União da Vitória tem novas restrições para frear avanço da Covid-19

No decreto consta o lockdown total aos fins de semana. Porto União seguirá decreto estadual

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Atualizado há 5 anos

A prefeitura de União da Vitória apresentou na manhã de ontem, 17, durante uma coletiva de imprensa, as novas medidas restritivas adotadas pelo município visando conter o avanço dos casos de Covid-19. O decreto nº255/2021 entrou em vigor às 00h de hoje, 18.

Segundo o prefeito, Bachir Abbas, o decreto foi confeccionado após uma reunião entre a Prefeitura e órgãos como Associação de Turismo e Meio Ambiente (Atema), Câmara de dirigentes e Lojistas (CDL), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e também com os supermercadistas. As principais medidas adotadas são o toque de recolher entre as 20h30 às 6h, intensificação da fiscalização, aplicação de multas de R$600,00 para pessoa física e R$7.000,00 para pessoa jurídica em caso de descumprimento do decreto e paralização de aulas presenciais em todas as escolas, cursos técnicos e faculdades tanto da rede pública quanto da rede privada.

O comércio poderá funcionar das 9h às 18h de segunda a sexta-feira, e das 9h àsb aos sábados. Academias tem autorização de funcionamento das 6h às 20h30, de segunda-feira à sábado, com limitação de 30% de ocupação. Atividades religiosas presenciais podem receber até 15% da capacidade do local, desde que respeitando o horário do toque de recolher.

Também está previsto o lockdown total nos dois próximos finais de semana, tendo validade a partir das partir das 20h30 do sábado, 22, até às 6h de segunda-feira, 24, e também das 20h30 do sábado, 29, às 6h de segunda-feira, 31. Durante esse momento de maior restrição, será permitido o funcionamento de farmácias, postos de combustível apenas para abastecimento, hospitais e serviços de delivery. Demais estabelecimentos não terão permissão para funcionar.

“Indiferente das decisões serem populares ou impopulares nós temos que tomar decisões agora. É o momento de os governantes tomarem decisões. O nosso principal foco é a preservação da vida, e é isso o que faremos. Sabemos que haverá muitas críticas, mas as críticas não nos abalarão porque nós estamos tomando as decisões corretas, decisões que são necessárias. Tentamos com esse decreto continuar com a atividade econômica porque ela é importante, mas o principal foco nosso é a preservação da vida”, comentou Bachir.

Na oportunidade, as autoridades presentes também fizeram um apelo para que a comunidade ajude a denunciar situações de aglomeração por meio do disk denúncia.


Pior momento da pandemia em União da Vitória

“A situação está bem complicada, caótica”

Disse o secretário de Saúde de União da Vitória, Fernando Ferencz, no sábado, 15, em entrevista à CBN Vale do Iguaçu. Até ontem, 17, União da Vitória contava com 408 casos confirmados ativos, 144 casos suspeitos e 84 óbitos. Os dados são do boletim divulgado no mesmo dia.

De acordo com Fernando, à medida que o número de casos confirmados aumenta, percebe-se também um crescimento no número de pessoas com sintomas graves e que precisam de internação. Por isso, o secretário lembrou sobre a importância de se procurar atendimento assim que aparecerem os primeiros sintomas, visando aumentar o controle dos casos e evitar que pessoas contaminadas circulem pelo município.

“Todo e qualquer sintoma gripal a gente tem que relacionar com a Covid. Toda pessoa que tiver esses sintomas, por favor, dirija-se à UPA. Faça a coleta do exame para que a gente tenha esse controle maior. Para que seja isolado em casa. Para que a gente não tenha essa situação de transmissibilidade cada vez maior desse vírus. Quanto antes a gente for até a UPA e tiver a confirmação da Covid a gente consegue monitorar e fazer com que as pessoas contaminadas não fiquem nas ruas espalhando o vírus”, explicou.

Fernando Ferencz, secretário de saúde de União da Vitória. (Foto: Jaqueline Castaldon).

Fernando também abordou a mudança no perfil dos infectados. Agora percebe-se um maior acometimento em jovens e também em crianças. Para ele, este pode ser um sinal de que o vírus está mutando e, com isso, atingindo pessoas de faixas etárias diferentes, uma vez que os idosos estão sendo vacinados.

“As pessoas idosas que estamos noticiando os óbitos praticamente todas não tinham completado o esquema vacinal. Estavam só com a primeira dos dose da vacina ou estavam com as duas doses, mas ainda não tinham completado aquele tempo que leva para criar a imunização no corpo que é de 15 a 20 dias”, relatou.

O secretário comentou, ainda, sobre a importância de se evitar aglomerações. Fernando tomou como exemplo o caso ação conjunta entre a fiscalização municipal e a Polícia Militar que no sábado, 08, interditaram um estabelecimento que realizava uma festa clandestina. Na ocasião, 111 pessoas foram multadas.

“Se dessas 111 pessoas 10 estiverem contaminadas elas vão contaminar todos que estão lá dentro. Aí esses 111 levam (o vírus) para dentro das casas e contaminam mais dois ou três no mínimo, então não para de crescer. É uma bola de neve. A ideia é que venha a vacinação, a gente consiga imunizar cada vez mais pessoas e o vírus comece a decrescer no município, mas a gente precisa do auxílio da população para que ele não se propague mais ainda”.  


Porto União aguarda novo decreto estadual

Até o fechamento da edição de ontem do Jornal O Comércio, ao contrário de União da Vitória, a administração de Porto União não havia apresentando novas medidas para a contenção da onda de crescimento da transmissão do coronavírus na cidade. O prefeito Eliseu Mibach justificou que está sendo aguardado um posicionamento do Governo de Santa Catarina ou mesmo, a reedição do decreto vigente no Estado.

Em entrevista à CBN Vale do Iguaçu ontem, 17, o gestor afirmou que neste momento de fragilidade sanitária é preciso manter a cautela na tomada de decisões.

“Nós estamos muito preocupados com os números de casos da Covid que estão altos, mas nós precisamos realmente tomar algumas decisões importantes. Precisamos de muita cautela e não podemos nos deixar levar pelo sensacionalismo; precisamos ouvir os técnicos, aquelas pessoas que estão trabalhando na pandemia desde março do ano passado e, que estão no dia a dia trabalhando com esse problema”.

Eliseu Mibach, prefeito de Porto União. (Foto: Arquivo CBN).

De acordo com o prefeito, o Comitê de Crise – criado especificamente para tratar da Covid-19 em Porto União, tem feito reuniões diariamente.

“Estamos tomando as decisões necessárias e procurando dar o melhor atendimento possível para todas as entidades e, para todos os pacientes da Secretaria Municipal de Saúde. Volto a repetir, é uma decisão técnica. Nós prefeitos não podemos nos deixar influenciar por algumas pessoas que, acima de tudo, querem promover um sensacionalismo e aparecer de alguma forma, seja ela politicamente ou de outra forma. Nós iremos tomar uma decisão técnica. Estamos aguardando um decreto do Governo do Estado e posteriormente vamos avaliá-lo. Aqui, em Porto União, nós vamos com muito cuidado, com muita serenidade para não prejudicar ninguém”.


“Precisamos conscientizar a população”

O prefeito defende a necessidade de conscientização da população diante do aumento dos casos da Covid. Exemplificou que a administração tem feito a sua parte, como é o caso da delimitação do uso de parques e praças, porém, segundo Eliseu, a população tem retirado a fita isolante, por conta própria, e utilizando dos espaços.

“O que precisamos é ter consciência de que estamos na terceira onda da Covid.  Neste momento precisamos ter toda a cautela, toda a calma, toda a tranquilidade e ter segurança no uso de máscaras e evitar aglomerações.  A população deve ter a consciência de que deve parar um pouco, esperar passar tudo isso passa para depois voltar às ruas, voltar a fazer as festas, participar dos passeios, dos eventos. Agora não é o momento”.

O gestor acrescenta que Porto União contabiliza mais de 20% da população vacinada contra a Covid. “Precisamos ter calma e devemos conscientizar as pessoas de que devemos ficar em casa, isso se possível. Agora eu não concordo em fechar o comércio; não concordo em lockdown, e também não concordo em qualquer decisão restritiva ao trabalho, porque está tudo difícil. As pessoas não conseguem ficar sem trabalhar e não tem como a administração municipal intervir nessa questão. Aqui em Porto União serão tomadas as decisões mediante o decreto estadual. Se o governador decretar o lockdown ou o fechamento, aí nós vamos fechar; mas por decisão própria, não é o momento”, diz.


“Não queremos bancar Deus e ter de escolher quem deve viver”

O Secretário de Saúde de Porto União, Marivaldo dos Reis Santa Isabel, afirma que o momento é de preocupação entre os profissionais de saúde, diante de um eventual colapso. Segundo o secretário, desde o início da pandemia, quadruplicaram os casos de Covid-19 no município.

“Temos mortes, pessoas com sequelas da Covid-19 e, isso coloca todo o sistema em perigo. É preciso colocar a público a real situação que estamos atravessando”.

Marivaldo concorda com o prefeito Eliseu de que a conscientização se faz urgente e necessária.

“Quando estamos em perigo, ou a gente foge ou a gente enfrenta a situação. Então, no início da pandemia, em março do ano passado, todos nós enfrentamos a situação, acatamos o distanciamento social, o uso da máscara e por aí vai. Tínhamos em novembro de 2020, seis óbitos em Porto União e, pelo que eu me lembro, eram nove em União da Vitória. Naquele período, Porto União estava na contramão do que acontecia no Brasil e no mundo. Mas, repentinamente, em meados de novembro, passamos a andar na contramão de todo o planeta. O País contava com a diminuição dos casos e, nós aqui, em Porto União, divulgando o aumento dos casos. Estamos fugindo da realidade. O fato é que as pessoas hoje estão se contaminando em casa, entre os familiares”, afirma.

De acordo com Marivaldo, a Secretaria de Saúde não descarta a iminência na oferta de vagas da UTI.

“O que acontece hoje é que entra um paciente na UTI e, a sua permanência é de dez a quinze dias, em média. Nes período, já chega outro paciente para cuidados intensivos e precisamos aguardar uma melhora daquele já internado para então, remanejá-lo. Muitos pacientes inspiram cuidados. Embora se tenham vagas na enfermaria, a preocupação é com aqueles que necessitam de intubação e da UTI. É difícil saber como cada organismo vai reagir diante a Covid. Nós não queremos bancar Deus e ter de escolher quem deve viver”.

O secretário pede que a população mantenha os cuidados, como utilização da máscara, assepsia das mãos com álcool 70% e distanciamento social.

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