Por Mariana Honesko
Estimativas apontam para uma realidade assustadora. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Porto União, o consumo de álcool aparece em cerca de 80% dos acidentes de trânsito, especialmente os do final de semana. “E os que têm o álcool envolvido são mais graves ou as próprias vítimas agravam sua própria situação, se mexendo, não respeitando as nossas orientações”, avalia o soldado João Paulo.
A porcentagem ganha ainda maior dimensão quando os números nacionais são avaliados. Pesquisas mostram que, no mundo, cerca de dois milhões de pessoas morrem por ano em decorrência dos acidentes de trânsito. No Brasil, os dados colocam o país em um lamentável índice: ele é o quinto com mais mortes no trânsito.
Pensando na relação do consumo de bebida com os dados sempre crescentes, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), escolheu o álcool e outras drogas – na integra, “Álcool, outras drogas e a segurança no trânsito: efeitos, responsabilidades e escolhas” – como tema da Semana Nacional de Trânsito. “Não estamos criticando o uso da bebida alcoólica. A pessoa é livre, mas deve ter consciência que não deve usar isso como uma arma no trânsito. A mistura é muito perigosa”, avalia a coordenadora do setor de Trânsito de União da Vitória, Serli Correia de Vasconcellos Olivetti.

Até sábado as Cidades Irmãs mobilizam-se em torno de uma campanha especial de conscientização. Palestras, ações informativas e até uma simulação de acidente estão previstas. A mobilização cruza os limites de território e envolvem a comunidade na defesa de uma mesma causa. A Semana Nacional, prevista no artigo 326 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), prevê uma reflexão sobre a responsabilidade no sistema viário.
Infração dói no bolso
A Lei 11.705, popularmente batizada como “Lei Seca”, alterou já por duas vezes seu texto. A mudança sugere mais rigidez contra quem bebe e vai para o volante. Além de ampliar as provas – agora outros meios, além do bafômetro, podem comprovar o consumo – o projeto dobra o valor de multa, que passa de R$ 957,69 para R$ 1.915,40. Será cobrado o dobro do valor – ou seja, R$ 3.830,50 – em caso de reincidência dentro de um mesmo ano. “O Brasil é um dos países mais rígidos na América Latina”, avalia Sirlei.
Os prejuízos podem ser ainda maiores. O motorista que conduz seu carro ou moto embriagado é preso em flagrante e da cadeia só saí quando pagar fiança. A multa custa, em média – e no mínimo – dois salários. “Além disso, ele vai responder, se for primário, uma transação penal, onde normalmente o promotor oferece como multa o pagamento de uma cesta básica. Lá se vai mais um salário mínimo”, endossa o sargento Macheli, auxiliar na sessão de Trânsito da Polícia Militar de Porto União.
Motoristas alcoolizados também tem sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por um ano. “Isso se ele apenas dirigir, sem ter batido em ninguém ou em algum carro”, lembra o sargento. Segundo o militar, em Porto União as ocorrências diminuíram desde a criação da Lei Seca. Para ele, a redução é fruto de uma cultura que começa a mudar, somado às fiscalizações, que também aumentaram. “Dirigir embriago é um péssimo negócio. Faz mal para a saúde e para o bolso”, afirma. “O álcool é o maior combustível das ocorrências atendidas pela Polícia Militar”, completa.
Hoje é dia de ação na rua e palestra

Horário: das 11 às 12h30
Ponto: Avenida Júlia Amazonas e no Colégio São Cristóvão
Horário: das 13h30 às 15 horas e das 15h30 às 17 horas
Ponto: Terminal Urbano, Praça Visconde de Nácar, esquina do Faustão
Palestra na Fafiuv
Horário: 19 horas
Ponto: sala multimídia