
Atas das reuniões: do passado até o encerramento, voluntárias foram organizadas e dedicadas
A pandemia da Covid-19 mudou o mundo. Mudou o pensamento, as relações e algumas ações não resistiram a ela. Este é o caso do Clubinho de Mães do hospital APMI, de União da Vitória. O grupo encerrou suas atividades neste ano, depois de uma pausa em 2020 por conta do isolamento e finalmente, por uma decisão de todos os envolvidos. Foi melhor assim, avaliam os envolvidos, afinal, o Clubinho era formado por voluntarias já idosas, perfil de risco para a contaminação do novo coronavírus.
Até o momento, não há definição sobre uma eventual retomada, já que as senhoras voluntárias apresentavam já certo cansaço pelo trabalho e a pandemia ainda não dá sinais de estar perto do fim. O encerramento justamente no Mês da Mulher, é ESPECIAL.
Para a direção da APMI a data será emblemática. “Sem dúvida, o serviço voluntário é um importantíssimo instrumento para a construção de uma cultura de solidariedade, empatia e caridade, a liberdade de fazer o bem por amor, por espontaneidade, por dedicação é impagável. A APMI, través de sua Diretoria e Colaboradores, agradece com reverência o Belo trabalho desenvolvido pelas senhoras do Clube de Mães”, disse, por Nota, a administração do hospital.
Tricô, conversa e café
A história do Clubinho é antiga. Tudo começou em 1936, quando um grupo de voluntárias, de senhoras da comunidade preocupadas com a saúde da criança e da mãe, fundaram a instituição com o nome do atual hospital, a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI). Foi nesse período também que um consultório médico foi criado. Neste primeiro momento, havia distribuição de leite para os mais carentes.
Dentre as propostas desenvolvidas pela APMI, estava o Clubinho de Mães, cuja a finalidade sempre foi a promoção do bem estar da criança. Nasciam das mãos delas, enxovais para mães carentes internadas na APMI, além de orientação para mamães e gestantes sobre diversos temas, como ética, paz, cidadania, direitos humanos e democracia.
O Clube de Mães promovia seus encontros sempre nas segundas-feiras. As reuniões duravam a tarde toda e começam logo após o almoço. A APMI cedia o espaço e doava o café da tarde para o grupo. A organização das senhoras era tão clara e as ações tão benéficas que o clube já virou tema, inclusive, do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do então acadêmico de jornalismo da Uniuv, Murilo Souza.
Filantrópico, nunca houve giro de recursos próprios, mas a construção da solidariedade em forma de doações. “Estamos sempre pedindo para as entidades e tudo o que vem é bem-vindo”, explicou Maria Marcante para um jornal local em 2014. Além de material para a produção das roupinhas, como lã, fios de crochê, agulhas e tecidos, eram recebidas com amor.
“O que não serve para o enxoval, entregamos para a pediatria do hospital. Sempre tem criança carente internada que não tem roupinha para trocar”, completava a presidente na reportagem. “A gente ajuda quem recebe e acaba se ajudando também”.
Final
Conforme a direção do hospital, o encerramento das atividades em 2019 aconteceu em dezembro, com Ata registrando o momento. O retorno anual seria em março de 2020, mas, por força da pandemia, o trabalho foi suspenso. Ao longo do ano passado, todo o estoque de enxoval foi doado às mães necessitadas e atendidas na APMI. Novamente por conta da pandemia, o Clubinho decidiu encerrar o trabalho realizado ao longo por mais de década de existência.
“Nunca podemos dizer que não retornaremos, mas é necessário fazer este rompimento oficial”, continua a Nota.
Homenagem
O resgate de toda a história das senhoras do Clube de Mães é a forma que o hospital APMI encontrou para, neste momento, celebrar o trabalho social desenvolvido no hospital. “Em nome da presidente Maria De Lurdes Marcante, ao longo de tantos anos à frente do grupo, e da vice, Neide Lauriano Leme, queremos agradecer a todas as senhoras, sem exceção, pelo lindo e importante trabalho que fizeram. Foram anos de dedicação abnegada, auxiliando os mais carentes, sempre com carinho e amor. “O hospital jamais as esquecerá”, afirmou a administradora da casa de saúde, Antônia Bilinski.
