
Em pleno ano de 2019, doenças consideradas erradicadas ou perto disso, voltam a assombrar os profissionais de saúde. E o pior: a fazer vítimas. Contudo, o mais grave talvez seja compreender o motivo para o retorno das enfermidades que, até então, era algo do passado. A falta de vacinação é apontada como o maior “porquê” de tudo isso. Medo, atenção às fakes e descuido, acompanham a onda desse retorno num efeito dominó, rápido e até mortal.

Para entender como se prevenir das “novas antigas doenças” e saber mais sobre o papel das vacinas, a reportagem de O Comércio conversou com a chefe da Vigilância Epidemiológica de União da Vitória. Conforme Marly Della Latta, ao longo da vida, um adulto chega à vida assim, adulta, com 20 carimbos em sua carteira de vacinação. As 20 vacinas recebidas, porém, protegem contra um número maior de doenças. “Algumas, até cinco delas”, confirma Marly.
O retorno do Sarampo e da Febre Amarela, é, no momento, algo que incomoda. E quem é adulto e não sabe se tomou a vacina, precisa parar e procurar a carteirinha em casa. Caso contrário, a recomendação é procurar uma unidade de saúde. No Vale do Iguaçu, todos os postos dispõem da imunização.
Sobre o Sarampo, as orientações são pontuais. “É bem importante neste momento que as pessoas olhem a carteira porque nela, se tiver duas doses da vacina contra o Sarampo, é onde está escrito VTV, a pessoa não precisa mais. Acontece que as pessoas mais adultas, perdem a carteira. Por isso, temos uma campanha aqui no município para que a pessoa guarde a carteira como qualquer outro, até porque ela vem sendo solicitada na matricula de escolas, em concursos públicos”, ressalta a enfermeira.
“Se perdeu a carteira de vacinação, é importante procurar o posto de saúde e fazer pelo menos uma dose da vacina contra o Sarampo. Ela está junto com a vacina da caxumba e da rubéola. É uma picada que protege contra três doenças”.
No caso do Sarampo, devem procurar os postos e atualizar a carteira de vacinação, pessoas de até 50 anos. Quem tem mais idade, não há mais necessidade. “O Ministério da Saúde explica que as pessoas com 50 anos ou mais, já tiveram contato com o vírus da doença em alguma fase da vida e criou anticorpo. Por enquanto, essa é a orientação”, lembra Marly. Para as crianças, a primeira dose é dada já aos seis meses de vida. “Se subentendem que até essa idade, a criança está protegida por causa dos anticorpos da mãe. Mas aos seis meses, precisa tomar a primeira dose”, lembra a enfermeira.
Contra a Febre Amarela, especialmente após o recente encontro de um macaco na área rural de União da Vitória (leia mais no quadro), a orientação é idêntica: quem não lembra se tomou a vacina, precisa voltar aos postos de saúde. “Ele pode e deve fazer isso. Temos dois tipos da Febre Amarela: a urbana e a silvestre. É bem importante também que as pessoas que trabalham no campo, no meio rural, verifiquem se tem a vacina”.
Basta uma única dose para a imunização para o resto da vida. Quem tomou uma vez só, não precisa tomar o medicamento de novo.
Desde 2004, o Ministério da Saúde passou a definir calendários de vacinação por ciclos de vida. Com isso, além das crianças, houve regulamentação também para os adolescentes, adultos, idosos e gestantes.

Sarampo e Febre Amarela
O Brasil registrou 3.339 casos confirmados de sarampo em 16 estados, nos últimos 90 dias. Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul estão entre os estados com surto ativo da doença. As crianças são as mais suscetíveis às complicações e mortes. A incidência de casos em menores de um ano, é nove vezes maior em relação à população em geral. Neste ano, foram confirmados quatro óbitos por sarampo: três óbitos ocorreram em menores de um ano de idade; e um óbito em um indivíduo de 42 anos.
No início deste ano, houve a identificação da circulação do vírus da Febre Amarela na Região Sul. No mês de janeiro, no Paraná; e em Santa Catarina, em março. Em 2019, até o dia 31 de maio, foram confirmados 85 casos e 15 óbitos pela doença no país, sendo 14 casos e 3 óbitos na Região Sul. A maior parte dos infectados são jovens adultos do sexo masculino, que moram ou trabalham em áreas rurais.
Diante desse cenário na Região Sul, os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, com apoio do Ministério da Saúde, realizam entre agosto e dezembro, a execução de um cronograma de ações para intensificar a vigilância e a vacinação contra a febre amarela na região.
Nas fronteiras
O ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, lançou na segunda-feira, 16, em Ponta Porã (MS), o Movimento Vacina Brasil nas Fronteiras e um pacote de ações voltado para o fortalecimento da vigilância em cinco cidades brasileiras fronteiriças aos países que compõem o Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai). “O Brasil deve assumir a coordenação dos trabalhos do Mercosul, e uma das principais ações é aprimorar e fortalecer as coberturas vacinais, em parceria com todos os nossos vizinhos. Por isso, estamos fazendo aqui, em Ponta Porã, um ato simbólico, que representa toda a área de fronteira nacional. Podemos aumentar essas parcerias com os países que fazem fronteira com o Brasil, garantindo proteção para todos”, destacou o Mandetta.
O Movimento Vacina Brasil nas Fronteiras acontece até o dia 27, de forma conjunta e simultânea contra as duas doenças, nas regiões de fronteira do Brasil com Argentina, Paraguai e Uruguai.
Serviço
Para conhecer melhor o esquema de vacinação e um pouco mais sobre o Sarampo e a Febre Amarela, o site do Ministério da Saúde está disponível. O endereço é: saude.gov.br
Macaco morto
Há pouco mais de um mês, um macaco da espécie Alouatta guariba clamitans (bugio ruivo) foi encontrado morto na região da Vila Zulmira, interior de União da Vitória. O animal, considerado jovem (a idade estimada é de dois ou três anos) estava em uma árvore próximo à PR 447.
O fato de não haver sinais aparentes de choque elétrico, de morte provocada por outro animal ou até por objetos de caça, levantam a suspeita de um caso de Febre Amarela. Conforme as equipes dos órgãos de saúde do município, por conta da decomposição do corpo do animal, uma autopsia mais aprofundada não pode ser feita.