A receita geralmente é a mesma: confiança, amor e um relacionamento abusivo. Assim, muitas mulheres se tornam vítimas de seus parceiros desde relatos de agressão física até a morte. A frase “vivendo com o inimigo” nunca fez tanto sentido na maioria dos casos de feminicídio. Em 2018, dezenas de mulheres morreram no Paraná vítimas da violência contra o sexo feminino. Três casos de repercussão marcaram o ano.
Em 2018, o Paraná conheceu a história de três mulheres: Tatiane Spitzner, Andrielly Gonçalves e Renata Larissa. Em comum, as três jovens tinham a confiança nos homens em que se relacionavam, conforme apontam as investigações de ambos os casos.
Diante de tanta repercussão, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) chegou a divulgar dados de feminicídio do ano anterior. A cada hora de 2017, o Tribunal de Justiça do Paraná recebeu quatro novos processos sobre violência doméstica praticada contra mulheres. O tribunal paranaense foi o quinto que mais registrou crimes desse tipo. Os dados de 2018 ainda não estão disponíveis.
Um dos casos de maior repercussão em 2018 foi a morte de Tatiante Spitzner, de 29 anos. No dia 22 de julho, a advogada foi encontrada morta no apartamento em que morava com marido, o professor Luis Felipe Manvailler, de 32 anos, em Guarapuava, na região central do estado. A perícia indicou que Tatiane teve uma fratura no pescoço, característica de quem sofreu esganadura.
Já a estudante de direito Andrielly Gonçalves da Silva, de 22 anos, desapareceu no dia 9 de maio. O último contato com conhecidos aconteceu naquela madrugada, quando teria conversando com um amigo em uma chamada de vídeo pelo celular, no momento em que chegava no apartamento onde morava, no bairro Guaraituba, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O corpo dela foi encontrado um mês depois na Serra da Graciosa, no litoral do Paraná. O acusado de ter cometido o crime é o policial militar e ex-marido de Andriely, Diogo Coelho Costa. A polícia encontrou manchas de sangue no carro dele que foram submetidas a teste de DNA com o sangue da mãe da vítima, Cleusa Gonçalves. A Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, concluiu o inquérito e afirmou que todos os indícios apontam que Diogo foi o autor do assassinato.
Renata Larissa, de 22 anos, desapareceu no dia 27 de maio, após sair de casa dizendo que ia à farmácia, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O corpo dela foi encontrado dois meses depois às margens da BR-376, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Para conseguir identificá-la, a perícia precisou utilizar uma técnica de recuperação de impressão digital e na sequência um confronto genético.
O policial militar Peterson da Mota Cordeiro, de 30 anos, foi indiciado pelo homicídio da jovem. Ele foi preso no dia 20 de julho, suspeito de estupro de outras mulheres. Depois da polícia encontrar fotos e vídeos nos equipamentos eletrônicos dele e cruzar as informações do desaparecimento da jovem, foi que se chegou a conclusão de que ele seria o responsável pelo sumiço de Renata.