
A novela “Salve Jorge” da Rede Globo está retratando um assunto muito polemico que é o tráfico de pessoas. Porém, esse assunto não é restrito a dramaturgia. O próximo município de São João do Triunfo (PR), apresentou casos de adoções irregulares, denunciados pela jornalista Joice Hasselmann e também pelo programa “Fantástico”.
Investigações
Durante meses a jornalista Joice Hasselmann investigou o caso em São João do Triunfo. Com mais de 20 horas de entrevistas, foram abordados familiares de crianças que foram adotadas por famílias norte-americanas.
Em um dos casos uma Organização Não Governamental (ONG) dos Estados Unidos, chamada Limear, que trabalha no Brasil, cobrava uma doação de U$$ 9 mil das famílias no processo de adoção.
O material com as gravações foi solicitado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas, para somar às investigações já existentes.
Nos próximos dias a CPI estará em São João do Triunfo para ouvir as supostas vitimas e possíveis casos que ainda não ganharam conhecimento.
Região
Esteve em União da Vitória no sábado, 6, o vice-presidente da CPI, Deputado Federal pelo Paraná Fernando Francischini (PEN). O parlamentar reiterou a instalação da CPI em São João do Triunfo e destacou ainda que os municípios da região serão analisados, para que possam ser identificados possíveis casos de tráfico de pessoas.
A respeito dos casos em São João do Triunfo, o deputado afirmou que foram aprovados os pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da ONG, e também de uma pessoa que seria responsável pela Organização. “Também solicitamos a quebra do sigilo de justiça a respeito dos processos de adoção, para que possamos ter acesso do porque que tantas crianças foram adotadas pelo exterior”, afirmou.
O vice-presidente da CPI destacou também que o número de crianças adotadas não se limita a sete, mas sim a 37, sendo 12 famílias envolvidas.
Uma das crianças, que na época em que foi adotada tinha 12 anos, hoje com 18 anos, conseguiu fugir dos Estados Unidos e relatou em entrevista que sofria abusos sexuais do pai norte-americano. “A menina fugiu da casa onde morava nos EUA para uma igreja evangélica, voltou ao Brasil na semana passada e afirmou que foi abusada sexualmente pelo pai americano e que seus irmãos ainda estão sob posse dessa família”, destacou o deputado.
Não existem meios legais para que a busca por estas crianças seja feita de maneira rápida e eficiente. Deve se construir gradativamente uma relação específica para estes casos com o governo Americano. “Infelizmente não temos nenhuma ferramenta jurídica para buscar essas crianças no EUA. Agora contamos com a parceria do governo Americano para trazer essas crianças, desde que sejam comprovadas as denúncias”, concluiu.
Ao que tudo indica devem surgir novas denúncias e casos em toda a região. A divulgação dos casos deve estimular a população para que denuncie casos semelhantes às autoridades competentes.