
O debate sobre geração de empregos está aquecido na região. Enquanto os municípios investem em políticas públicas para atrair empresas, paradoxalmente sobram vagas e trabalhadores fogem de cursos profissionalizantes e muitos entendem que se reciclar é perda de tempo. O objetivo desta série de reportagens que começa hoje é identificar em que áreas da indústria, comércio e turismo União da Vitória e Porto União tem maior potencial, assim como diagnosticar quais são os setores em queda. Para tanto é preciso entender as diversidades econômicas, geográficas e sociais dos dois municípios.
De acordo com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), União da Vitória tem pelo senso 2010 do IGBE 52.735 habitantes. Destes 26.136 são considerados economicamente ativos e 24.071 são ocupados. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, União da Vitória tem 12.647 postos de trabalho em 1.539 empresas dos mais variados setores.
O poder público não tem uma área específica de investimentos na geração e empregos. No auge do ciclo da madeira a produção era extrativista (primária) e a grande mão de obra era de serviço braçal. Hoje a prefeitura tenta implantar o polo de piscicultura (criação e transformação), o consolidado polo de esquadrias, portas e janelas e ainda fomenta o setor de plásticos (transformação), entre outros. Do setor extrativista, que não agregava valor à madeira, até hoje muita coisa mudou. As empresas que trabalhavam só com toras, tábuas ou compensados quase não existem mais. A maioria delas migrou para o setor de transformação. Os tempos são outros.
Outro município que busca diversificar suas atividades industriais é Porto União, com 33.619 habitantes, 1.103 empresas ativas. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município, o forte do município são as esquadrias de madeira. Estima-se que a capacidade instalada de produção brasileira de portas seja de 6 milhões de peças por ano, o que significa que nossa região, com 56 fábricas (colocando nesse cálculo os municípios vizinhos), produz efetivamente 18,6% da produção brasileira de portas, já que é responsável por uma produção mensal de 93 mil portas e cerca de 55 mil janelas, ou 1.116.000 portas ao ano e 660.000 janelas por ano. Mas será que essa é a única vocação industrial de Porto União? O interior do município tem panorama inversamente proporcional ao de União da Vitória, onde se vive a agricultura de subsistência.
Diferença tributária
As diferenças tributárias nos municípios catarinenses que fazem divisa com o estado do Paraná pesam sobre Porto União. A questão principal é a tarifa das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Christian Martins, hoje em dia o valor cobrado pela estatal das empresas está distante do que a vizinha Companhia Paranaense de Energia Elétrica do Paraná (Copel).
“As perdas tributárias refletem diretamente na realidade socioeconômica da região. Afinal, as empresas optam pelo estado vizinho pelos valores dos tributos. E a população sofre as consequências, com a falta de oportunidade e altas taxas”, diagnosticou.
Como e onde investir?
Polo de Educação Superior e Técnica Profissionalizante? Turismo Rural e Ecológico? Plástico, gastronomia, portas e janelas? Serviços, centro de referência em Saúde? Os trabalhadores querem emprego com carteira assinada e piso salarial maior do que o padrão regional, que varia em torno do piso salarial do Governo Federal. O poder público quer atender as necessidades do trabalhador gerando empregos, qualificando a mão de obra e evitando o êxodo de talentos locais. Não é uma tarefa simples. Na edição de amanhã O Comércio faz uma radiografia das atividades no campo.