Um novo jeito de tecer a rotina

Artesã, Denise Oliveira, encontrou no artesanato a fuga para matar a saudade e ajudar nas despesas do lar

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Atualizado há 13 anos

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Denise de Fátima Oliveira. (Foto: Mariana Honesko).

O estilo elegante esconde uma saudade que apenas o tempo foi capaz de ser suportada. Longe da família que ficou em Ponta Grossa (PR), a artesã, Denise de Fátima Oliveira, trouxe da juventude o remédio para encarar com coragem o desafio e a adaptação. “O artesanato foi uma forma de encontrar renda para ajudar em casa. Antes de vir para cá eu trabalhava fora e fazia o artesanato apenas nas horas vagas”, sorri.

O que era apenas entretenimento virou algo mais sério e das vendas de sua produção manual que aos 36 anos, Denise incrementa o orçamento familiar. O dinheiro não é muito, mas já ajuda. “Pago minhas continhas e compro algumas coisas para casa, para meus filhos”, conta, orgulhosa. Denise e a família moram há quatro anos em União da Vitória. O trabalho do marido gerou a mudança e a despedida dos familiares. “Foi bem difícil. Demorei uns três meses para me acostumar na cidade”, lembra. Agora, a união-vitoriense de coração garante que daqui não sai mais. “Cidade boa, gostosa”, sinaliza. Mais do que encontrar na cidade seu verdadeiro lar, Denise tem no artesanato a certeza da realização. “Sou apaixonada pelo que eu faço. Me dá prazer e ajuda!”, sorri.

De fato, basta um olhar rápido pelas peças para entender o motivo de tanto orgulho. Em um pequeno ensaio de suas produções, Denise reúne exemplares de chinelos decorados com pedraria e uma lista completa de versões para cama, mesa e banho feito com crochê, ao melhor estilo barroco. A criação mais recente tem o meio ambiente como aliado: as mandalas e os aparadores de panelas têm nos CD’s velhos sua principal matéria-prima. “É uma forma de cuidar da natureza. Antes, tudo isso iria para o lixo”, explica. O material, que já não serve mais para ser reproduzido, ganha gores, formas e luz. Na decoração de casa, as peças enfeitam cantos antes sombrios e colocam vida às refeições. Nas versões não clássicas, há até os porta pano de prato e porta-fósforo. “Adaptei técnicas da internet e coloquei um pouco da minha ideia”, sorri.

Habilidade ensinada pela mãe

Ao longo da idade adulta, Denise aprimorou o que já sabia desde menina. Aos dez anos, a então menina já tinha intimidade com agulhas e fios. Logo, saltar para produções mais sofisticadas foi apenas uma consequência. Os primeiros pontos, porém, foi a mãe que lhe ensinou. “E até hoje a mãe faz artesanato, mesmo com 72 anos”, sorri a artesã. Entre as irmãs, Denise foi a única que se destacou na produção artesanal. “Das três, apenas eu quis aprender”, conta.

Onde encontrar?

Denise expõe suas peças na Arte do Porto, na 7 de Setembro, em Porto União. Ela também trabalha com encomendas e recebe clientes em sua casa, no Bairro Cristo Rei. Outras informações: 9936-2336.

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