Por Mariana Honesko
Aos 31 anos e mãe de três crianças, Gisele Tranco de Ramos enche os olhos de lágrimas quando olha as condições de seus poucos móveis. Boa parte foi prejudicada pelas cheias. O desgaste não é apenas do final de semana. “Na verdade faz apenas três meses que eu voltei para casa e agora preciso sair de novo”, lamenta a catadora de papel. Novamente, Gisele deve ser levada para abrigos temporários, até que o nível do Rio Iguaçu recue e deixe sua pequena casa de madeira na Rua Professor Weinand, no Bairro Santa Rosa, em condições para o retorno.

Situação semelhante vive a desempregada Tânia Mara Saraiva. Do outro lado do rio, no Distrito de São Cristóvão, no Conjunto Panorama, ela arruma sua mudança antes que a água entre em casa. “Já está na porta de casa”, diz, mantendo o bom humor. No bairro, Tânia já passou por outras duas enchentes. “Mas não é fácil. O piso da cozinha já afundou todo”, conta.
No final de semana, a chuva que veio com força e intensidade deixou em alerta os órgãos de Defesa Civil dos municípios da região. Em União da Vitória e Porto União os prejuízos atingem especialmente quem mora às margens do Iguaçu. Ontem, os desabrigados procuraram os setores públicos para receber auxílio com mudança e encontro de abrigos. O trabalho foi longo e deixou em alerta as secretarias de Obras, Ação Social e Saúde.
Defesa Civil em alerta
No encerramento desta edição o nível do Rio Iguaçu era ?5,50?. Para a Defesa Civil, o número coloca a equipe em alerta, mas é apenas a partir dos seis metros que a preocupação aumenta. Até lá, seguem as remoções de famílias – elas vão para abrigos temporários ou para casa de parentes – e a torcida por menos chuva. “Nós sabemos que embora o rio tenha bastante pra subir, sabemos que houve muita chuva nos afluentes e essa água toda passa por União da Vitória”, comenta do chefe do órgão no município, Márcio Roiek. “Estamos torcendo para que não chova mais nesta semana e a situação seja normalizada”, completa.
Em Porto União a postura é idêntica e contempla, ainda, as estradas e comunidades rurais. “Rodovias também estão sendo vistoriadas. A gente está de plantão, verificando todas as emergências”, explica o representante da Defesa Civil, Paulo Buch.
Previsão alerta para volta do tempo estável
Os dias devem ser mais frios e bem menos chuvosos. É com essa frente que os meteorologistas do Cimepar trabalham. De acordo com Tarcisio Valentin da Costa o tempo deve ficar estável a partir de hoje. Amanhã, contudo, as temperaturas caem consideravelmente. Para a capital, a previsão é de zero grau e na região os termômetros podem chegar os dois graus.
Bairro São Basílio Magno sofre com enxurradas
A leitora Ruana Walczak registrou os danos provocados na Rua Jacob Bogus, no Bairro São Basílio Magno. Na comunidade, as bocas-de-lobo não suportam a força da água. Assim, garantem os moradores, basta um pouco de chuva para que grandes estragos ocorram. No final de semana a água invadiu algumas residências. A reportagem de O Comércio já apurou o caso e em outras edições publicou a posição da secretaria de Obras: o órgão garante que o problema deve ser resolvido em breve.
Bairros já atingidos com as cheias
União da Vitória
Panorama, Limeira, Cidade Jardim e Rio d’Areia
Porto União
Santa Rosa
Corpo de Bombeiros registram prejuízos
Desde sexta-feira, 20, a companhia trabalha nos atendimentos das emergências. De acordo com os militares, houve destelhamentos e quedas de árvores, inclusive um eucalipto no quilômetro, 330, da BR-476. Os Bombeiros sugerem que as pessoas que moram nas áreas ameaçadas procurem sair de casa antes que a água invada os lares. O pedido, mais do que evitar prejuízos materiais, ajuda para que animais peçonhentos não entrem nas casas já secas. Ratos, cobras e aranhas são bastante comuns após as cheias.