
O sorrido fácil de Antônio dos Santos eternizado em imagens ficará para sempre na memória de seus familiares e amigos. Mais do que isso, seu legado de alegria e disposição perpetuará no coração daqueles que o conheceram.
Antônio, ou Nenê para os familiares, perdeu a batalha para a Covid-19 no domingo, 7 de março. Seu falecimento aconteceu em mais uma semana em que o número de mortes diárias no Brasil bateu recorde. Sua morte entrou para a estatística. Sua história – neste espaço – eternizada. A letalidade deste vírus não atinge somente quem perdeu a vida. Ela agride, esposa, irmãos, netos e amigos que agora tem que conviver com a lacuna causada pela ausência repentina. E a ausência machuca.
Ele começou a sentir os primeiros sintomas da doença no dia 21 de fevereiro. Após o diagnóstico, o quadro se agravou. Praticamente a família toda foi infectada. A cunhada de Antônio, Marli, ficou 15 dias de cama.
“Lutar contra essa doença foi pior coisa que já vivi aos meus quase 39 anos”, conta a cunhada que também perdeu o padrasto para a Covid-19.
Sua história
Antônio tinha recém completado 65 anos. Era filho da dona de casa Rita e do ferroviário Laurentino dos Santos Filho. Irmão mais velho de Maria Aparecida, Noeli, (Marli e Eni em memória) e José Jorge.
Criado no Vale do Iguaçu, estudou no Colégio Estadual Túlio de França. Local onde fez inúmeras amizades e evidenciou, segundo os familiares, uma de suas principais características: um amigo admirável.
Por desejo do pai, aos 15 anos começou a estudar Acordeon. Talentoso e dedicado atingiu grandes feitos como se apresentar no Cineteatro Luz com famosos instrumentistas como Teixeirinha e Meri Terezinha.

Serviu no 5º Batalhão de Combate Blidado (5º BEC Bld), onde se graduou como cabo. No Corpo de Bombeiros atuou como salva vidas. Se estabilizou na Loja Ótima, local onde trabalhou por 30 anos. Lá colecionou histórias e inúmeros amigos, sendo conhecido por muitos como Antônio da Ótima.
Casou-se com Nadir Antunes de Lima, sua primeira esposa, com a qual teve três filhos: Suellen Josiane e os gêmeos João Paulo e Julio César. Devido a uma fatalidade, em 2000 ficou viúvo. Reconstruiu sua vida e se casou com Loreci Noronha dos Santos, com quem teve sua quarta filha, Maria Eduarda.
Há cerca de dois anos, procurando uma nova formação concluiu o curso de instrutor de auto escola e atuou por seis meses na profissão. Flamenguista Fanático, passou para seus filhos a paixão pelo Rubro Negro, sendo inclusive sua última postagem no Facebook, uma comemoração ao título de Campeão Brasileiro 2020.
Atuante na sociedade, foi membro da APMF do Colégio Estadual Neusa Domit, membro da comissão organizadora do Campeonato Varzeano de futebol em São Cristóvão, do Campeonato Evangélico de Futsal, além de integrar a diretoria do Clube Atlético União (ACAU) no paranaense de futsal. Era integrante do grupo Alcoólicos Anônimos (AA), dentro do qual tinha orgulho em ressaltar sua sobriedade, atingindo a marca de 35 anos no último dia 20 de fevereiro.

Segundo os familiares, Sempre foi um homem temente a Deus e de muita fé. Conhecido por muitos pelo seu jeito alegre, brincalhão e detentor de um coração imenso, estando sempre disposto a ajudar a todos que precisassem. Era apaixonado pela neta, Helena Lis.
“Um ser humano iluminado, sempre esteve rodeado de muitos amados amigos, dentre os quais se destca o seu irmão caçula José Jorge, fiel escudeiro, que sempre serviu de amparo, tanto nos momentos de alegria como nos de tristeza. Há também aqueles amigos escolhidos por ele irmãos Pastuch e o cunhado, companheiro e confidente Joacir Fernades que, assim como na juventude, sempre ficou do seu lado, vindo o acompanhar até à sua última despedida”, relatam os familiares.
“Família e amigos com o coração dilacerados, confortam-se na certeza de que aproveitou a vida intensamente até o último momento. Com o coração partido, nos despedimos deste pai, avô, tio, padrinho, amigo, Nêne para a família, ou simplesmente, deste mais puro sinônimo da alegria”.
Apelo
Nas palavras da cunhada Marli, o relato de quem vivenciou as consequências físicas e emocionais da Covid-19.
“Esperamos com nossa dor e sofrimento conseguir alcançar pessoas, incentivar que se cuidem, que essa doença é séria. Não é brincadeira”.
