
A mudança dos ribeirinhos da Rua Lúcio Wulleweit no Bairro Sagrada Família rendeu “pano pra manga”. Após a publicação da edição nº 4866 de O Comércio que estampava em sua capa o título “Animais domésticos e mobília são deixados para trás após mudança de famílias ribeirinhas” os telefones da redação do Jornal não pararam de tocar. Todas as ligações eram denúncias de maus tratos e abandono de animais.
Na segunda-feira, 6, antes do fechamento do periódico, a reportagem de O Comércio entrou em contato com a coordenadora do Programa de Políticas Públicas em Defesa e Proteção Animal, Marlene Goulart Jakubiw para informá-la sobre o assunto. Prontamente Marlene, que há anos trabalha com a questão de proteção ao animal, afirmou que iria atrás da família que abandou os cachorros.
Lei: Animais domésticos e mobília são deixados para trás após mudança de famílias ribeirinhas
E assim foi. Na tarde de ontem, Marlene, juntamente com seus colegas do Programa de Defesa ao Animal, foram até a região ribeirinha. Perguntando para um e outro descobriram a casa onde estava um cachorro abandonado. Apenas um, entre tantos que perambulam pelas ruas do Bairro, sem rumo e sem dono.
A casa denunciada fica nos fundos de um terreno. Não é visível por quem passa pela rua. Para chegar até ela é preciso atravessar vários entulhos, lixo e até uma Brasília que está “estacionada” no meio do caminho.
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Chegando ao local, escondido entre alguns entulhos eis que surge um animal. Campeão, como é o nome do cachorro, estava amarrado por uma corda em um pilar que sustenta o telhado da varanda.
De início Campeão rosnou, ficou acuado, mas logo percebeu que as pessoas que haviam chegado não estavam ali para machucá-lo e sim para tratá-lo. Após dias de abandono Campeão já deixava a mostra suas costelas.
Marlene deu comida e água para o cachorro. Após isso ligou para a família dona do cão. Em 20 minutos, marido, mulher e filhos chegaram a casa. *Carlos afirmou que havia se mudado há um tempo, mas que visitava a casa com frequência.
Marlene então perguntou o motivo de Carlos não alimentar o cão. Ele retrucou. “Não tenho nem comida para a minha família, não consigo sustentar todos”, disse.
Carlos também afirmou que tem vontade de colocar Campeão para adoção. Mas, Marlene fez um pedido para a família. “Alimentem ele, cuidem dele e semana que vem vou à sua casa nova ver se Campeão está bem.”
Galinhas, patos, pombas…
Enquanto Marlene esperava pela família, outros animais foram encontrados dentro da casa. Algumas galinhas, patos e também duas pombas, presas em gaiolas que não passavam de 40 centímetros. As pombas estavam dentro da casa e, segundo Carlos, custaram R$ 30 cada uma.
De acordo com relatos de vizinhos, Carlos tinha 11 cachorros amarrados atrás do seu casebre. Alguns foram soltos quando se mudou. Mas, o único que ficou foi Campeão. E segundo o Código do Município de União da Vitória não pode haver acúmulo de animais em perímetro urbano.
De agora em diante…
A família recebeu orientações do grupo de proteção ao animal, e semana que vem receberá uma visita de Marlene para ver como o cachorro está. O grupo deixou ração para a família para que eles consigam alimentar Campeão.
Caso a situação não seja resolvida, a família terá de responder pelos maus tratos.
Esta não foi uma prática isolada. Inúmeros casos como este ocorrem diariamente em nossas cidades. Situações semelhantes são fruto da falta de educação, de compaixão, de amor pelos animais indefesos na maioria das vezes. Sobre a falta de educação, ainda dá tempo de ensinar e conscientizar as gerações futuras.
As denúncias podem ser feitas pelo telefone 3522-4748.
*O nome foi alterado para preservar o dono de Campeão