A polícia Militar de União da Vitória finalizou seus relatórios relacionados às ocorrências policiais nas festas de fim de ano.

De acordo com o Major Renato dos Santos Taborda, comandante do 27º Batalhão de polícia Militar de União da Vitória, as notícias são boas: As estatísticas indicam redução no número de ocorrências policiais durante o natal e o ano novo.
Essa redução foi acentuada, algo em torno de 32% a menos nos números tabulados.
No comparativo com as festas de fim de ano de 2016, as ocorrências encolheram consideravelmente.
No entanto, os apontamentos indicam aumento no número de flagrantes e prisões de traficantes e usuários de drogas na região de abrangência do 27º Batalhão de Polícia Militar.
Taborda concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal VVale. Confira os principais tópicos:
VVale – Como foi o trabalho da PM durante as festas de fim de ano?
TABORDA – Foi bem mais tranquilo em toda a região de abrangência do batalhão, não só em União da Vitória. Tivemos um aumento do número de menores apreendidos, não registramos nenhum homicídio, e as ocorrências mais comuns incorreram em violência doméstica ou vias de fato (brigas). Os policiais trabalharam dobrado no período, para dar segurança à população.
VVale – As ocorrências de vias de fato e violência doméstica aumentam durante as festas?
TABORDA – O que se observa é que até os indultos de alguns presos trazem transtorno, e ajudam a elevar o número de ocorrências. Na questão da violência doméstica, a Lei Maria da Penha veio para proteger a mulher, mas infelizmente é uma questão cultural, em que os homens acham que a mulher tem de ser submissa, obediente, enfim que ela não tem os direitos iguais.
VVale – Mas aí tem a associação com o excesso de álcool também…
TABORDA – Espero que ninguém me interprete mal, é claro que nada justifica a violência, mas muitas vezes a mulher dá causa para que o homem cometa atos de violência. O que eu sempre sugiro: se o marido (convivente) tem problemas de alcoolismo, chega em casa bêbado, e a esposa notar que vai dar problema, nem converse e não procure questionar de problemas do dia-a-dia. Não justifica o homem, ainda que alcoolizado bater na mulher, mas infelizmente, o álcool é um dos fatores que acaba incidindo nessas brigas de final de ano.
VVale – Nas festas de fim de ano, é pior…
TABORDA – mas esse aumento tem a ver também com as reuniões de família, tomam bebidas de álcool e começam a lavar “ a roupa suja” e normalmente isso termina em violência.
VVale – Porque tantas mulheres, depois de agredidas, não representam criminalmente contra seus agressores?
TABORDA – Nós até tivemos uma evolução sobre o assunto. Mas é preciso deixar claro que, nesses casos, o papel da PM é de mediadora de conflitos. Muitas ocorrências onde os policiais são chamados no calor do fato, elas são administradas no local, se não há nada mais grave, tipo violência física, pode ser resolvido na conversa.
VVale – Mas e a questão do fato em si?
TABORDA – No começo da lei Maria da Penha as ocorrências eram consultivas, ou seja, dependiam da vítima querer representar criminalmente. Hoje é incondicional. Se a viatura chega para atender uma situação de violência doméstica, independe da vontade da mulher em querer representara. Se houve o fato, automaticamente o agressor vai responder baseado na Lei Maria da Penha.