“A morte existe para dar uma reflexão sobre a vida”

Maria Cristina Haneiko comenta a visão do espiritismo sobre a morte. Ela é profissional de saúde em Porto União e estudiosa da literatura espírita

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Atualizado há 7 anos

De maneira simplificada e com uma voz que transmite calmaria, Maria Cristina Haneiko comentou a visão do espiritismo sobre a morte. Ela é profissional de saúde em Porto União, estudiosa da literatura espírita e membro do Lar Espírita Irmã Tereza, em União da Vitória.

Maria Cristina Haneiko
Maria Cristina Haneiko

Falar sobre a morte não é tão simples e ainda é um tabu. Porém é importante compreendermos como cada indivíduo, como a sociedade em que ele está inserido e como a religião que ele professa, a compreendem. A crença religiosa professada pela pessoa é muito importante, pois é por meio dessa crença que ele fará a interpretação sobre a partida de um ente.

“É preciso respeito nos diferentes pontos de vista das religiões sobre a morte”, afirma.

Se engana quem pensa que o espírita não sofre com a morte de um ente.

“A gente sofre sim, é uma partida e dói muito pensar que não vamos mais ver aquela pessoa. Mas o entendimento de que ela está bem e cumpriu a sua missão aqui na terra é o que nos conforta”.

O Espiritismo possui três princípios fundamentais: a imortalidade da alma, a possibilidade de nos comunicarmos com os mortos e a reencarnação. De acordo com o Espiritismo, a morte é um momento em meio a um caminho infinito; é uma transformação e não um ponto final, não é o fim. Quando uma pessoa morre os espíritas utilizam a palavra desencarnação, que é justamente a separação do espírito de seu corpo físico. Morrer é continuar vivendo em outra dimensão – a espiritual.

Vai deixar saudade

Na ocasião, Maria Cristina aproveitou sua passagem pela CBN Vale do Iguaçu, para deixar uma mensagem à equipe ainda consternada com a morte do repórter Jair Nunes, o Piloto, ocorrida em 21 de junho. Disse que em situações assim, a equipe precisa se manter unida, seguir o foco e se concentrar em orações pelo ente querido; deve-se preservar a imagem da pessoa. Pois, de acordo com o médium e expoente do espiritismo, Chico Xavier, “na vida, não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós!”


Já dizia Rubem Alves …

Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora…

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar…” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias…Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto…”

* Trecho escrito por Rubem Azevedo Alves, foi um psicanalista, educador, teólogo, escritor e pastor presbiteriano brasileiro.

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