“Muita gente está brincando, mas só quem passou sabe o que é”

Assunto é sério; de superações para alguns e devastador para outros

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Atualizado há 6 anos

“Já enfrentei de tudo; mas nada se compara à Covid-19. Agradeci muito à Deus por estar viva. ”

Sob efeitos de sedativos, Daiane Ferreira não viu os 19 dias em que esteve internada passarem. Moradora de Bituruna (PR), a vendedora de 33 anos, ao receber alta, em setembro, após 12 dias de intubação, foi aplaudida não apenas pela equipe médica, mas também pelos familiares.

 “No quarto, eu só pensava na família. Eu tinha uma foto deles para me dar ainda mais força. Sabia que iria vencer. Quando chegamos no hospital e o doutor falou que eu estava com a Covid, logo falei para o meu esposo que voltaria para casa”, lembra.

(Foto: Reprodução).
(Foto: Reprodução).

Daiane havia feito exames para tratamento renal, quando no mês de agosto apareceram os primeiros sintomas do coronavírus. Ela apresentou tosse seca, dores no corpo e na cabeça. Foi no dia 14 de setembro que ela foi internada na Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) de União da Vitória.

“Cheguei ao hospital com 35 de saturação (ver quadro). Fui sedada e após, quando acordei, necessitaram fazer uma traqueostomia. O médico chegou a dizer que eu só tinha 15% de funcionamento do pulmão. Sabia que meu pulmão estava muito comprometido e os médicos não sabiam por onde começar o tratamento. Não sei se ministraram cloroquina em mim, mas creio que sim”.

Após um turbilhão de sentimentos, Daiane acrescentou no perfil das suas redes sociais que é ela um “milagre de Deus”.

Segundo cálculos da Organização Mundial da Saúde (OMS), Daiane faz parte dos 15% dos infectados de Covid-19 que desenvolvem sintomas graves, como falta de ar, e que precisaram ser hospitalizados.

Quem pertence ao grupo de risco, ou seja, possui mais de 65 anos e alguma comorbidade, como doenças cardíacas, diabetes e hipertensão, tem maior propensão à forma grave da doença. Porém, a OMS adverte que independentemente da faixa etária ou fator de risco, estamos todos vulneráveis.

daianeferreiraA Covid-19 é uma doença causada pelo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, que apresenta um espectro clínico variando de infecções assintomáticas a quadros graves. De acordo com a OMS, a maioria (cerca de 80%) dos pacientes com coronavírus podem ser assintomáticos ou oligossintomáticos (poucos sintomas), e aproximadamente 20% dos casos detectados requer atendimento hospitalar por apresentarem dificuldade respiratória.

Os sintomas podem variar de um resfriado, a uma Síndrome Gripal (SG) (presença de um quadro respiratório agudo, caracterizado por, pelo menos dois dos seguintes sintomas: sensação febril ou febre associada a dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza) até uma pneumonia severa. Sendo os sintomas mais comuns: tosse, febre, coriza, dor de garganta, dificuldade para respirar, perda de olfato, alteração do paladar, distúrbios gastrintestinais (náuseas/vômitos/diarreia), cansaço, diminuição do apetite e dispnéia (falta de ar).

A transmissão acontece de uma pessoa doente para outra ou por contato próximo por meio de toque do aperto de mão contaminadas, gotículas de saliva, espirro; tosse; catarro e objetos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas, talheres, maçanetas, brinquedos, teclados de computador, entre outros.

Do outro lado do hospital

Daiane teve o apoio do futuro marido, Danielson Ricardo Magaldi. Eles já moram juntos, mas irão oficializar a união no dia 18 de dezembro. A data terá uma comemoração maior, pois irão celebrar o casamento e a recuperação da doença.

Pais do Léo e do Davi, Danielson compartilha que um dos momentos mais tensos entre quem pegou a doença, é a confirmação do diagnóstico.  Segundo ele, para quem fica do outro lado do hospital, a busca por notícias e a ansiedade aumentam a cada minuto.

“O diagnóstico da Daiane foi um choque. Pedi muito para que Deus fizesse o melhor por ela, e que olhasse pelos nossos filhos e familiares. Temia que acontecesse o pior. Por vários momentos eu me culpei. Atribui uma parcela dessa culpa por não ter levado ela antes no hospital. Muita gente está brincando, mas só quem passou sabe o que é”.

Daiane esteve sob o cuidado de três médicos.

Sem respirador

Quem viveu um drama parecido foi o bancário e ex-presidente do Avahi Futebol Clube de União da Vitória, Dirceu Candido. Foi diagnosticado com a Covid-19, permanecendo quatro dias internado, e sem necessidade de respirador. “Comecei com os sintomas no dia 9 de novembro, fui ao hospital e me aplicaram soro e pediram o teste da Covid”.

DirceuEle apresentou distúrbios gastrintestinais, como náuseas e fraqueza. Dirceu conta que já saiu do isolamento social e que se recuperou dia pós dia.

Sem desconfiar da doença

Um morador de União da Vitória – que preferiu não se identificar – desabafou com a reportagem que após sentir um mal-estar (fraqueza e dores no estômago), ainda em novembro, buscou atendimento médico em União da Vitória. No local, administram no paciente um medicamento para amenizar os enjoos e orientaram que ele retornasse para casa.

Porém, dois dias depois, em um domingo, o paciente voltou a apresentar os mesmos sintomas e voltou ao hospital. Novamente, recebeu medicamento orientado a retornar para casa. Foi então que orientado realizou o exame da Covid-19.

Para sua surpresa foi diagnosticado com a doença respiratória. Dessa ficou foi internado em uma casa hospitalar. Hoje ele já está em casa e recuperado da Covid-19.

Quando a Covid mata

De repente, a sombra da Covid-19 modificou por completo o colorido da família Barbosa de Porto Vitória (PR). As filhas Maria e Elo, desde o dia 17 de agosto, não tem mais o colo do pai Luiz Carlos.

luiscarlosNa lembrança, ficou o seu fusca na garagem e o amor de um pai. Além das meninas – que também foram diagnosticadas com a Covid, Luiz deixou mais dois filhos e um legado de amigos.

O sentimento de negação também assombrou a família, que ainda sofre com a sua morte. O então presidente da Câmara de Vereadores de Porto Vitória, foi o primeiro óbito registrado pela Covid-19 na cidade. “Ainda é bem difícil acreditar que isso tudo aconteceu e que perdemos o nosso Pai para uma doença. Ele era uma das pessoas mais queridas e que muita gente queria sempre ver bem, ele era muito acolhido no município”.

Luiz ficou 20 dias internado em União da Vitória. Aos 67 anos, ele que também era motorista da ambulância da Secretaria de Saúde, no transporte de pacientes à Curitiba (PR), não resistiu aos sintomas da doença respiratória. Também chegou a ser intubado.

União da Vitória

A Secretaria de Saúde de União da Vitória divulgou no dia 3, novo boletim do monitoramento do coronavírus. O informe passou por uma atualização, sendo contabilizados os dados de laboratórios particulares. Nas últimas 24 horas, foram registrados 15 novos casos, 16 pacientes com quadro de recuperação, 26 novos suspeitos e dez descartados.

O total de casos, desde o começo da pandemia, chegou a 590, sendo oito óbitos, 501 recuperados, 81 em tratamento e 213 casos considerados suspeitos.

Porto União

Nesta quinta, a Secretária de Saúde divulgou seu boletim do monitoramento da Covid-19. O município tem 94 casos confirmados, 69 casos suspeito, 64 descartados através de exames e 106 em monitoramento, pessoas estas que apresentaram sintomas gripais e recebem o acompanhamento das equipes de saúde, nestes casos, ainda sem coleta para material para exames.

Porto União contabiliza desde o começo da pandemia, seis mortes por complicações da doença respiratória.


Entenda

O que pode causar baixa saturação de oxigênio?

(Foi o que aconteceu com em Daiane e Luiz Carlos)

– Quando a saturação atinge valores menores que 90% pode indicar que a oxigenação de sangue está deficiente, o que pode surgir em doenças como asma, pneumonia, enfisema, insuficiência cardíaca ou doenças neurológicas, por exemplo.

Intubação

(Procedimento aplicado em Daiane e Luis Carlos)

– É um procedimento que visa preservar a respiração do paciente durante cirurgias que envolvem anestesia geral, ou em quadros de complicação respiratória grave.

Traqueostomia, para que serve

(Foi o procedimento aplicado em Daiane)

– O principal objetivo é servir como uma alternativa segura para que o indivíduo faça um ciclo respiratório através de outro meio. A única contraindicação para a realização do procedimento é a alteração homeostática.


Retorno das aulas presenciais

O Ministério da Educação (MEC) decidiu revogar a portaria, publicada no dia 2, no Diário Oficial da União, que determinava o retorno das aulas presenciais das universidades a partir de janeiro de 2021, depois de uma série de repercussões negativas. O ministro, Milton Ribeiro, afirmou que irá abrir uma consulta pública para ouvir o mundo acadêmico antes de tomar nova decisão. Agora o ministério vai liberar o retorno às aulas somente quando as instituições também estiverem confiantes de que as aulas podem ocorrer em segurança.

Falha expõe dados da Covid

Uma falha de segurança no sistema do Ministério da Saúde para Covid-19 deixou expostos na internet, por pelo menos seis meses, dados de mais de 200 milhões de brasileiros, conforme divulgou o Estadão. Ficaram abertos os dados pessoais de todo brasileiro cadastrado no SUS ou beneficiário de um plano de saúde, por volta de 243 milhões de registros, com informações como CPF, nome completo, endereço e telefone. O número é maior que a população (210 milhões) porque há dados de gente que já morreu. Como ocorreu na outra falha, a razão do problema foi deixar públicos login e senha de acesso aos dados.


Toque de recolher no Paraná

Em razão do significativo aumento no número de pessoas contaminadas pela Covid-19 no Paraná, o Governo do Estado produziu um novo instrumento jurídico para ajudar a conter a alta na disseminação do vírus verificada nos últimos dias. O decreto 6.284/2020, assinado no dia 1º, pelo governador Ratinho Junior, estabelece limitação de horário para circulação de pessoas no período noturno, o chamado “toque de recolher”. O prazo de vigência é de 15 dias, prorrogáveis ou não.

A proibição valerá durante o fim da noite e a madrugada, das 23 horas às 5 horas. A medida entrou em vigor neste dia 2.  Apenas serviços essenciais, como saúde e segurança pública, ficam liberados da restrição. A Polícia Militar do Paraná vai ampliar a fiscalização, reforçando o trabalho das guardas municipais.

O novo decreto informa que “a expansão de leitos de UTI exclusivos para Covid-19 já se encontra em seu último estágio, havendo falta de recursos humanos, insumos e equipamentos no atual panorama”.

Toque de recolher em Santa Catarina

Após se reunir com representantes da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), o governador Carlos Moisés decidiu no dia 2, adotar novas medidas restritivas para enfrentamento da pandemia no Estado. Em comum acordo com os prefeitos das 21 maiores cidades do Estado, ficou decidido pela implementação de um toque de recolher durante a madrugada e pela manutenção do transporte coletivo, desde que seja respeitada uma ocupação máxima de 70% da capacidade dos ônibus. As medidas valerão para todo o Estado por um período de 15 dias a partir edição do decreto, que deverá ser publicado em até 48 horas.

Também será tornado obrigatório o uso da máscara em todos os ambientes, com exceção dos espaços domiciliares. As medidas têm o objetivo de frear o avanço da doença ao mesmo em que mantêm as atividades econômicas do Estado em funcionamento. Em relação ao comércio, prefeitos e Governo do Estado deliberaram pela possibilidade de ampliação dos horários de atendimento no fim de ano, para não promover aglomerações.

Na parte da noite, os estabelecimentos deverão fechar as portas até as 23h, com a possibilidade de atender os clientes que já se encontrarem no recinto até meia-noite.

Medidas semelhantes também foram adotadas no Rio Grande do Sul.


Casos

Brasil – registra 52 mil casos de Covid em 24 horas (dados 1º de dezembro); País tem 173.862 óbitos e 6.388.526 diagnósticos da doença. Na última semana, foram mais de 38 mil casos registrados por dia, em média.

Estados – levantamento portal G1

Subindo (8 estados): PR, SC, ES, AC, RO, RR, CE e SE

Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (8 estados): RS, AM, AP, PA, BA, MA, PB e PE

Em queda (10 estados + DF): MG, RJ, SP, DF, GO, MS, MT, TO, AL, PI e RN

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