Profissionais exaustos e a saúde beirando o caos.
A realidade repassada através da grande mídia, passa esbarrando pelos Hospitais do Vale do Iguaçu. Isso porque, ainda existem formas de manter nos municípios, os moradores diagnosticados com a Covid-19. Mas, o que parece tão longe já está batendo a porta.
Os três hospitais de União da Vitória e Porto União, estão com lotação superior a 100%. Em algumas situações, pacientes estão ocupados leitos improvisados para o tratamento do coronavirus.
O Hospital Regional São Camilo em União da Vitória está com ocupação máxima, usando o Pronto Socorro para manter pacientes com ventilação mecânica. Se viram como dá.

O mesmo cenário de lotação chegou na APMI – Associação de Proteção a Maternidade e a Infância, também em União da Vitória e no Hospital São Braz Regional de Porto União.
“Estamos lutando para manter pacientes vivos e que eles saiam da melhor forma possível”, desabafou a diretora técnica do hospital São Braz, a médica Amanda Nhoatto.
Há um ano, ela enfrenta na UTI- Unidades de Terapia Intensiva uma verdadeira queda de braço com a Covid-19.
Segundo a médica, desde dezembro de 2020 a situação vem se piorando, e cada vez mais pacientes chegam com sintomas mais graves, com alterações significativas na saturação e progredindo para intubação muito mais rápido.
“Até dezembro, conseguíamos manter esses pacientes com a ventilação mecânica, agora, o comprometimento do pulmão é grande e eles progridem para a intubação muito mais rápido. Estamos lutando para manter esses pacientes vivos e que saiam da melhor forma possível”, comenta.
A Administradora da APMI, Antonia Bilinski, em um vídeo divulgado pela prefeitura de União da Vitória, faz um desabafo semelhante.
“Os pacientes internados na UTI estão muito graves, e os que estão na enfermaria, o caso evoluir e necessitarem de UTI, não vamos ter vagas”.
Ela também enfatizou sobre o limite dos trabalhadores de saúde.
“Todos estamos fazendo o possível, por favor nos ajude”.
Os profissionais de saúde que estão na linha de frente, são médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, farmacêuticos, atuantes na copa, na cozinha, na limpeza e na administração. Todos exaustos em uma pandemia que já dura um ano, sem prazo para acabar. “
Estamos exaustos de tanto trabalho”, lembrou a médica Amanda Nhoato.
Segundo Amanda, a progressão dos pacientes desde dezembro mudou. Com isso, a rotatividade em unidades intensivas ou semi intensivas também. “
Hoje o tempo de utilização de um leito é muito maior do que há um ano atrás. Isso é reflexo das variantes”.
O Hospital São Braz também é uma Unidade Oncológica, que não para. As cirurgias oncológicas não podem ser adiadas, como é o caso das cirurgias eletivas. Por isso, leitos intensivos também precisam estar disponíveis para esses pacientes. “
Nós não queremos escolher qual paciente vamos internar”, comenta a diretora.
Para Nhoatto, a fila de espera é o reflexo das variantes que já estão circulando, deixando a doença muito mais grave.
“Se as pessoas não se cuidarem, não seguirem as medidas, não vai ter leito para todo mundo. E nós, não queremos chegar no ponto de escolher quem vive ou deixa de viver”.
A médica também lembra que as aglomerações possuem uma carga viral muito alta. Atualmente, a faixa etária dos pacientes também mudou.
“Temos pacientes jovens internados, com menos de 40 anos e intubados. Não existe mais aquele padrão de pacientes idosos e repletos de comorbidades”.

Para ela, que junto com tantos outros enfrentam a batalha diária contra a morte, esta época, era para ser festiva.
“Esperávamos que neste ano, já tivéssemos a contagem regressiva para tirar as máscaras, abraças alguém. Isso não está acontecendo, está muito pior que o ano passado. Estamos no pico”, desabafa a profissional que há um ano não recebe na testa o beijo carinhoso do pai. “Não quero que isso continue”.
A profissional como tantos outros clamam para que a população se cuide, se conscientize e mantenham os cuidados necessários. Não existem mais leitos disponíveis e mesmo que abertos outros, não há profissionais para atender toda a demanda.
“As equipes usam equipamentos que machucam, que esquentam, mas seguem firmes, por favor, façam a sua parte, não queremos perder mais ninguém”.
Para Nhoato, a luz no fim do túnel existe: a vacinação em massa e a prevenção.