É por vezes deveras complicado escrever para um jornal.
De um lado gera divergências que favorecem a evolução do pensamento.
Este é o lado bom.
De outro, com leitores de crenças e idéias as mais diversas torna-se impossível desejar uma unanimidade.
Hoje, mais que em outras vezes, a eleição do Papa, vindo da América do Sul e com idéias de igualdade, sem preferências e diferenças, sejam elas quais forem, o fato é constatado.
Tantos outros arraigados ao elitismo, ao racismo e mais alguns ismos lá do tempo de nossos ancestrais já estão confabulando coisas negativas quanto a escolha da maior autoridade eclesiástica do mundo.
Voltando as dificuldades em agradar o leitor unanimente, temos muito a considerar.
Falar de cinema nacional, por exemplo, só se for no padrão global. A escolha é por filmes que vem do exterior e muito mais por filmes hollywoodianos.
Shows, espetáculos que vem de fora cobrando fortunas são elogiados por alguns.
Outros questionam porque não dar mais oportunidade aquilo que é da terra.
Falar de nostalgia para alguns é comoção enquanto para outros é coisa de velho.
Retrogrado, saudosista é falar do passado. Mas a tentativa de enaltecer coisas novas é não saber o que diz.
Contar algo que aconteceu consigo é estar focado no próprio umbigo.
Escrever sobre o que aconteceu com outra pessoa é não ter originalidade suficiente.
Citar nomes sem autorização, mesmo que para tecer elogios, é ameaça de processo.
Inventar um caso que não aconteceu, mas poderia ter acontecido é usar de ficção onde não devia.
Contar de uma viagem que se fez para o exterior é ser metido.
Colocar estrangeirismo no texto, se para uns não tem problema, para outros é exibicionismo.
Valer-se de palavras antigas é entregar a idade.
Se, palavras novas é estar por fora do vocabulário.
Tocar em assunto que agrada o idoso, é aborrecer o jovem.
Usar de linguagem simples, acessível aos menos escolarizados é correr risco de ser desdenhado pelos que se dizem eruditos.
Falar bem de um partido de oposição ao governo é ser anarquista, revolucionário.
Falar bem do partido governante é ser oportunista mal intencionado.
Não falar de política é ser “Maria vai com as outras”.
O mesmo texto pode tudo provocar:
Uns aplaudem, elogiam, outros toleram e alguns não perdem a oportunidade para criticar destrutivamente.
Cada linha que escrevemos é sempre uma incógnita quanto à reação do leitor.
Verdade é que escrevemos o que sentimos às vezes pouco de tudo, outras muito do nada.
Importante é levar no otimismo, continuar pelo menos de quando em vez, escrevendo e colocando no papel realmente o que julgamos interessar a um número grande ou não de leitores.