Hospitais lotados e adaptação de leitos. Essa é nova situação pandêmica vivida pelos moradores de União da Vitória.
O Secretário de Saúde, Fernando Ferencz, afirmou que “esta é a pior fase no município na pandemia”, tendo em consideração o volume de pessoas internadas e buscando atendimento. Segundo ele, ainda não há como saber se existe uma nova variante da Covid-19 em circulação no município.
Até segunda-feira, 10, União da Vitória apresentava 88 casos suspeitos; 312 casos confirmados ativos para doença e 75 óbitos. Desde o início da pandemia foram registrados 4.356 casos e 8.138 testes realizados para a Covid-19.
“Não pode acontecer o relaxamento por parte da população, principalmente em relação aos cuidados sanitários como o uso de máscaras e o distanciamento social”, comenta o secretário.
O secretário na sexta-feira, 07, pontuou à reportagem que a cidade se encontra com 100% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com Covid-19 ocupados.

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que fica na área central, também houve aumento da demanda de pacientes com sintomas e que necessitam de atendimento emergencial. Vale lembrar que as UPAs não possuem protocolo de internação, sendo que o propósito dessas unidades é acolher os pacientes e estabilizá-los para transferências.
“A nossa preocupação é com o número de casos suspeitos hoje no município, pois tememos que estes apresentem diagnóstico positivo para a Covid e que evoluam para internação. A evolução da doença é muito rápida e a preocupação se refere à necessidade pelos leitos de UTI; para muitos a ficha ainda não caiu diante da gravidade da doença”, diz Fernando.
No sábado, 08, pela manhã, foi realizada uma reunião com a equipe que atua na linha de frente da Covid-19 para tratar das medidas preventivas da doença. O repasse das informações aconteceu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de União da Vitória.
Como estão os hospitais da região?
O Vale do Iguaçu possui 19 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) específicas para Covid-19, sendo oito no Hospital Regional e três na Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) em União da Vitória; também existem oito leitos no Hospital São Braz, em Porto União.
Atualmente, todos esses leitos estão ocupados. A enfermaria da APMI possui cinco leitos específicos para Covid-19, todos estão sendo usados. No Hospital Regional, a taxa de ocupação de leitos específicos para o tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus é de 98%.
Segundo um funcionário da APMI a situação é caótica, não havendo mais leitos para internar os pacientes, que precisam ficar em torno de 50 dias internados para se recuperarem completamente.
A macrorregião leste do Paraná, da qual União da Vitória faz parte, possui 93% de ocupação de leitos de UTI Covid-19, segundo o último boletim, divulgado no domingo, 09. Os leitos disponíveis em União da Vitória são os únicos específicos para Covid-19 na região da 6ª Regional de Saúde, atendendo também os municípios de Antônio Olinto, Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Paula Freitas, Paulo Frontin, Porto Vitória e São Mateus do Sul. A 4ª Regional de Irati, que compreende municípios como Rebouças, Rio Azul, Mallet e Irati possui 12 leitos de UTI, todos ocupados.
Em Santa Catarina, a macrorregião do Planalto Norte e Nordeste possui 95,41% de taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19, segundo dados de segunda-feira, 10. A região da Associação dos Municípios do Planalto Norte Catarinense (Amplanorte), que pertence a essa macrorregião, possui três cidades com leitos específicos para Covid-19, sendo Porto União, com 100% dos leitos ocupados; Canoinhas, com 85% de ocupação; e Mafra, com 80,39% de taxa de ocupação. Joinville, que também faz parte dessa macrorregião, possui 98% de ocupação.
Porto União
Dados divulgados no dia 09 pela Secretária de Saúde, informam que o município possui 62 casos suspeitos; 301 casos ativos, 2.328 recuperados e 45 óbitos por complicações da Covid-19. Desde o início da pandemia até o momento, foram 2.674 casos em Porto União.
Brasil
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse em março deste ano, que o estado da pandemia no País é muito preocupante e que medidas sérias precisam ser tomadas para lidar com o aumento de casos e mortes em muitas cidades brasileiras. Segundo ele, “a menos que medidas sérias sejam tomadas, a tendência de alta, agora sobrecarregando o sistema de saúde e superando sua capacidade, resultará em mais mortes”.
Sonho da maternidade interrompido

O sonho de viver a maternidade foi interrompido precocemente para uma moradora de União da Vitória. Ontem, 10, a paciente, que não teve a identidade revelada, morreu, aos 33 anos, devido à complicações causadas pela Covid-19. Ela era diabética. A mulher, no dia 15 de abril, procurou a UPA, apresentando tosse e dores nas costas. Já no dia 18, seu quadro evoluiu para taquicardia (aumento da frequência cardíaca), saturação baixa, tosse e náusea. Ela foi mantida em observação até o resultado do exame. A paciente necessitou de internação e teve o seu bebê enquanto recebia o tratamento para a Covid. O bebê passa bem e recebeu alta hospitalar no dia 09. O pequeno nem pôde se aconchegar no colo de sua mãe.
De acordo com o Sistema Estadual de Regulação, reportados pelo Portal G1 em março deste ano, os internamentos por Covid-19 de pessoas com idades entre 31 e 40 anos aumentaram 140% entre julho de 2020 e fevereiro de 2021 no Paraná. Ainda de acordo com os dados do sistema, considerando os pacientes entre 41 e 50 anos, o aumento de internações pela doença no período foi de 128%, e entre as pessoas de 51 a 60 anos, alta de 88%.
Segundo os registros, o número de internações de pacientes com coronavírus, entre 31 e 60 anos, mais que dobrou no período, com aumento de 107%.
NÃO RELAXE
Usar máscara de proteção, manter os cuidados básicos de higiene e evitar aglomerações, mesmo com a flexibilização do isolamento, são medidas imprescindíveis enquanto perdurar a pandemia.
Quais o as principais formas de transmissão da Covid-19?
- gotículas de saliva;
- espirro;
- tosse;
- catarro;
- contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;
- contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.
Quais são as complicações da Covid-19?
Embora a maioria das pessoas com covid-19 desenvolvam sintomas leves (40%) ou moderados (40%), aproximadamente 15% podem desenvolver sintomas graves que requerem suporte de oxigênio e, cerca de 5% podem apresentar a forma crítica da doença, com complicações como falência respiratória, sepse e choque séptico, tromboembolismo e/ou falência múltipla de órgãos, incluindo lesão hepática ou cardíaca aguda e requerem cuidados intensivos.
Quais as diferenças dos sintomas da Covid e gripe/resfriado?
Os sintomas são muito semelhantes. Muitos casos podem ser assintomáticos e boa parte evoluir com coriza, tosse, febre e dor no corpo. Os sintomas, muitas vezes, são difíceis de serem relatados por uma criança menor. Os quadros severos acometem mais os pulmões e evoluem com febre alta e falta de ar, com desconforto respiratório. Estes são sinais de alarme de um quadro mais severo.