
(Foto: Divulgação).
As campanhas voltadas à saúde do homem no Vale do Iguaçu acontecem em novembro, quando o mês também se colore de azul. A campanha de agosto está concentrada apenas no Paraná; em novembro, no País todo. De qualquer maneira, todas as unidades de saúde, de União e de Porto União, têm o tema pronto para ser apresentado para “eles”, a qualquer dúvida e em todo momento.
Novamente, como ocorre em praticamente todos os anos, o câncer de próstata ainda é a dúvida mais particular – e popular. Em valores absolutos e considerando mulheres e homens, é o quarto tipo mais comum e o segundo mais incidente entre os homens. O primeiro, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é de pele não-melanoma.
E para falar sobre os cânceres e outros problemas relacionados à saúde do homem que o urologista, Florêncio de Matos Leão, participou do programa CBN Tarde de Notícias, na semana passada (leia no quadro).
Próstata
Mais do que qualquer outro, este tipo de câncer é considerado da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³, de acordo com o Inca) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. A hereditariedade conta muito.
As diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia e da Associação Europeia de Urologia recomendam o rastreamento do câncer de próstata em homens a partir dos 50 anos. Quando a doença é detectada em fase inicial, a chance de cura ultrapassa os 90%.
O QUE É?
A próstata é bem pequena, mas responsável por muito. A evolução no diagnóstico da doença foi fundamental. Antes de 1985, por exemplo, o câncer de próstata só era diagnosticado com o toque retal e pela falta de campanas de incentivo, a doença só era conhecida a partir dos sintomas muito avançados. Do começo da década de 80 para cá, com as políticas de incentivo à prevenção e com a inovação dos exames, o câncer de próstata é reconhecimento precocemente – daí essa máscara no número de casos.
Em novembro, tem campanha
Em novembro de 2003, surgia na Austrália o movimento Movember — união das palavras em inglês Moustache (bigode) e November (novembro) — quando homens deixaram crescer o bigode para chamar atenção à saúde masculina e fazer um alerta sobre o câncer de próstata. A campanha expandiu-se pelo mundo e inspirou o Novembro Azul, criado em 2011 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, para promover ações de esclarecimento sobre a doença no Brasil.
ENTREVISTA
Jornal O Comércio (JOC) – O câncer da próstata é ainda uma das principais causas de morte entre os homens?
Florêncio de Matos Leão (Leão) – Sim. No ano passado, segundo o Inca, foram 68 mil novos casos desse tipo de câncer. E é uma doença que se vocês esperarem sentir algo, já não tem mais cura. A única maneira é fazer o diagnóstico precoce, fazendo uma consulta com o urologista, fazendo esse exame do toque retal, que ainda tem tabu e o PSA. E é preciso associar os dois exames, para ter um diagnóstico correto.
JOC – Nesse mês, onde acontece a campanha, o número de homens que procuram o consultório é maior?
Leão – Na verdade é algo que é cultural, mas mesmo assim, já temos sim mais pessoas procurando os postos de saúde. Certamente, o mês teve aumento sim. O homem é mais retraído no tocante a prevenção em relação à mulher. A mulher tem essa cultura de ir, é cultural. O homem, pela própria característica, é menos preocupado.
JOC – Quantas vezes o homem deve procurar o urologista?
Leão – Para prevenção do câncer de próstata, uma vez ao ano é suficiente.
JOC – As mulheres acompanham aos homens nas consultas?
Leão – Sim, elas são figuras presentes mesmo. Elas são companheiras, para ajudar o ente querido a estar bem com sua saúde.
JOC – O histórico da doença na família, é preocupante?
Leão – A pessoa que tem um familiar, especialmente de primeiro grau, é maior. Inclusive, no caso dessa pessoa que tem um histórico, o exame deve começar mais cedo, já a partir dos 45 anos. Quem não tem parente, a partir dos 50.
