ALEITAMENTO: APMI inaugura Ambulatório de Amamentação

Espaço, com equipe multidisciplinar, foca no auxílio às mamães para aleitar com naturalidade. Aspectos emocionais do pós-parto são levados em conta

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Atualizado há 7 anos

(Foto: Mariana Honesko).
(Fotos: Mariana Honesko).

O leite materno protege de doenças, é completo, na temperatura certa, pronto. Quem aleita, cria vínculos únicos, volta ao corpo “original”, antes do nascimento do bebê. Quem recebe o leite da mamãe, cresce mais forte, aprende o olho no olho, sente o aconchego.

Acontece que nem sempre o processo de aleitamento vai bem. E não é por falta de vontade ou negligência. A falta de prática, a forma do peito, a quantidade de leite e as alterações hormonais, acabam afetando o gesto e prejudicando esse momento exclusivo de mãe e filho.

Foi por entender tudo isso que a equipe de pediatria da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI), inaugurou há pouco mais de uma semana, o Ambulatório de Amamentação. Trata-se de uma sala, aconchegante, com cortinas brancas e de cadeiras confortáveis, para ajudar as mamães com dificuldade em alimentar seu bebê.

Criada especialmente para estimular a retirada natural do leite das mamães que estão com seus filhos na UTI neonatal do hospital, a ala também atende a comunidade. Por isso, se a “pega” não é boa, se o peito sangra e o neném chora, pode ser o momento de procurar o Ambulatório.

“Esses problemas com o aleitamento, são muito comuns com as mães de primeira viagem. Então, é algo novo, onde o hospital vai deixar a disposição uma enfermeira para ajudar as mamães com problemas para aleitar”, pontua a pediatra, Gislene Borille. “Era uma carência e depois de muita luta, abrimos uma sala bonita, com profissionais experientes, com paciência, com dedicação”, lembra o também pediatra, Cláudio de Mello.

O Ambulatório funciona diariamente, desde a manhã, até o final da tarde. O espaço conta com uma equipe multidisciplinar, com enfermeiros treinados recentemente no Banco de Leite, em Blumenau (SC). “Embora o processo de aleitamento seja natural, ele está até nos amimais, nos mamíferos, a gente percebe, neste mundo moderno, algumas dificuldades que as mães têm”, diz Mello.

E o pediatra vai além das populares fissuras dos seios ou da produção baixa de leite. Conforme o médico, a depressão pós-parto e o fenômeno conhecido com Baby Blues (leia mais no quadro abaixo), afetam, significativamente, o processo de amamentação. Sob todos estes aspectos, o Ambulatório aparece como um oásis. “Nos últimos meses da gestação, o organismo materno é submetido a uma serie de hormônios. Não é raro, então nas primeiras semanas, alguns processos que dificultam o processo. Existem mães que se sentem melancólicas, tristes, se julgam incapaz. A família vem pressionando, e ela está numa fase comprometida”, explica. “O ambulatório visa esse aspecto emocional também, dar um apoio para que ela tenha sucesso no aleitamento”.

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Mamães da UTI

E mesmo quem não enfrenta a oscilação emocional do pós-parto, pode precisar de amparo. Que o digam as mamães dos nenês da UTI, público-alvo da criação do Ambulatório. Mãe da Manuela, a mamãe de primeira viagem, Amanda, faz uso do espaço desde o nascimento de sua filha, no sábado, 4. “Eu imaginava que tudo sairia perfeito, mas não saiu como imaginava. Aqui me acolheram e as coisas estão evoluindo muito bem. Só quero levar ela para casa. Desde sempre, desde que eu engravidei, me imaginava na amamentação. Quero que seja assim, sem bico, sem chupeta”, relata.

Experiência compartilhada com a mamãe de outra Manuela, Vanderléa. Ela mora em Paulo Frontin e já é mãe de outras três crianças. Manu nasceu no dia 30 de março, prematura e segue na UTI neonatal. Vanderléa foi uma das primeiras a estrear o Ambulatório. “Embora eu tenha pouco leite, aqui eu consigo tirar um pouco mais. Esse leite eu tiro e deixo para ela”, sorri.

Vanderléa e Amanda: retirada do leite é higiênico e auxiliado pelas enfermeiras
Vanderléa e Amanda: retirada do leite é higiênico e auxiliado pelas enfermeiras

Atenção ao Baby Blues!

O que seria uma caminhada linda e cheia de expectativa, pode mudar completamente. E não é que as coisas saíram errado: é a mãe que vê a gestação e o nascimento de maneira distorcida. Um pouco diferente da depressão (a diferença está na intensidade dos sintomas), o Baby Blues é fruto das enormes alterações hormonais que acontecem após o nascimento do bebê. O descolamento da placenta dentro do útero faz com que toda essa comunicação hormonal da mulher com o bebê se perca e o corpo reage a isso, conforme os especialistas. A boa notícia é que, da mesma maneira que chega do nada, essa melancolia também vai embora de repente. Mas, é preciso ter paciência para enfrentar esse período complicado. É que no baby blues, a mulher se sente mais sensível, insegura e cobrada porque ela gostaria de estar bem, mas o seu humor não está bom.


UM TERÇO DAS GRÁVIDAS sofre também com transtornos de ansiedade e depressão, segundo estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP, com 831 mulheres e publicado no Journal of Psychosomatic Obstetrics & Gynecology.

 

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