Dólar sobe 1,5% na semana com Fed e economia mais forte dos EUA

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Atualizado há 5 anos

O dólar engatou a segunda semana seguida de alta ante o real, acumulando valorização de 1,56% nos últimos cinco dias. O noticiário externo foi determinante para o comportamento do dólar, mesmo com os desdobramentos da CPI da covid em Brasília. A mudança de discurso do Federal Reserve, que começa a sinalizar para o debate sobre a redução das compras mensais de ativos, ajudou a fortalecer a divisa dos Estados Unidos no mercado internacional e a elevar as taxas de retorno dos juros longos americano, penalizando ativos de emergentes.

Nesta sexta-feira, o presidente da regional da Filadélfia do Fed, Patrick Harker, afirmou que é preciso começar a discussão sobre a diminuição das compras mensais de ativos “antes que seja tarde”. Já Raphael Bostic, o responsável pela unidade de Atlanta, e que vota este ano nas reuniões de política monetária, disse estar tentando diferenciar o que é “transitório” e o que “não é” na inflação dos EUA, uma mudança em relação a declarações anteriores classificando a pressão inflacionária como temporária.

As declarações hoje do dirigente do Fed sobre retirar estímulos vieram em meio à divulgação do índice dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) dos EUA, mostrando força da atividade em maio, com números recordes tanto na indústria como no serviços. Neste último setor, o PMI foi a 70,1, nível inédito para a economia americana.

“A redução das compras mensais de ativos será a próxima prioridade do Fed”, avalia o economista da gestora Northern Trust, Carl Tannenbaum. O pior da pandemia nos EUA parece já ter ficado para trás, na medida em que a vacinação andou rápido, ressalta ele. Ao mesmo tempo, a rápida recuperação da atividade transformou a inflação no assunto do momento, agora com destaque para a dos preços de imóveis, que estão subindo dois dígitos.

O economista e gestor da JF Trust, Eduardo Velho, calcula que o piso para o dólar neste momento é de R$ 5,17, nível que ainda não conseguiu furar nas últimas semanas. Ele observa que a pressão vai crescer nos EUA para o Fed revelar algum ‘timing’ ou pista sobre quando começa a redução das compras de ativos e, por isso, os discursos dos dirigentes regionais ganham mais importância. O fluxo cambial do Brasil teve desaceleração nos últimos dias, observa Velho, e a tendência pela frente é de redução da liquidez no mercado internacional, por conta da tendência de alta dos juros nos países desenvolvidos. Com isso, o dólar tende a ficar mais valorizado.

Nesta sexta-feira, o dólar à vista encerrou em alta de 1,44%, a R$ 5,3532, fechamento mais alto desde o dia 5 de maio. No mercado futuro, o dólar para junho subia 1,25% às 17h40, em R$ 5,3535.

Ao longo da tarde, o Ibovespa limitou perdas a ponto de manter a linha dos 122 mil pontos pelo quinto fechamento consecutivo, conseguindo salvar leve ganho na semana ao encerrar a sexta-feira, 21, mais uma vez bem perto da estabilidade (-0,09%), aos 122.592,47 pontos, entre mínima de 121.760,37 e máxima de 122.799,36 pontos na sessão, com giro a R$ 36,5 bilhões, em dia de vencimento de opções sobre ações. Na semana, acumulou ganho de 0,58%, vindo de perda de 0,13% na anterior, avançando agora 3,11% em maio – no ano, a alta está em 3,00%.

O dia não teve direção única em Nova York, enquanto o dólar se fortaleceu em nível global com nova leitura forte sobre a atividade econômica nos Estados Unidos, na prévia do PMI composto para maio, que mantém no radar dos investidores o comportamento da inflação americana e eventual reação do Federal Reserve que, anteontem, na ata de sua mais recente reunião de política monetária, sinalizou estar mais perto de iniciar o debate sobre a retirada de estímulos.

“Os sinais de reorientação do Fed serão acompanhados de perto por todos, à medida que essa discussão prosseguir. Mas há outras questões em andamento que influenciam os preços, como o ajuste nas commodities, especialmente para as ações de Vale e Petrobras, a possibilidade de retomada da discussão sobre a reforma administrativa a partir da próxima terça-feira e a tramitação da MP da Eletrobras no Senado”, aponta Murilo Breder, analista de renda variável da Easynvest. “Após a boa temporada de resultados trimestrais, a tendência é de que o mercado volte a olhar mais para o macro, inclusive para a política.”

“A semana termina com os dados de atividade nos Estados Unidos e, em menor grau, também na zona do euro apontando para cenário mais forte na economia. Aqui, há coisas acontecendo também no corporativo, como os relatos de que BRF e Marfrig estão buscando uma fusão. O Fed continuará a ser acompanhado por todos, pelo efeito direto sobre as condições de liquidez no mundo”, diz Bruno Moura, sócio e líder de operações da mesa de renda variável da BlueTrade.

BRF dominou com folga a ponta do Ibovespa nesta sexta-feira, ao fechar o dia com ganho superior a 16%, não apenas pelos rumores, não confirmados oficialmente, sobre a possível fusão com a Marfrig, mas também pelo “alívio no preço do milho e o potencial aumento do consumo de aves na Argentina”, observa Pietra Guerra, analista da Clear Corretora. Após BRF, destaque também para Embraer (+3,16%), com informações sobre entrega de aeronave, e Suzano (+2,64%). No lado oposto, as ações de construção civil foram afetadas pela inflação nos custos do setor, no maior nível desde 1993 – Cyrela fechou em baixa de 5,39%, à frente de MRV (-5,12%); entre as duas, Marfrig cedeu 5,20%.

Com o prosseguimento da correção dos preços do minério de ferro na China, Vale ON (-1,54%) e as ações de siderurgia (CSN -3,18%) voltaram a se alinhar entre as perdedoras do dia. “Segundo informações dos jornais locais, o Conselho de Estado chinês está pronto para adotar novas medidas para evitar que o aumento dos preços das commodities seja repassado aos consumidores, uma vez que o aço é um custo importante dentro da cesta de inflação”, diz Rafael Ribeiro, analista da Clear.

Bancos (Bradesco PN +0,46%) e Petrobras (PN +0,08%, ON +0,99%) tiveram ganhos modestos na sessão, em dia mais uma vez positivo para Eletrobras (ON +0,12%, PNB +1,22%), com a progressão da MP para o Senado.

Os juros futuros encerraram a sessão desta sexta-feira em queda, destoando do movimento do dólar na sessão. A confirmação do Ministério da Economia de que há R$ 4,8 bilhões de espaço no teto de gastos ajudou a tirar pressão das taxas.

O DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 5,005%, de 5,000% ontem. O janeiro 2025 cedeu de 8,235% a 8,18%. E o janeiro 2027 recuou de 8,824% a 8,76% (mínima).

A valorização da moeda americana é generalizada, ainda na esteira de dados fortes do segmento de serviços dos Estados Unidos, que refletem a reabertura econômica. O indicador reforça ainda o temor sobre a inflação americana. Internamente, a inflação também segue no radar dos agentes, prejudicando as construtoras na Bolsa brasileira.

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