Colóquio, um dedo de prosa: O dilema político do Brasil dante da espionagem dos EUA

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Atualizado há 13 anos

Marilucia Flenik 

O DILEMA POLÍTICO DO BRASIL DIANTE DA ESCANCARADA ESPIONAGEM DOS ESTADOS UNIDOS. Continuamos amigos, ou seremos considerados “inimigos” do “ocidente”, conforme suposição da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos?

A TV Globo denunciou a existência de documentos secretos, vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, que mostram que a NSA teria monitorado conversas entre a Presidenta Dilma e seus principais assessores.

O que este fato pode significar?

Carl Schmitt escreveu que a essência da “política” se constitui mediante o contraponto entre amigos e inimigos. Essa noção está nas raízes de nossa cultura: na antiguidade eram os gregos versus os bárbaros; na idade média os cristãos versus os infiéis, ou os selvagens; na modernidade, com o fortalecimento dos Estados Nacionais, surgiu a dicotomia do nacional versus o estrangeiro; a partir do século vinte a divisão ocorreu entre os países democratas e os comunistas.

Após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), houve um certo equilíbrio político com a tensão existente entre o Primeiro Mundo, formado pelos países componentes da OTAN, o chamado “Ocidente”, e o Segundo Mundo, os países socialistas da União Soviética, da “Cortina de Ferro”. O medo da 3ª Guerra Mundial e o surgimento das armas atômicas segurou os Estados Unidos e a União Soviética, no  sentido de evitarem um confronto direto. O Brasil contava entre os países do  “Terceiro Mundo”, ou seja, periferia com pouca influência na política mundial.

Até meados da década de 1970 houve um incremento no bem estar geral, sendo este período conhecido como a Era de Ouro. Atrás da Cortina de Ferro os russos implementaram os ideais da Revolução de outubro de 1917, colocando em prática alguns conceitos marxistas de organização coletiva, planificando a economia e transformando o país agrário em uma potência mundial capaz de competir pela conquista no espaço. Por seu turno os Estados Unidos da América assumiram definitivamente a liderança mundial com a expansão da tecnologia e o fortalecimento de seu parque industrial e relações comerciais ao redor do mundo.

A tensão entre as ideologias do capitalismo e do socialismo pendeu favoravelmente para o lado do Ocidente. A queda do muro de Berlin simbolizou o reconhecimento de que o socialismo verdadeiro não conseguiu resolver os problemas da convivência humana e os países comunistas, a exemplo da China, renderam-se ao capitalismo, ingressando no mundo globalizado desenhado pelo capital multinacional.

Desta forma, o comunismo deixou de ser a ameaça à identidade dos estadunidenses, necessitando eles de outro “inimigo” a fim de justificar as investidas da nação hegemônica pelo mundo. E ele surgiu na figura do fundamentalismo religioso muçulmano. No Irã o líder iatolá Ruholá Khomeini foi posto no exílio pelo Xá Reza Pavlevi em meados da década de 1960. De Paris comandou a revolução iraniana. A partir do início da década de 1970, passou a pregar uma forma de governo islâmico total, o dever do clero de rebelar-se contra autoridades despóticas e, na verdade, tomar o poder. Em 16 de janeiro de 1979, o Xá partia para o exílio e a Revolução Iraniana tinha vencido.

Enquanto o mundo ocidental providenciara a separação do Estado e da Igreja, desde as Revoluções Francesa e Americana, do final do século XVIII, o mundo islâmico vivencia hoje um movimento de fortalecimento da nacionalidade na afirmação religiosa e cultural do Alcorão. Grupos extremados intervêm na política através de táticas terroristas objetivando minar a força dos Estados Unidos da América e seus aliados. Especialmente a partir de 11 de setembro de 2001, após o ataque terrorista às torres do World Trade Center, a nação que pode ser considerada como berço da democracia e dos direitos humanos, que sempre acolheu levas de imigrantes, fechou as suas fronteiras e partiu para o contra-ataque, invadindo o Afeganistão e o Iraque. Obama vacila diante da possibilidade de um possível ataque à Síria. Foi eleito com um discurso que criticava a atitude intervencionista levada a efeito pelo ex-presidente Bush. Mas e agora? Até o Brasil está sob suspeita… Seria o passado de militante de nossa Presidenta? Duvido… seriam os terroristas que poderiam se abrigar em nosso território, entrando pela mal guarnecida fronteira seca, que faz divisa com quase todos os países da América do Sul?…Sei lá… Enquanto perdurar esta noção de que a identidade de uma nação se forma mediante a oposição do amigo/inimigo, manter-se-á o estado de guerra e de discórdia entre os povos. Será que um dia poderemos dizer: nós, os habitantes da Terra, independentemente de raça, cor, nacionalidade? Podemos ter como utopia a PAZ PERPÉTUA, conforme delineada por Kant? Ninguém sabe e o risco de uma involução é permanente, devido as decisões “políticas”.

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