Dá para fazer muita coisa com milho: canjica, cuscuz, mungunzá, pamonha, pipoca, bolo de fubá. Estes pratos são especialmente comuns nas festas juninas em todo o País. Seu ingrediente indispensável é o milho, que é um dos principais produtos agrícolas brasileiros. As últimas estimativas das safras do grão para este ano, divulgadas em maio pelo IBGE, totalizaram 84,5 milhões em 2018.
De acordo com a pesquisa, “no ano passado, o milho teve uma safra 15,1% maior, e, com isso, o preço do produto caiu. Neste ano, o produtor reduziu a área de plantação.
Além de gostoso e versátil, o milho ainda faz bem à saúde. “Ele é um cereal de alto valor nutricional, fonte de vitaminas e minerais e por isso seu consumo é bastante utilizado em toda suas diversas formas de preparo”, confirma a nutricionista, Luana Klein Burtet.
O amendoim, outro produto frequente nas festas deste período do ano na forma de pé-de-moleque, paçoca doce, caruru e algumas batidas, vem registrando avanços significativos, com a primeira safra com alta de 1,8% em relação a 2017, enquanto a segunda, 7%.
Regionalmente, segundo a Pesquisa Agrícola Municipal, o Mato Grosso foi o maior produtor de milho, 15,3 milhões toneladas, em 2016. Já o estado que mais produziu amendoim foi São Paulo, com 530 mil toneladas.
Pipoca
Não tem jeito: a pipoca é a receita mais simples, mais popular e mais rápida para o consumo do milho. E é barata também. Uma pesquisa no Vale do Iguaçu mostra que um saquinho de 500 gramas de pipoca custa menos de R$ 3. Na panela, basta colocar apenas um pouquinho para que renda um monte, suficiente para alimentar um time todo na sala de casa, atentos aos jogos da Copa. “O milho da pipoca é o mais rico em fibras, sendo assim é ótimo para o bom funcionamento do intestino. Além disso, ele é o que mais contém minerais como fósforo, magnésio e zinco”, lembra Luana.
Influência dos consumidores modifica a produção
Apesar de o Brasil ainda ser um País de baixa escolaridade (51% concluiu apenas o ensino fundamental e há elevado índice de analfabetismo funcional), o ativismo dos consumidores deve crescer nas próximas décadas em razão de seu maior acesso a informações por meio das mídias sociais: 61% dos produtores já usam smartphones e o Whatsapp já é o principal meio de comunicação na zona rural, utilizado por 96% dos produtores com acesso à internet. A avaliação faz parte do estudo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Visão 2030 o Futuro da Agricultura Brasileira, que trata também dos riscos, desafios e temas como a sustentabilidade.
Pesquisadores destacam, que o avanço das tecnologias da informação e de comunicação, a proliferação das mídias sociais e de plataformas digitais, está modificando as relações entre produtores de alimentos e consumidores. E essa transformação nas relações entre produtores e consumidores não só influi na qualidade e intensidade da produção e dá origem a novos negócios e oportunidades, como também cria desafios para empresas e governos. O poder dos consumidores de influenciar as decisões da cadeia produtiva agroalimentar deriva de mudanças nos seus hábitos de consumo, que são resultantes de complexos movimentos econômicos, sociais, culturais e políticos.
Um dado revelado pelo trabalho dos pesquisadores relata levantamento feito em 48 países em desenvolvimento, que indica que 25% dos danos provocados por desastres naturais entre 2003 e 2013 recaíram sobre a agropecuária, causando prejuízos de US$ 70 bilhões. Estima-se que 44% dessas perdas foram causadas por secas e 39% por enchentes.
No Brasil, análises evidenciam perda anual próxima de R$ 11 bilhões (1% do PIB agrícola) devido a eventos extremos.
Atualmente, 75% dos alimentos do mundo são gerados a partir de 12 espécies de plantas e cinco espécies de animais. Isto torna o sistema alimentar global altamente suscetível aos riscos inerentes à atividade agrícola, como pragas e doenças em animais e plantas, problema agravado pelos efeitos da mudança do clima.