
Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 8, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, fez críticas a cobertura da imprensa no dos 200 respiradores comprados pelo Estado.
Uma reportagem do site The Intercept Brasil, apontou possíveis irregularidades na compra destes equipamentos que custaram R$ 33 milhões. A polêmica resultou no pedido de exoneração do então secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino.
Na coletiva, Carlos Moisés não chegou a citar um veículo ou jornalista “exposição excessiva” na divulgação de possíveis responsáveis, além de dizer que “o jornalismo tem que ser rediscutido”.
Moisés definiu como uma cobertura excessiva, e necessidade de apurar os fatos antes de qualquer julgamento. “Eu particularmente acho que há uma exposição excessiva de casos que levam a julgamento popular e daqui a um tempo nós vamos ver se há prejuízo ao erário público, quem provocou, e aí sim vão ser apontadas as pessoas que de fato agiram. Eu não tenho nenhuma dúvida de que há precipitações“, disse.
A Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (ACAERT) divulgou uma nota de repúdio as declarações do governador. A entidade enfatiza o compromisso dos veículos de comunicação de Santa Catarina na cobertura da pandemia da Covid-19.
Nota de Repúdio
A Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão- ACAERT repudia as declarações feitas hoje pelo Governador Carlos Moisés da Silva durante um evento transmitido ao vivo para empresários em nível nacional.
Durante o evento, Carlos Moisés da Silva insinuou que a imprensa catarinense deveria ser cerceada através da pressão de empresários, na condição de anunciantes dos veículos de comunicação, em torno do que ele considera um “jornalismo decente”.
A ACAERT considera que esse tipo de manifestação demonstra, por parte do governante, um total desconhecimento do papel da imprensa, que tem a obrigação de divulgar toda e qualquer informação que for de interesse público e para o bem da sociedade.
Reforçamos ainda que o segmento não mediu esforços, desde o início da pandemia, para levar a informação precisa aos catarinenses, reforçando os protocolos de segurança das autoridades de saúde e dando ampla divulgação, principalmente, aos esforços do Governo do Estado no combate à COVID-19, que teve horas exposição na programação das principais emissoras de Santa Catarina.
Nos surpreende, portanto, o conteúdo dessas declarações pelo tom de ameaça e as insinuações autoritárias, uma vez que o próprio mandatário elogiou e agradeceu publicamente por diversas vezes em coletivas de imprensa a cobertura profissional que vem sendo feita pelos mesmos veículos que hoje ele pede que sejam responsabilizados por fazerem justamente aquilo que lhes é de obrigação, informar a população.
Esperamos que prevaleça o respeito com o segmento da comunicação e com a democracia, na qual a liberdade de imprensa é um direito inegociável e não pode sofrer qualquer tipo de pressão ou insinuação por parte de quem quer que seja. Como proferiu a suprema corte americana ao absolver os jornais que divulgaram documentos secretos: “A imprensa deve servir aos governados, não aos governantes”.
Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – ACAERT
Também com uma nota de repúdio a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) se posicionou.
NOTA DE REPÚDIO
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) repudia as afirmações do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), que, nesta sexta-feira (8), durante debate virtual e após tecer críticas ao trabalho da imprensa, sugeriu que empresários do estado pressionem os meios de comunicação, usando a condição de anunciantes, em uma clara tentativa de cerceamento à imprensa livre, plural e independente.
É lamentável que o governador desconheça o real papel dos veículos de comunicação profissionais, que, principalmente em um momento de crise sanitária mundial, exercem a missão fundamental de informar a sociedade.
A ABERT lembra que a imprensa tem uma responsabilidade social na manutenção da democracia e da diversidade de opinião, e qualquer tentativa de coação é um ataque à liberdade de expressão.
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão