Guedes diz que às vezes tem sido mal interpretado

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Atualizado há 5 anos

Após se envolver em polêmicas ao citar o “filho do porteiro” que foi para a universidade e dizer que “o chinês inventou” o coronavírus, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu, que, com frequência, usa “expressões infelizes”.

Guedes participou de audiência pública conjunta a cinco comissões da Câmara dos Deputados. Ele usou boa parte de suas falas nas mais de cinco horas da sessão para se justificar e contextualizar frases ditas por ele e que repercutiram mal.

Ele alegou, por exemplo, que foi mal interpretado quando disse que R$ 5 bilhões seriam suficientes para “aniquilar” a covid-19 no começo da pandemia. “Foi tirado de contexto, lamento. Foi uma expressão ruim que usei para parabenizar parlamentares da oposição que se uniram no combate ao vírus”, afirmou. “Eu, volta e meia, solto uma expressão infeliz, que é tirada de contexto.”

Guedes também tentou explicar a fala de que todo brasileiro quer viver por 100 anos e que o Estado não teria capacidade para acompanhar o aumento da longevidade da população. “Tiraram totalmente do contexto. Eu estava justamente defendendo voucher e mais recursos para a Saúde. Não é só o rico que tem o direito de viver 100, 120 anos”, argumentou o ministro .

Na audiência, parlamentares da oposição confrontaram o ministro sobre suas falas polêmicas e erros de projeção na pandemia, e sobre temas como a alta do dólar e dos preços de alimentos, combustíveis e do gás de cozinha.

Em tom jocoso, o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) lembrou promessas de Guedes, como a de zerar o déficit ainda em 2019 e arrecadar R$ 1 trilhão em privatizações. “A única promessa cumprida foi quando no início do governo vossa excelência disse que, se fizesse muita besteira, o dólar bateria R$ 4. O dólar de fato bateu R$ 4, vossa excelência fez muita besteira”, completou o parlamentar. Na tarde desta terça, o dólar é cotado na casa dos R$ 5,42.

“O deputado Kim fala da promessa de zerar o déficit ignorando a pandemia. O Kim é jovem, não é grupo de risco, está sentado em casa ao invés de estar aqui no Congresso. Eu não estou em casa, estou no ministério”, rebateu Guedes, com outra provocação.

O ministro tentou mais uma vez se explicar sobre falas polêmicas sobre empregadas domésticas (“que estavam indo para a Disney”) e sobre o filho do porteiro (“que entrou na faculdade com nota zero”): “A mãe do meu pai era empregada doméstica. Vergonha zero, ascensão social é assim. O meu pai não conseguiu fazer curso superior, trabalhou a vida inteira. Eu estudei em escolas públicas e já tive condições melhores de ascensão social. Foi um trabalho de quase três gerações.”

Guedes também disse que “jamais” teve projeto de taxar livros. Em julho do ano passado, porém, Guedes levou pessoalmente ao Congresso a primeira fase da proposta de reforma tributária do governo, com a criação da Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), com alíquota de 12%. O novo tributo substituirá o PIS e a Cofins – que hoje não são cobrados sobre os livros.

Em agosto de 2020, Guedes confrontou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) sobre essa taxação. “Tenho certeza que o deputado tem dinheiro para comprar livros e pagar o imposto, ele está preocupado com as classes mais baixas. Mas a população mais pobre está mais preocupada em sobreviver do que frequentar livrarias como nós. Vamos doar os livros para as pessoas mais pobres, e não isentar o deputado Marcelo Freixo”, respondeu Guedes na ocasião.

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