Josefa, a benzedeira

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Atualizado há 14 anos

“Outro dia me procurou um padre aqui da cidade. O coitado ficou com a boca torta em virtude do reflexo de uma faca. O médico queria fazer uma operação. O padre não aceitou. O mesmo me procurou com apelo de ajuda. Pratiquei o benzimento com cera de abelha. Isso aconteceu na semana passada. Já no início desta semana a boa notícia: o padre ficou curado com a graça de Deus e Nossa Senhora Aparecida”.

A narrativa acima é da benzedeira Josefa. A simpática senhora de sobrenome ucraniano – Pudeursqui, ficou conhecida em União da Vitória e região. Quarenta de seus oitenta anos são dedicados a cura das mais variadas doenças.

A dona Josefa é uma das benzedeiras da Avenida Paula Freitas, no Distrito de São Cristovão, em União da Vitória. Em sua casa ela tem um pequeno altar onde faz as orações com um rosário. Josefa afirmou que com a ajuda do toque de suas mãos, de Deus e Nossa Senhora Aparecida já curou centenas de crianças e adultos. O trabalho foi iniciado com a cura dos netos. Depois veio a vizinhança.

O atendimento acontece nas segundas e sextas-feiras, no período da tarde. Em torno de quarenta pessoas a procuram com apelo de ajuda.

Agentes de saúde pública

Josefa foi a escolhida para falar sobre o reconhecimento das cidades paranaenses de São João do Triunfo e Rebouças que reconhecem as benzedeiras, rezadeiras, curandeiras e costureiras de rendiduras (dores musculares) como agentes de saúde pública. Na prática, as cidades legalizaram o acesso e manipulação de ervas medicinais por essas “profissionais”, de modo a facilitar o atendimento delas à população. A ONG Masa (Movimento Aprendizes da Sabedoria) cadastrou em Triunfo 161 benzedeiras e em Rebouças, 133.

Entende-se que a Lei vem para combater o preconceito contra as benzedeiras e fortalecer o elo dos que acreditam na reza.

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