Qual a melhor máscara para sua proteção contra a Covid-19?

Entre tantos modelos disponíveis, alguns garantem apenas conforto, enquanto outros são capazes de evitar que se tenha contato com o vírus

·
Atualizado há 5 anos

Mais do que um item de proteção individual, as máscaras são, neste momento de pandemia, uma ferramenta importante para a proteção coletiva. A Covid-19 é um vírus transmitido tanto pelo contato direto com indivíduos infectados, quanto por gotículas minúsculas que são expelidas pelo corpo quando falamos, tossimos ou espirramos. Essas gotículas recebem o nome de aerossóis e tem a capacidade de permanecerem suspensas no ar, até se dissiparem ao entrar em contato com partículas de outros elementos, como a poeira, por exemplo.

Sendo assim, uma máscara produzida da maneira correta, tem a capacidade de reter os aerossóis em sua trama. Ou seja, quando uma pessoa utiliza uma máscara ela diminui as chances de que suas gotículas sejam expelidas para o ar, o que evita que outras pessoas entrem em contato com as gotículas contaminadas. Além disso, ela protege a si mesma, criando uma barreira entre os aerossóis contaminados e sua boca e nariz, as principais vias de entrada no vírus no corpo.

Com a indicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que as máscaras deveriam ser adotadas como auxílio na contenção da propagação do vírus, em março de 2020, e com a lei sancionada em julho do mesmo ano, que tornou obrigatório, no Brasil, o uso do item em locais públicos, as máscaras passaram a fazer parte do dia a dia da população. São vários os modelos disponíveis no mercado, mas nem todos geram a proteção necessária contra a Covid-19.


Máscaras de acrílico e face shields

Utilizadas com a intenção de garantir que o rosto possa ser visto, por serem transparentes, as máscaras de acrílico são, segundo a bióloga, pós-doutora em imunologia e professora de Biossegurança na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski, ineficazes em termo de segurança. Isso se deve ao fato de que uma máscara, para ser eficaz, precisa ter uma construção que permita que as gotículas sejam filtradas, e também deve ter um bom ajuste ao rosto, impedindo que gotículas contaminadas passem por frestas entre a pele e a máscara. As máscaras de acrílico não atendem a nenhum desses dois critérios.

“A função da máscara é servir como uma barreira às partículas, mas que permita livre passagem de ar. Se esse material da máscara faz barreira também ao ar, significa que ele escapa por outro mecanismo e que não passa por filtração”, comenta.

Segundo Melissa, não existe uma forma de deixar esse tipo de máscara mais segura, sem que se perca seu propósito inicial, uma vez que ao utilizar esse modelo em conjunto com uma máscara de tecido ou uma máscara cirúrgica, se tira a função da transparência.

Outro item comum é a face shield. Esse tipo de proteção pode ser útil, desde que utilizado em conjunto com outra máscara, visto que sua função é proteger os olhos contra respingos, e não contra os aerossóis propriamente ditos.

“Os escudos são abertos nas laterais, assim, o ar alcança a via respiratória facilmente se for utilizado sem uma máscara”, explica Melissa.


Máscaras de tricô

Com a necessidade do uso de máscaras, o produto começou a ser produzido de forma caseira. Não demorou muito até que aparecessem as máscaras de tricô, que prometem ser mais confortáveis que as demais. Contudo, Melissa aponta que uma máscara só se torna uma boa barreira se tiver uma trama de tecidos em diferentes camadas, que sejam capazes de filtrar o ar. Quanto mais fechada é a trama da máscara e quanto maior for o seu número de camadas, mais protetiva ela é.

“Assim, já é possível imaginar que máscaras feitas em tricô ou crochê não irão oferecer segurança alguma, pois a trama desse tecido é muito aberta, permitindo a entrada de gotículas que carregam vírus e bactérias. Usar esse tipo de máscara é o mesmo que não usar nada”.


Máscaras de tecido

Um dos modelos mais populares, as máscaras de tecido podem ser encontradas com facilidades em lojas, farmácias e pela internet. Desde que produzidas da maneira correta, elas podem ser uma boa barreira contra o vírus. De acordo com Melissa, estudos populacionais mostram que máscaras de tecido, quando bem ajustadas ao rosto, e produzidas com tecidos que permitem a filtração de partículas, como algodão em conjunto com o poliéster, ou o algodão em conjunto com a seda, podem ser protetivas.

O perfil nas redes sociais Qual a Máscara orienta sobre quais as máscaras mais seguras. Segundo ele, uma boa máscara de tecido não deve ser fabricada com tecidos elásticos, e precisa conter a menor quantidade possível de costuras, principalmente na parte frontal do item, uma vez que a costura gera micro furos na peça, o que pode permitir que os aerossóis passem por eles. Também é indicado que se opte por máscaras com elásticos que passem atrás da cabeça, e não atrás das orelhas, para garantir uma maior vedação.

“Faço uma ressalva que apenas pessoas saudáveis utilizem máscaras de pano. Não utilizem bandanas ou máscaras ditas “antivirais” (com íons prata). E é importante também dizer que máscaras de tecido umedecem mais rapidamente e isso é prejudicial à filtração. Assim, ao umedecer, a máscara precisa ser substituída por uma nova”, indica Melissa.

Também é importante lembrar que mesmo as máscaras de tecido precisam ser descartadas totalmente quando for observado que ela não está mais íntegra ou que não se ajuste mais adequadamente ao rosto. Outro fator a se levar em consideração é o momento da lavagem. Segundo Melissa, máscaras de tecido não devem ser torcidas, pois o ato quebra as fibras do algodão da máscara, o que diminui seu poder de filtragem.


 Máscaras cirúrgicas

Muito vistas no meio da saúde, mesmo as máscaras cirúrgicas apresentam diferença entre si. As de tripla camada possuem tecido-não-tecido (TNT) em sua composição, o que ajuda a aprisionar os aerossóis.

“Logo, embora essas máscaras não sejam as mais seguras em situações de alto risco, uma UTI, por exemplo, se usadas adequadamente, bem ajustadas ao rosto, elas são seguras. Porém, aquelas branquinhas, de dupla camada, já não são tão seguras como essas” explica Melissa.

Uma outra opção é utilizar uma máscara cirúrgica tripla camada em conjunto com uma máscara de tecido. Essa combinação pode aumentar a segurança, desde que ambas estejam bem ajustadas ao rosto, e que a sobreposição não faça com que o ar escape pelas laterais, sobre o nariz ou abaixo do queixo.

“Mas, para esclarecer: o estudo que mostrou maior proteção com a sobreposição (92%) foi feito com manequins e não foi testado contra vírus. Ele apenas verificou melhor eficiência de filtração de partículas”, indica Melissa.


Máscara PFF2/N95

Esse tipo de máscara, conhecido na Europa e nos Estados Unidos como N95, e no Brasil como PFF2, é considerado um Equipamento de Proteção Individual (EPI), por isso, passa por certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para ter sua eficácia comprovada. Uma PFF2 pode ter Eficiência de Filtração de 95%, por isso, seu uso tem sido indicado nesta pandemia.

“São indicadas devido a suas diversas camadas protetivas, quatro a cinco tecidos, tipos de camadas (que permitem impacto e aprisionamento de partículas) e melhor ajuste ao rosto. Outra questão importante é que elas são consideradas Equipamento de Proteção Individual para os profissionais de saúde por terem sido testadas clinicamente e largamente contra agentes biológicos de transmissão respiratória (como o vírus influenza). Finalmente, a PFF2 protetiva é aquela que possui Certificado de Aprovação expedido pelo Inmetro e está de acordo com as recomendações da Norma Regulamentadora Nº 6 do Ministério do Trabalho e Emprego”, aponta Melissa.

Por serem um EPI, as máscaras PFF2 podem ser encontradas em lojas de ferramentas e materiais de construção. Também estão sendo comercializadas na internet. Apesar de serem descartáveis, atualmente a OMS indica que seu uso pode ser de até oito horas, e que for respeitado um período de descanso entre um uso e outro (cerca de sete dias), podem ser usadas por até sete vezes, ou enquanto estiverem íntegras e garantindo a total vedação.

Porém ao se adquirir uma PFF2, é importante estar atento ao seu modelo. Existem máscaras com e sem válvula. As valvuladas não são indicadas, pois apesar de garantirem a proteção de quem as usa, não são capazes de conter as gotículas expelidas pelo seu usuário, uma vez que os aerossóis podem passar pela abertura da válvula.


Máscaras elastoméricas

Esse é um equipamento permanente, com boa aderência ao rosto, construído com materiais de silicone. Sua proteção se dá pela troca de filtros, que podem ser do tipo PFF1, PFF2 e PFF3.

“Lembrando que o dois é esse que é o mais utilizado contra agentes biológicos, o PFF1 é insuficiente porque a eficiência de filtração é de 80%, e o PFF3 é 99%, mas ele é utilizado mais para agentes químicos”, observa a bióloga.

Assim como as máscaras PFF2 citadas acima, os filtros das máscaras elastoméricas também precisam passar por uma testagem para que seja garantida sua eficácia. Dessa forma, ao se optar por utilizar esse equipamento, é preciso averiguar antes se os filtros possuem aprovação do Inmetro.

Segundo Melissa, por não serem descartáveis e garantirem uma filtragem igual à da PFF2 a partir da troca dos filtros, elas podem ser seguras aos usuários. Entretanto, elas possuem válvulas respiratórias, que, como já citado, não garantem a proteção de terceiros contra as gotículas expelidas por quem estiver utilizando uma elastomérica.

“De uma maneira geral eu não recomendo essa máscara, eu recomendo que a pessoa utilize a PFF2”, aconselha.


Máscaras são importantes mesmo após a vacinação

Para Melissa, uma boa máscara está em primeiro lugar na lista de proteção, pois mesmo quem já foi imunizado com as duas doses da vacina contra a Covid-19 precisa continuar a utilizar o item para proteger as pessoas à sua volta. Ela lembra, também, que a proteção deve vir aliada ao distanciamento e a uma boa higienização.

“Mesmo se a pessoa estiver vacinada, ela deve utilizar máscara até que a cobertura vacinal atinja mais de 70% de sua cidade. Porém, ainda estamos um pouco longe disso. E, depois da Pandemia, é indicado usar máscara quando sentir sintomas gripais”.


Proteção acima da aparência

Após um ano usando máscaras dia após dia, há quem passe a optar por máscaras que sejam mais bonitas. Mas nem sempre essas são as que trazem maior proteção. Um exemplo são as máscaras KN95, que são utilizadas como uma alternativa à PFF2, mas que não possuem, em sua maioria, testagem do Inmetro e não garantem a vedação adequada.

“Como trabalho com Biossegurança, eu considero preocupante quando a pessoa coloca aparência à frente de segurança. Sobre conforto, de fato, passar o dia com uma máscara bem presa ao rosto não é lá muito agradável. Mas é extremamente necessário quando o assunto é proteção contra um vírus que não sei como meu corpo irá reagir a ele ou se posso transmiti-lo para outra pessoa. Eu fico com a melhor proteção possível, sempre”, relata Melissa.


Para Melissa, um ranking entre os tipos de máscara, da mais eficiente para a menos eficiente, seria:

  • 1- Máscara PFF2
  • 2- Máscaras cirúrgicas tripla camada
  • 3- Máscara de tecido, tripla camada, bem ajustada ao rosto
  • 4- Máscara elastoméricas
  • 5- Máscara de tricô/crochê
  • 6- Máscara de acrílico/vinil
  • 7 Só o face shield.

“Mas ressalto que não recomendo o uso da cinco em diante” aponta a Bióloga.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!