DESEJO SEXUAL: 56% das brasileiras não conseguem atingir o orgasmo

Além da análise das pesquisas, ginecologista Erica Mantelli, em entrevista à Rádio CBN, falou sobre os fenômenos da vida moderna – e que não poupam as mulheres

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Atualizado há 7 anos

(Foto: Reprodução).
(Foto: Reprodução).

Em 2017, a Universidade de São Paulo (USP) divulgou uma pesquisa ‘caliente’, e reveladora também. Conforme dados do Projeto de Sexualidade da Universidade de São Paulo (Prosex), da Faculdade de Medicina da instituição, mais de 55% das mulheres entrevistadas têm dificuldade para chegar ao orgasmo. Entre as várias causas apontadas, 67% responderam que tem dificuldade para se excitar e 59,7% sentem dor na relação.

O levantamento ouviu três mil participantes com idade entre 18 e 70 anos, divididos em cinco faixas etárias. Foram avaliados voluntários de sete regiões metropolitanas do país: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Porto Alegre e Distrito Federal.

Para falar sobre o assunto, a reportagem da CBN Vale do Iguaçu ouviu na semana passada, a ginecologista Erica Mantelli e que aqui, o portal Vvale reproduz parcialmente (leia no quadro). De acordo com a especialista, não “chegar lá” é um fenômeno inerente à vida moderna, pois as mulheres de algum tempo atrás, não exteriorizavam essa queixa.

““Muitas mulheres se queixam da falta de desejo sexual; esse é um fenômeno inerente à vida moderna”, afirma.

Erica Mantelli: “mulher passa por um ciclo para resposta sexual”
Erica Mantelli: “mulher passa por um ciclo para resposta sexual”

Brinquedinhos que apimentam

O Dia do Sexo, lembrado no dia 6 de setembro (visualize a data assim: 6/9), foi criado ainda em 2008 para fomentar o mercado de venda de produtos eróticos. Conforme a Associação Brasileira do Mercado Erótico, esse comércio movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano. Ainda segundo dados da Associação Minas Gerais é o terceiro estado que mais consome esses tipos de produtos (11%), ficando atrás apenas de São Paulo (33%) e Rio de Janeiro (16%).

(Foto: Mariana Honesko).
(Foto: Mariana Honesko).

No Vale do Iguaçu, os brinquedinhos para apimentar a relação (seja ela sozinha ou com mais pessoas) também estão disponíveis. E engana-se quem pensa que eles ficam lá no fundo da loja, escondidos. Cada vez mais, eles ocupam espaços de destaque, bem visíveis. Geralmente os produtos são oferecidos nas empresas que vendem moda intima, já que uma coisa leva à outra.

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Os artigos são para homens, mulheres, gays e lésbicas, e vão desde velas aromáticas e chicotes, à estimuladores de diferentes orifícios. E o mercado pensa em todo mundo: por exemplo, para mulheres já na menopausa e com pouca lubrificação, existem cremes para ajudar. Para quem gosta das próteses penianas, o mercado oferece peças de várias cores e envergaduras. Para quem prefere se divertir sozinho, dá ainda para encontrar vibradores e plugs, capazes de dar prazer (garantem os vendedores) tão intenso quando uma relação à dois.

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Dados eróticos, baralho do Kama Suthra, pétalas de rosas, géis e bolinhas que explodem na região intima, estão entre os produtos campeões de venda. Entre as novidades, o mercado erótico aposta em oferecer, por exemplo, bomba clitoriana (que além de aumentar o clitóris ajuda na incontinência urinária), pingente vaginal e anal e capa de dedo com pontas massageadoras.

Nessa imersão em busca de sensações realistas, capazes de estimular o corpo e a imaginação, o mercado cresce e quebra tabus. Conforme duas vendedoras dos produtos ouvidas pela reportagem, embora a maioria dos clientes seja mulher, se tornou comum a compra à dois – inclusive, entre mães e filhas, por exemplo. E na relação, não é apenas o amado ou amada quem sai ganhando.

ENTREVISTA

Portal Vvale (VVALE) – A sexualidade já vem sendo tratadas nas escolas. Isso dá uma abertura melhor para se falar de sexo, concorda?

Erica Mantelli (Erica) – Sim, as próximas gerações vão colher esses frutos. Mas, falando da geração de hoje, a gente vê o assunto como sendo um tabu, algo proibido.

VVALE – Em casa, é importante que o casal converse sobre o assunto?

Erica – Fundamental, para ter qualidade de vida sexual para os dois. É importante entender que a sexualidade faz parte, é natural e é até uma questão de saúde. Na verdade, a vida sexual é sinal de saúde. A falta de comunicação é algo que eu enfrento todos os dias no consultório. Tem mulheres que não tem vontade, que sentem dor. Ai, acontece a velha história da dor de cabeça, o que vai afastando o casal. Quando a gente vai ver, encontramos casais ai com um ano sem relação sexual.

VVALE – O importante é que o assunto e a relação não seja sofrimento, certo?

Erica – Com certeza! Temos muitas soluções hoje em dia. Qualquer situação que atrapalhe a relação sexual, pode ser resolvida.

VVALE – Quem não atinge o orgasmo, o que acontece?

Erica – Provavelmente a falta de estimulação adequada. A mulher passa por um ciclo para resposta sexual. Ela inicia com o desejo, depois vem a fase da excitação onde ela fica lubrificada e aí, depois, se chega ao clímax. E quem não consegue também, é porque as vezes não se entregam naquele momento.

VVALE – E nos homens, isso acontece?

Erica – É mais difícil. No caso deles, pode ser difícil manter a ereção ou ter uma ejaculação precoce.

VVALE – Quando, nas mulheres, a falta de prazer acontece mais?

Erica – Na menopausa acontece uma diminuição dos hormônios, a vagina fica mais ressecada, incomoda e por isso, a mulher tem mais dificuldade. Mas não é porque ela está na menopausa que a vida sexual dela tem que acabar.

JOC – Essa queixa da falta de orgasmo é recente?

Erica – A sexualidade das mulheres do passado não era respeitada. Ela tinha na mente que precisava comparecer porque era uma função do casamento. Hoje isso mudou e os homens entendem também que o sexo é para os dois. A vida moderna, porém, exige muito da mulher e deixa ela sem tempo e sobrecarregada.

VVALE – Como isso afeta o psicológico?

Erica – Homens e mulheres que enfrentam um problema ali podem repercutir sim no casamento. Por isso é importante conversar, ver o que está acontecendo. Tem mulher que acha que é obrigação da mulher chegar ao orgasmo na penetração. O clitóris não é facilmente atingido na penetração. É melhor até nas preliminares. Se ele acontecer só ali, é excelente. O importante é no geral, ela tem uma relação que a deixa satisfeita, mas, se uma vez ou outra não chegou lá, não tem problema.

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