o vírus por meio de suas mãos, roupas e calçados.