SETEMBRO AMARELO: Índices de suicídios e de tentativas mobilizam campanha

No Vale do Iguaçu, mês terá uma programação intensa, com foco na prevenção

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Atualizado há 8 anos

No ano passado, o Ministério da Saúde divulgou pela primeira vez um boletim com taxas de suicídio em todo o País. O levantamento mostrou o percentual de faixas etárias que tem êxito na tentativa, além do número de quem tenta acabar com a própria vida. Os dados, até então inéditos, traziam alerta para a população idosa. Nessa faixa etária, foram registrados uma média de 8,9 mortes por cem mil nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 por 100 mil. Também chamou a atenção, o alto índice entre jovens, principalmente homens, e indígenas.

O Vale do Iguaçu também registra situações de suicídio. Em 2017, o ano começou com várias mortes do gênero, uma muito próxima da outra. O assunto já foi pauta do jornal O Comércio que mostrou, por meio das entrevistas com especialistas, que o suicídio nada mais é que um grito de socorro.

A boa notícia é de que esse grito tem sido ouvido por entidades de apoio. É o caso, por exemplo, do grupo União Pró-Vida. A entidade, formada por voluntários, tem ideias pautados no formato do popular Centro de Valorização à Vida (CVV). A sede fica em Porto União e o atendimento, acontece pela rede social e pelo telefone. É o grupo também que neste ano, assina uma programação especial dentro da campanha Setembro Amarelo (veja programação).

“Destaco entre várias palestras, rodas de conversa, panfletagens, desfile cívico, blitz solidária, passeio ciclístico. A agenda ainda está sofrendo alterações”, diz um dos voluntários, que prefere não se identificar. Com cerca de um ano de funcionamento no Vale do Iguaçu, a entidade vem recebendo apoio. “O Poder Público das duas cidades, União e Porto União, têm demonstrado vontade. Entretanto, sabemos que o índice regional de ideação suicida, do começo do ano até agora, extrapola do milhar, em especial entre crianças, adolescentes, jovens e idosos”, pontua.

A cada 40 segundos, uma morte

O dado é a principal conclusão de uma pesquisa recente feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema. O documento é inédito em mais de 50 anos de pesquisa e levanta o fenômeno em todo o mundo. Conforme o estudo, o suicídio já é uma epidemia de proporções globais, já que mata mais de 800 mil pessoas por ano. Lidera de maneira absoluta o ranking a Índia, com 258 mil casos por ano. Em segundo lugar está a China, com 120 mil e em terceiro, os estados Unidos, com 43 mil suicídios por ano. Rússia, Japão, Coreia, Paquistão e o Brasil, aparecem já em seguida.

Programação Setembro AmareloO assunto é sério e preocupa a OMS. Ela quer reduzir a taxa em pelo menos 10% até 2020. O alerta envolve as políticas de prevenção, especialmente, já que para cada suicídio cometido, muitos outros são tentados a cada ano.

Estudos têm no álcool o pivô para um grande número de casos de suicídio. Ele aparece na cena ora com incentivador do ato – um gole ou um pouco mais para dar coragem – ou na história toda, como personagem principal de estímulo de uma vida desregrada e, no final dela, frágil.

De maneira indireta ou direta, o álcool sempre aparece no cenário. “O suicídio está sempre envolvido com os quadros de depressão, o que leva ao suicídio se a pessoa não tiver ajuda”, afirmou para outra matéria sobre o tema feita em O Comércio, a responsável pela Associação de Apoio para Dependentes de Álcool e outras drogas (Adad), Salete Venâncio. “Deus trabalha, mas o Diabo também. A luta é muito desigual”, diz, na comparação. Conforme os dados de seu trabalho, o álcool segue como porta de entrada para outras drogas e, em consequência, para os casos de suicídio.

Outros dados

O diagnóstico do Ministério da Saúde registrou entre 2011 e 2016, 62.804 mortes por suicídio, a maioria (62%) por enforcamento. Os homens concretizaram o ato mais do que as mulheres, correspondendo a 79% do total de óbitos registrados. Os solteiros, viúvos e divorciados, foram os que mais morreram por suicídio (60,4%). Na comparação entre raça e cor, a maior incidência é na população indígena. A taxa de mortalidade entre os índios é quase três vezes maior (15,2) do que o registrado entre os brancos (5,9) e negros (4,7).

Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é maior entre os homens, cuja taxa é de nove mortes por 100 mil habitantes. Entre as mulheres, o índice é quase quatro vezes menor (2,4 por 100 mil). Na população indígena, a faixa etária de 10 a 19 anos concentra 44,8% dos óbitos.

O documento apresenta ainda que, entre os anos de 2011 e 2016, ocorreram 48.204 tentativas de suicídio. Ao contrário da mortalidade, foram as mulheres que atentaram mais contra própria vida, 69% do total registrado. Entre elas, 1/3 fez isso mais de uma vez. Por raça e cor, a população branca (53,2%) registrou maior taxa. Do total de tentativas no sexo masculino, 31,1% tinham entre 20 e 29 anos. Além disso, 58% dos homens e mulheres que tentaram suicídio utilizaram substâncias que provocaram envenenamento ou intoxicação.

Assistência como proteção

Os serviços de assistência psicossocial têm papel fundamental na prevenção do suicídio. O boletim do Ministério da Saúde apontou que nos locais onde existem Centros de Apoio Psicossocial (Caps), uma iniciativa do SUS, o risco de suicídio reduz em até 14%. Existem no país, 2.463 unidades – inclusive em União da Vitória e em Porto União – e no último ano foram habilitadas outras 146.

Metas até 2020

No Setembro Amarelo de 2017, diante dos números apontados no boletim, o Ministério da Saúde lançou uma agenda estratégica para atingir meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de redução de 10% dos óbitos por suicídio até 2020. Entre as ações, destacam-se a capacitação de profissionais, orientação para a população e jornalistas, a expansão da rede de assistência em saúde mental nas áreas de maior risco e o monitoramento anual dos casos no país e a criação de um Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. Desde 2011, a notificação de tentativas e óbitos é obrigatória no país em até 24 horas.

Como funciona o trabalho do União Pró-Vida

Em algum momento, alguém vai dizer “alô”. E quem liga, nem precisa falar nada, apenas ouvir ou ser ouvido. Quem é voluntario, é voluntário: não recebe nada pelo serviço. São pessoas que, pensando na saúde mental de um desconhecido, doam um gesto simples, esquecido na correria: ouvir. Os telefones são: 3523 7212 e 99138 1467.

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