
“Sim, colmeias dão mais mel com abelhas rainhas criadas em laboratório”. A afirmação é do apicultor, Henrique Breyer, entusiasta e empresário que tem paixão pelo assunto. Visionário, Breyer fala da criação de abelhas em laboratório, assunto que, recentemente, repercutiu muito especialmente na cidade baiana de Guaratinga. Trata-se de uma espécie de produção artificial da abelha rainha. O resultado é uma abelha mais forte, que se reproduz mais, aumentando o número de abelhas operárias. Logo, o resultado é imediato: mais mel dentro da colmeia. “O manejo, a criação e as técnicas são difundidas e conhecidas no mundo todo. Entre elas, uma bem importante é você criar as rainhas dentro de métodos conhecidos, adaptados a cada situação local. Certamente vão trazer um resultado muito importante na apicultura”, defende.
No Brasil, algumas regiões já trabalham com a criação em laboratório. Algumas delas, inclusive, até distribuem as abelhas para pequenos apicultores. O método é antigo, remonta ao século 19, e não é complicado, embora exija atenção de quem vai manusear os bichinhos. A técnica demanda cerca de quatro semanas e meia, numa sequência de várias idas e vindas entre o laboratório e o apiário. Uma rainha nova chega a por até três mil ovos por dia. Rapidamente, o enxame fica numeroso chegando a 60, 70 mil indivíduos. A produtividade, é claro, também se multiplica. “Para nossa região, a técnica é perfeitamente viável. Na década de 80, 90, eu e meu irmão, por exemplo, tivemos oportunidade de fazer treinamentos especiais nesta área, em entidades especializadas. Temos técnicas que podem ser adaptadas, mas é possível”, afirma Breyer.
Abelhas
As abelhas são trabalhadoras incansáveis. Colmeias da espécie Apis mellifera, por exemplo (veja mais no quadro), cuja origem é europeia, conseguem produzir entre 12 e cem quilos de mel por ano. Eficiente, a abelha desta espécie é agressiva e dona de potentes ferroadas. Aliás, estudos apontam que até isso é bom: o veneno extraído do ferrão é capaz de auxiliar no tratamento de reumatismo. Já as Manduris, de origem indígena, são mais pacatas. Sem ferrão, costumam não se manifestar a partir do contato humano. Por serem bem menores que as mellifera, tem produtividade menor.

Além de trabalharem bem e terem respeito pela rainha, dona de muitos benefícios na colmeia, as abelhas, de modo geral, são exemplos na engenharia. Seus favos têm traços perfeitos e uma produção alinhada, que evita, inclusive, o escorrimento – e desperdício – do mel.
Nem só de mel vive a produção: as abelhas produzem ainda geleia e própolis, cuja produção é de até 100 gramas por “melgueira”, a cada dez dias.
Com ferrão, sem ferrão
Há uma diferença biológica e até histórica entre as abelhas com ferrão e as sem ferrão. Quem cria as que não ferroam, por exemplo, praticam a meliponicultura. Já a apicultura é para produtores que cultivam as que tem ferrão, já que o termo “Api” se refere à espécie Apis mellife. “Estas abelhas foram introduzidas no Brasil pelos jesuítas. Elas não existiam aqui”, ensina, Henrique Breyer. De tão diferentes, as abelhas sem ferrão podem até ser tratadas como animais de estimação, na concepção do apicultor. Já as Apis, especialmente as cruzadas com espécies africanas, são defensivas e, portanto, requer muito mais cuidado.