
A movimentação começou às 14 horas na Praça Alvir Riesemberg em União da Vitória. Médicos das Cidades Irmãs circularam pelas ruas entregando panfletos e também trabalhando na conscientização da população de que os médicos são profissionais de valor. A pauta de quarta-feira, 31, era uma só: lutar pela classe médica do Brasil.
De acordo com vários profissionais que estavam na passeata, não são os médicos o problema da saúde, mas sim a falta de estrutura dos hospitais. “O SUS está doente”, disse uma participante.
“Todos nós queremos hospitais padrão FIFA, médicos e pacientes”, completou o presidente da Associação dos Médicos de Porto União da Vitória, Plínio Leonel Jakimiu.
Plínio também ressaltou que a situação na pasta da saúde nacional está caótica e que a paralisação é necessária. “Nós estamos apenas alertando a população da situação de como está o Sistema Único de Saúde (SUS), eles vivem isso, enfrentam os problemas. Há muito tempo as entidades médicas nacionais tem participado de encontros e reuniões e mostrando o que está acontecendo, mas não tem ouvidos do Governo Federal.”
O grupo de médicos subiu a Avenida Manoel Ribas às 16 horas com placas e palavras de ordem. “Queremos carreira de Estado” e “Médicos de luto” faziam parte do coro.
“Os municípios e estados estão fazendo seu papel, agora só a União deve fazer”, reclamou Jakimiu com relação a distribuição de recursos para a melhoria de estrutura física em postos de saúde.
Ao final, todos que estavam presentes na caminhada se reuniram na Praça do Chafariz, em Porto União, para cantar o Hino Nacional.
Luto

Fitas pretas foram colocadas nos jalecos brancos dos médicos, no lado direito. O significado: luto. “O luto é pelos atos autoritários do Governo Federal e pelo Sistema Público de Saúde precário”, explicou Jakimiu.
Já no lado esquerdo uma fita verde e amarela estava à mostra. “É o lado do coração. E verde e amarelo é porque nós somos brasileiros e acreditamos no Brasil. Em um Brasil melhor”, finalizou.
E agora?
Segundo a classe a paralisação é apenas um dia, e que hoje as consultas, tanto no Sistema Público quanto no particular, voltam ao normal.
“Hoje (quarta-feira) apenas os profissionais de plantão de urgência e emergência atenderam. Pois a paralisação atingiu 100%, atendimentos particulares e conveniados não foram realizados e alguns postos públicos os médicos também pararam”, afirmou o presidente da Associação dos Médicos locais.
Resultado
A paralisação atingiu todos os estados brasileiros, inclusive o Distrito Federal. E com tantos médicos envolvidos, um pedido já foi atendido. O Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou na manhã de quarta-feira, 31, que o Governo desistiu de aumentar em dois anos o curso de Medicina. No lugar disso, o ciclo de dois anos deve se tornar um período obrigatório de residência médica no SUS.
O primeiro ano deverá ser cumprido nas áreas de atenção primária de emergência e urgência nas áreas de clínica médica, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia, pediatria, medicina da família e comunidade e psiquiatria.
A residência obrigatória em outras áreas ainda será avaliada.
Saiba quais são os pedidos da classe médica:
Aprovação da PEC de iniciativa popular, PEC + 10
Esta medida injetaria aproximadamente 40 bilhões na saúde pública com a aplicação de 10% do orçamento da União;
Carreira de Estado do SUS
Para que os profissionais não fiquem à mercê de situações políticas, tanto municipais, estaduais quando no âmbito federal. Os profissionais lutam ainda por infraestrutura para a boa prática médica, pelo respeito à população e dignidade Médica.
Tempo apropriado para graduação e residência médica*
Pede que o aumento de dois anos na carga horária do curso de medicina mais a obrigatoriedade de residência em SUS ou Samu seja suspendido. O pedido foi analisado e já foi reiterado.
Médicos estrangeiros devem fazer a prova do Revalida
Profissionais do exterior devem validar seus diplomas no Brasil antes de começar suas atividades.

















