“Ainda custo acreditar que meu pai se foi para sempre”

Aos 71 anos, Aristeu Vidal foi vítima de complicações causadas pelo coronavírus em União da Vitória

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Atualizado há 6 anos

 

Aristeu Vidal - 4

 

      “Quero prestar uma homenagem ao meu pai, mas ainda doí tanto. Escrevo sobre ele aos prantos”,

desabafa Léia Vidal que perdeu o seu pai para a Covid-19, no dia 24 de janeiro. Até agora, União da Vitória registra 21 mortes em decorrência da doença.

Aristeu Vidal, deixou uma história muito bonita de amizade e carinho pela sua família. É por isso que Léia faz questão de manter viva a sua passagem na aqui na terra.

Homem reservado, o união-vitoriense tinha um carinho enorme em cuidar do som dos cultos onde frequentava. Era lá, que toda a sua discrição era deixada de lado, e dava vez ao seu talento vocal, o qual não media esforços para se fazer presente na igreja.

“Ele era (é) muito especial. Nesses últimos tempos ele não estava saindo muito devido a pandemia”, diz.

Aristeu era casado com a Alaíde, com quem teve quatro filhos: Eliel, Gesiel, Léia e Joel (in memória).

Aristeu Vidal - 2

O aposentado tinha pressão alta.

“Nos primeiros dias o meu pai estava assintomático. Depois, apresentou dores de cabeça e mal-estar, porém não apresentou febre, perda do paladar e nem irritação da garganta. Passados os dias, ele começou a se sentir fraco”, explica.

Léia conta que no dia 2 de janeiro, ela e o pai buscaram auxílio médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele foi medicado e passou a tarde do sábado em observação. Já no dia 5, Aristeu testou positivo para a Covid-19.

“O médico disse que meu pai já estava melhorando da Covid, porém apresentou um quadro de pneumonia leve, mas mesmo assim fomos para casa”.

Dias depois, na quarta-feira, dia 6, Aristeu passou mal e os familiares solicitaram uma ambulância. Neste dia, ele foi para a UTI permanecendo intubado até o dia 24, quando veio a óbito.

“É um processo muito doloroso e ainda custo a acreditar que meu pai se foi para sempre”.

Aristeu Vidal - 5


Fã da Banda Opus Dei

Segundo Léia, a distração do pai era essa: Banda Opus Dei. “Agora restaram os CDs da banda preferida dele como lembrança”.

Aproveita ainda para enaltecer o pai, ao lembrar que foi um avô muito presente e que amava os netos e os bisnetos.

“Ah, ele gostava também de churrasco e de uma Coca-Cola bem gelada depois do almoço”, recorda com carinho.


“Prestem atenção nos sintomas”

Léia pede que a comunidade fique atenta com qualquer sintoma atípico daqui para frente. “Meu pai sentia dores de cabeça e mal-estar, aí tomava remédio, aliviava, mas as dores voltavam. Se cuidem”, faz o alerta.

 

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