O Ministério da Saúde decidiu na terça-feira, 11, suspender o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca em gestantes e puérperas após o registro da morte de uma grávida do Rio de Janeiro que havia sido vacinada. O evento adverso já havia feito a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orientar, na noite de segunda-feira, 10, a interrupção da utilização do imunizante nesse grupo populacional.
A decisão do ministério, disse a pasta, foi tomada por precaução até que seja concluída a investigação para determinar se o óbito tem ligação com a vacina, o que deve ocorrer nos próximos dias.
O órgão federal determinou também que a campanha de imunização com qualquer vacina contra a covid-19 fique restrita a gestantes com comorbidades, que são as que têm o maior risco de agravamento da doença e para quem os benefícios da vacina superam eventuais riscos. No novo cenário, portanto, apenas gestantes com alguma doença crônica poderão ser vacinadas e somente com os imunizantes Coronavac ou da Pfizer.
De acordo com o ministério, os eventos adversos das vacinas contra o coronavírus são extremamente raros. Até agora, das 22.295 gestantes imunizadas contra a covid no País (somadas as aplicações das vacinas da AstraZeneca, Pfizer e Coronavac), foram registrados 408 eventos adversos, dos quais somente 11 foram considerados graves. Oito deles já tiveram a relação com a vacina descartada.
Sobre as gestantes que já tomaram a primeira dose da AstraZeneca, a orientação do ministério é esperar a conclusão da investigação do caso e novas recomendações federais antes de tomar a segunda dose. Essas mulheres também não devem tomar segunda dose de outro fabricante já que não há estudos sobre eficácia e segurança da mistura de imunizantes diferentes.
O ministério informou que a gestante morta tinha 35 anos e morava no Rio. De acordo com a Anvisa, a paciente teve um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico que resultou no óbito da mulher e do feto.
O obstetra e secretário de Atenção Primária à Saúde do ministério, Raphael Parente, esclareceu que a própria gravidez aumenta o risco de problemas de coagulação, como tromboses, e que, por isso, é preciso finalizar a investigação para determinar se foi a vacina a causadora do óbito. Por ano, são esperados 3 mil casos de trombose entre gestantes, disse Parente.
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato, disse que os eventos adversos são extremamente raros e o risco de uma gestante morrer de covid é muito maior do que qualquer risco da vacina.
“O número médio de internações de gestantes por covid é de 200 por 100 mil gestantes. (O número de) Óbitos é de aproximadamente 20 por 100 mil. E a trombose por plaquetopenia pós-vacinação é 1 caso por 100 mil. Esse é um evento bastante raro”, declarou.
O governo de São Paulo retomará no dia 17 a imunização de grávidas e puérperas (mulheres que deram á luz há até 45 dias) contra covid-19 com as vacinas da Pfizer e a Coronavac. O anúncio foi feito na quarta-feira, 12, após o Ministério da Saúde suspender o uso do imunizante Oxford/AstraZeneca em gestantes. Já o impasse para a liberação de insumos para fabricar mais doses da Coronavac, diz a gestão paulista, ainda não foi resolvido.
A decisão do governo federal ocorreu após a morte de uma grávida no Rio, que havia se vacinado. O elo entre o óbito e o imunizante, porém ainda será investigado.
Conforme o ministério, gestantes podem receber doses da Coronavac e da Pfizer, desde que tenham comorbidades, como hipertensão e diabete.
No dia 21, começa em São Paulo a imunização das pessoas, com idades entre 45 e 49 anos, que tenham deficiência permanente ou comorbidades.
A partir de hoje, estações do metrô, CPTM e ônibus também passam a oferecer a vacina. A aplicação de doses estará disponível na estação Corinthians-Itaquera, na linha 3 (Vermelha) do metrô , entre outros pontos.
No dia 17, os pontos de vacinação serão expandidos também para outras três estações da linha 4 (Amarela) do metrô: República, Pinheiros e Butantan. O funcionamento será entre 9h30 e 17h.
O governador João Doria (PSDB) disse que o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) para a produção da Coronavac no Brasil acaba na quinta-feira, 13, e a próxima entrega da China pode ser prejudicada por “entraves diplomáticos” causados pelos constantes ataques do presidente Jair Bolsonaro ao país asiático. Na semana passada, Bolsonaro sugeriu que os chineses fazem “guerra química” com o coronavírus.
O Instituto Butantan concluiu esta semana a entrega do primeiro lote contratado pelo ministério, que previa 46,1 milhões de doses. O segundo contrato prevê mais 56 milhões.
Segundo Doria, 10 mil litros do insumo, suficientes para cerca de 18 milhões de doses, já estão prontos no laboratório da Sinovac e aguardam apenas a liberação por Pequim. Ele relatou uma conversa “produtiva” com Yang Wanming, embaixador da China no Brasil, mas ainda não há previsão de quando o carregamento será entregue.
Após lentidão do governo Bolsonaro na negociação de vacinas, a campanha de imunização no Brasil tem sofrido com a escassez de doses e a falta de previsibilidade. Os atrasos na liberação da Coronavac têm feito com que várias cidades adiem a aplicação da 2ª dose.