Espaço Cultural por Therezinha Wolff: Só uma tal espiadinha

·
Atualizado há 14 anos

Só uma tal espiadinha

Uma temporada de férias sem programas por fazer. Difíceis e angustiosos dias. Poucos de sol intenso, muitos de céu nublado, pancadas fortes de chuva, raios assustadores e, em pleno verão, roupas leves guardadas para dar lugar aquelas para o frio.

Dias apreciados por quem gosta de dormir, entrar numa rodada de carteado, ler o que encontra pela frente e se souber dar uma de gourmet, fazer bolinhos de chuva.
Quando nada disso interessa parte-se para frente de um televisor.

Infelizmente, programações pobres em conteúdos. Nada para acrescentar um pouco mais de educação e cultura. Pródiga em assuntos que mostram violência, catástrofes, pornografia e corrupção nas diferentes situações.

Que decepção!

Horários nobres que poderiam trazer documentários sobre assuntos interessantes ensinassem valores, programas musicais e literários são raros. Em resposta a tudo isso vejo de volta um Big Brother.

Nada contra o grande jornalista Pedro Bial pois está trabalhando para receber o dinheiro ao qual tem direito.

Mas daí a chamar os participantes de heróis, de guerreiros é uma afronta ao telespectador. Principalmente quando sua vida é traçada em valores morais.
Imagine leitor, a tela mostrar uma dona choramingando, pedindo aos telespectadores para que não a mandassem ao paredão. Que, por favor, telefonassem pela sua permanência na casa.

As personagens que lá estão comem e dormem bem, divertem-se, exercitam-se e por fim produzem-se para melhorar as formas corporais, recebem premiações e partem dali para a fama. São modelos, posam para revistas, desfilam e de uma forma ou outra entram na mídia para ganhar mais dinheiro.

Isso é ser herói?

Guerreiro é quem tem a coragem de cidadãos como Joaquim Barbosa, capaz de enfrentar e até mudar um sistema. Heróis são as pessoas que sem nada pedirem para si trabalham para o próximo em projetos e instituições.

Aqueles que retiram crianças da rua dando-lhes o alento moral e econômico, reencaminhando-as para uma vida sadia e íntegra. Os que não têm preconceito em relação aos que precisam que lhes dê a mão para reerguerem-se, zelando pela sua aceitação e participação na sociedade.

Aquele que abre mão de pequenos quinhões para ajudar a fortalecer as causas beneficentes.

Voltando ao Big Brother, o que dizer de pagar um telefonema para votar?
Considero não ter nada de errado em assistir o Big Brother para divertir-se e dar audiência. Mas daí a pagar para que alguém vá ou não ao paredão sabendo que não passa de uma brincadeira televisiva?

Realmente esse é um gesto de burrice.

Se ao apanhar o telefone para votar olharmos a nossa volta, descobriremos que aquela “espiadinha” divulgada nas tomadas do programa nos mostrará muito para onde deve e para onde não deve ir a taxa do telefonema.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!