Nas homenagens de Finados, um pouco de história

Túmulos de personalidades recebem atenção no feriado, além das visitas tradicionais. Data prevê missas nos cemitérios, venda de flores e velas e limpeza dos espaços

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Atualizado há 7 anos

Números de visitantes vem diminuindo: embora não se tenha controle oficial, consumo de água cada vez menor no período de limpeza e Finados aponta baixa (Fotos: Mariana Honesko).
Números de visitantes vem diminuindo: embora não se tenha controle oficial, consumo de água cada vez menor no período de limpeza e Finados aponta baixa (Fotos: Mariana Honesko).

O Finados é uma data que também poderia ser chamada de Dia da Saudade. Ou, Dia da Lembrança. É que certamente, todo mundo já perdeu algum familiar, algum amigo. Quem nunca, conhece alguém que sente a dor da ausência e que no Finados, celebrado no dia 2 de novembro, vai visitar o cemitério.

No Vale do Iguaçu, a movimentação nestes espaços se torna rotina na semana que antecede à data. As prefeituras limitam datas e horários para a limpeza dos túmulos e para eventuais consertos e outras intervenções. A dinâmica prevê organização aos ambientes na celebração deste feriado nacional.

Para o dia 2, ainda estão previstas a celebração de missas ao longo de todo o dia (veja o quadro) e para te ajudar, O Comércio fez uma ‘colinha’ das principais celebrações para os cemitérios municipais, de União da Vitória e de Porto União. Conforme as equipes que organizaram as solenidades, em caso de chuva, as missas acontecem nas igrejas mais próximas.

Túmulo “turísticos”: espaços no Municipal de União recebem um grande número de visitantes, entusiastas da História e devotos
História

Centenários, os cemitérios de União e de Poro União, podem se revelar boas salas de aula à céu aberto. Cada um a seu modo, contam em silêncios histórias de gente rica, de personalidades, de gente humilde. O material usado na construção dos túmulos e o seu formato, podem dizer muito. Dizem mais quando se sabe quem está sepultado ali.

Em União, por exemplo, o imponente jazigo da família Amazonas, por exemplo, ensina que: a partir dele, os demais túmulos foram colocados; e sim, ali está um dos pioneiros da cidade, o Coronel Amazonas Marcondes. No cemitério municipal são ambientes populares, ainda, o túmulo de Zilda Santos, a menina assassinada aos 13 anos e que pelo povo se tornou santa; o Mausoléu dos Expedicionários, do ex-prefeito, José Cleto e o tombado pelo Patrimônio, Juan Cicero (ele instalou a primeira cooperativa na cidade e pela importância do seu trabalho, ele chegou a ser nomeado cônsul do Uruguai para União da Vitória).

Já em Porto União, no Municipal, as figuras populares não são exatamente ‘santas’ ou ‘milagreiras’. Estão sepultados ali, por exemplo, médicos, ex-prefeitos e empresários. Destacam-se nesta lista o tumulo de Emilio Taboada Diez (sim, aquele que empresta seu nome à banda municipal de União) e o de Helmut Muller, cuja identidade é bastante conhecida por quem mora no bairro Santa Rosa. O uso de colunas, de figuras de anjos e de estatuas, também chama a atenção de quem visita os corredores do cemitério. Ainda, já no portão principal, está uma placa de homenagem ao Capitão Kirk, piloto considerado herói e que morreu durante um sobrevôo regional, durante a Guerra do Contestado.

Túmulo de Helmuth Muller: sem visitação há bastante tempo, segundo o administrador do Municipal, em Porto União
Túmulo de Helmuth Muller: sem visitação há bastante tempo, segundo o administrador do Municipal, em Porto União
ORGANIZAÇÃO DOS CEMITÉRIOS

Há alguns meses, as prefeituras vêm se organizando para regularizar a situação dos cemitérios que administram. O trabalho está mais intenso em União da Vitória, especialmente por conta da falta de espaço e pela recente interdição do cemitério do bairro Limeira. Sobre este endereço, especificamente, o pedido à população é de as visitas sejam agendadas. No momento, a igreja Ucraniana responde pela gestão

De fato, como mostrou em reportagem especial em O Comércio, em março desde ano, do ponto de vista histórico, os cemitérios são muito mais do que são. Além do encontro de lápides de gente importante, como prefeitos e outras autoridades, a arquitetura das construções e ate a forma com os que jazigos estão organizados, enriquecem o entendimento sobre a cultura de uma cidade, por exemplo. E embora pareça um contrassenso, neste caso, a morte imita a vida.

Nos cemitérios é possível saber quem foi rico, quem foi pobre, quem era desta ou daquela religião. Uma visita ao cemitério pode ser muito mais do que uma reverencia aos mortos ou um jeito imperfeito de matar a saudade. É isso e muito mais.

“Estudar o cemitério é fascinante; revela fielmente a cultura do seu povo”, afirmava para a edição, o professor e historiador Ilton César Martins, um estudioso de cemitérios. Ele inclusive realiza um trabalho prático dentro deste contexto, que são as visitas guiadas, projetos realizados nos cemitérios municipais de União e também de Porto União.

“Se a gente for analisar a estrutura do cemitério, dificilmente ele está ligado com a religião. Basta a gente lembrar das pirâmides do Egito, que são túmulos. A mais bela declaração de amor foi a construção do Taj mahal (na Índia) que é um mausoléu, uma das obras mais visitadas até hoje. Tem muitos aspectos para cegar aos cemitérios. Pensando nos nossos cemitérios: são uma invenção recente, tem cerca de 370 anos, com essa configuração mais ou menos parecida com os cemitérios de União e Porto União”, destacou.


Comércio de flores

Especialmente os arranjos artificiais tem tido uma grande procura já á cerca de duas semanas no comércio do Vale do Iguaçu. Nas casas populares, é possível levar galhos a partir de R$ 1,99 ou, vasos prontos, por no máximo, R$ 34,99. “As pessoas estão comprando bem antes, sem deixar para a última hora”, comenta um empresário do ramo. Bem antes, de fato, conforme uma funcionária da empresa Vogel, em União da Vitória. “Desde agosto”, garante. De tão expressivo o movimento e o interesse pelos produtos, a aposta dos lojistas do segmento é de que mais de 90% do estoque seja vendido neste ano. Isso inclui, além das flores, as velas e coroas.

“As flores têm seus significados. É como as correntes que tem em alguns túmulos. Não são para marcar túmulos, mas representam o elo entre o homem e Deus, por exemplo”, falou o historiador Ilton Martins.


MISSAS

Cemitério Municipal de União da Vitória

A primeira celebração está marcada para às 10 horas. Ao longo da tarde, também ocorrem missas. Às 17h30, por exemplo, ela será ministrada pelo padre Iomar, da igreja Nossa Senhora de Fátima. Em caso de chuva, as solenidades não acontecem.

Cemitérios em Porto União
  • 8h30, no Municipal
  • 10h30, em São Miguel
  • 10h30, em Santa Cruz
  • 14 horas, em São José do Maratá e em São Pedro do Timbó
  • 16 horas, em Rio bonito e Lança

 


Em São Miguel, prefeitura inaugura Memorial

Está marcada para o dia 2, a inauguração do Memorial do Centenário de São Miguel da Serra.

Conforme a assessoria de imprensa da prefeitura, o cemitério de São Miguel é administrado pelos moradores – e é impecável, segundo a comunicação. “A comissão do centenário acolheu a idéia sugerida pela pesquisadora e historiadora Siclinde Werle, que fez todo o levantamento dos túmulos que desapareceram a identificação com o passar do tempo”, explicou a assessora, Léia Alberti.

A profissional fez uma pesquisa nos cartórios, encontrou as certidões e catalogou 19 nomes de adultos e 76 crianças. “Elaboramos um projeto para deixar visíveis essas pessoas que o tempo apagou”.

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Cuidado com a Dengue!

Vasos e floreiras levados aos cemitérios por conta do Dia de Finados podem servir de criadouros para o mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. O alerta é dos órgãos de saúde.

Embalagens plásticas, suportes para as velas colocadas nos túmulos, copos plásticos e os próprios jazigos podem servir de criadouro para as larvas do mosquito. Por isso, é preciso ter cuidado.

No caso de vasos, a recomendação é preenchê-los com areia ou substituí-los por modelos que não acumulem água. Uma opção é preferir flores artificiais ou as plantadas diretamente na terra e evitar plantas que podem reter água entre as folhas, como bromélias.

Na entrada do Cemitério Municipal de Porto União, um aviso sobre os cuidados com a Dengue
Na entrada do Cemitério Municipal de Porto União, um aviso sobre os cuidados com a Dengue

Outro cuidado é retirar embalagens plásticas dos vasos, não usar cachepôs (porta vasos), nem deixar objetos que possam estocar água sobre os túmulos, além de reparar periodicamente os jazigos para evitar saliências ou buracos.

Os detalhes de outros cuidados foram notícia ontem, 31, na CBN Vale do Iguaçu, em uma entrevista concedida pelo secretário da Saúde de Porto União, Marivaldo Reis.

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