Em um momento de pandemia é muito tentador incorporar o velho dito de que “depois da tempestade vem a bonança”. Mas ainda estamos longe de saber onde termina a tempestade, tanto do ponto de vista sanitário quanto econômico.

Curiosamente, a Bolsa de Valores vem crescendo no Brasil nos últimos dias. Afinal, além da questão da pandemia, o país passa por tensão política.
Dá para tentar “adivinhar” porque isso está acontecendo. Pessoas que não tinham experiência com a Bolsa e outros investimentos de grandes retornos, podem ter sido convencidas a investir no momento de baixa. Alternativas como as opções binárias tem cada vez mais procuras e sites como www.opcoesbinariasguia.com ajudam na conscientização e educação financeira.
A Bolsa de São Paulo, B3, batia máxima histórica de 119 mil pontos no final de janeiro. Quase dois meses depois, desvalorizou até os 61 mil pontos. Hoje, já chegou a se recuperar até os 97 mil pontos. Ainda está aquém do auge do otimismo econômico, mas de maneira nenhuma essa é uma recuperação desprezível.
O presente crescimento da Bolsa acontece porque o movimento financeiro antecipa a economia real. Isso quer dizer que agentes do mercado – bancos, gestores de fundos, investidores, empresários – enxergam uma possibilidade positiva adiante do mau momento atual. Somente com a expectativa de algum sucesso, podem ser feitos novos negócios.
Qual é o cenário?
Mas o que pode ter animado esses agentes com as atuais circunstâncias? A perspectiva de flexibilização da economia é uma delas. Ainda que gradual, a possibilidade de que aconteça leva os agentes a perceberem que o impacto da pandemia foi precificado em excesso na economia, dando margem para alguma recuperação.
O fortalecimento da economia chinesa acontecendo de maneira mais intensa do que o esperado também pode ser fonte de otimismo. No caso brasileiro, a China é o maior parceiro comercial em todo o mundo, tendo absorvido quase um terço de todas nossas exportações até agora em 2020.
Apesar do movimento financeiro atual, os indicadores econômicos recentes são maus. Quando falamos “maus” queremos dizer muito maus: o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) para o primeiro trimestre mostrou recuo tanto no que diz respeito à demanda de bens e serviços quanto à sua produção. O recuo foi de 1,5%, que é o pior resultado para o trimestre de um ano desde 2015.
A economia justifica a bolsa?
Os resultados prometem piorar, pois o PIB trimestral em questão mediu a riqueza nacional apenas entre 1º de janeiro e 31 de março de 2020 – quando essa fase traumática mal tinha começado.
Isso significa que o PIB do segundo trimestre promete um recuo ainda mais violento. Não apenas isso, mas o recuo de dois trimestres consecutivos é classificado tecnicamente como uma recessão econômica.
A recessão já era esperada no Brasil e no mundo. O Banco Mundial já projetava crescimento mundial lerdo para 2020 ao começo do ano. Com a vinda da pandemia, o consenso que temos até agora é de que o impacto da paralisação mundial de trocas econômicas e geração de riqueza por meses a fio, ainda que parcial, promete uma recessão maior que a da Grande Depressão de 1929.
Por isso, o atual otimismo com a Bolsa de Valores pode ser apenas resultado de agentes de mercado finalmente conseguindo precificar os prejuízos e os ativos do momento atual e projetando melhoras de curto prazo – pois, a longo prazo, a incerteza é tremenda.